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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Contador de Histórias 4 Eu quero ser pó de café


Numa pequena ilha, algures no Oceano Atlântico, vivia uma linda moça que passava todo o tempo a queixar-se da vida. Tudo era difícil para ela, eram problemas atrás de problemas. Até que um dia enquanto se queixava, a mãe disse-lhe que fosse até á cozinha com ela. A mãe encheu três panelas com água -las ao lume e deixou ferver. Numa panela pôs cenouras, noutra colocou ovos e, na última café em pó. Cerca de vinte minutos depois apagou o lume. Pegou nas cenouras e colocou-as numa tigela. Retirou os ovos e meteu-os noutra tigela. Tirou o café com uma concha e meteu-o numa xícara .Pediu á filha que provasse as cenouras, ela provou e disse que estavam macias. Depois, pediu que a filha pegasse num ovo e o partisse. Ela obedeceu e , ao retirar a casca, verificou que endurecera com a fervura. Finalmente pediu que bebesse um gole de café. Ela provou e achou-o saboroso. Então a mãe explicou:
Cada um deles enfrentou a mesma adversidade: a água a ferver, mas a forma como cada um reagiu foi diferente. A cenoura entrou forte, firme e inflexível, só que, depois de ter sido submetida á agua a ferver, amoleceu e tornou-se frágil. Os ovos eram frágeis e a sua casca fina protegia o liquido interior, mas, após terem sido fervidos, o seu conteúdo ficou duro. O pó de café, contudo , é incomparável. Depois de ter sido submetido na água a ferver, mudou a água.

Na vida estamos sempre a passar por adversidades, Como é que devemos reagir quando um ambiente é adverso? Seremos uma cenoura um ovo ou um café?

Por esta razão eu costume dizer aos meus atletas que o verdadeiro campeão não é o que vence as competições , mas aquele que não se deixa vencer. Há atletas que vencem grandes competições, mas na primeira adversidade, desistem. E há atletas que podem nunca vencer, mas nunca desistem e esses são os grandes campeões. Pois pela vida fora, provavelmente continuarão a ter os mesmos procedimentos e como todos nós sabemos, todos passamos por muitas adversidades

(adaptado do livro "o que podemos aprender com os gansos")

segunda-feira, 30 de março de 2009

O Vaso chinês


Vaso Chinês

Uma velha senhora chinesa possuía dois grandes vasos, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um dos vasos era rachado e o outro era perfeito.
Este último estava sempre cheio de água ao fim da longa caminhada do rio até casa, enquanto o rachado chegava meio vazio. Durante muito tempo a coisa foi andando assim, com a senhora chegando a casa somente com um vaso e meio de água.
Naturalmente o vaso perfeito era muito orgulhoso do próprio resultado e o pobre vaso rachado tinha vergonha do seu defeito, de conseguir fazer só a metade daquilo que deveria fazer.
Depois de dois anos, reflectindo sobre a própria amarga derrota de ser 'rachado', o vaso falou com a senhora durante o caminho:
- Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que eu tenho faz-me perder metade da água durante o caminho até a sua casa...'
A velhinha sorriu:
- Já reparaste nas flores lindas que existem somente do teu lado do caminho? Sempre soube do teu defeito e por isso plantei sementes de flores n a beira do teu lado da estrada. Todos os dias, enquanto voltavamos , tu as regas. E durante dois anos pude recolher belíssimas flores para enfeitar a mesa. Se não fosses como és, não teria aquelas maravilhas em minha casa !.
Eu como vaso rachado que sou, vou olhando as flores que por vezes vou regando e a forma como elas, tornam tudo belo á sua volta. Para quem se revê como eu, no vaso rachado, por favor vão dando uma espreitadela, nos locais onde vão caindo os vossos pingos de água.

É preciso aceitar cada um pelo que é... E descobrir o que há de bom nele.'

quinta-feira, 26 de março de 2009

Contador de Histórias 3

“A pedra não tem esperança de ser outra coisa que não pedra, mas ao colaborar, ela torna-se templo” Saint – Exupéry

Depois de alguns amigos e conhecidos saberem da minha opção em tornar-me ovolactovegetariano, têm surgido algumas questões das quais vou transcrever as mais frequentes:
Deixas-te de comer carne e peixe? Depois de velho ficaste louco? – Nós vamos morrer e tu vais ficar por ai!.. – Tens que ter cuidado, isso vai fazer-te mal. – Ainda bem que tomaste essa decisão. – Bem-vindo a uma nova forma de pensar. – Fizeste bem. – Isso não dura muito tempo. – Também não estás a beber? Não sejas tonto!.. – Não estás a beber? ainda bem. Etc,etc, etc.


Para todos estes meus amigos e conhecidos relembro uma velha história que passo a transcrever , e que foi escrita pela grande contadora de histórias Sophia de Mello Breyner


Um velho, um rapaz e um burro na estrada.
Em fila indiana os três caminhavam.
Passou uma velha e pôs-se a troçar:
-O burro vai leve e sem se cansar!

O velho então para não ser mais troçado,
Resolve no burro ir ele montado.
Chegou uma moça e pôs-se a dizer:
-Ai, coisa feia! Que triste que é ver!
O velho no burro, enquanto o rapaz,
Pequeno e cansado, a pé vai atrás!

O velho desceu e o filho montou.
Mas logo na estrada alguém gritou:
-Bem se vê que o mundo está transformado!
O pai vai a pé e o filho montado!
O velho parou, pensou e depois
Em cima do burro montaram os dois.

Assim pela estrada seguiram os três:
Mas ouvem ralhar pela quarta vez:
Um rapaz já grande e um velho casmurro.
São cargas de mais no lombo de um burro!
Então o velhote seu filho fitou
E com tais palavras, sério, falou:
Aprende, rapaz, a não te importar,
Se a boca do mundo de ti murmurar.

Bibliografia
O velho, o rapaz e o burro por Sophia de Mello breyner Andersen 2008

Não é dificil tornar-se templo
Adriano

quinta-feira, 12 de março de 2009

Contador de Histórias 1

No contador de histórias vou escrever alguns contos que conheço e que acho que têm alguma utilidade prática.
Primeira história
O Incêndio na floresta
Como já ouvi várias versões desta história, vou contar a minha que passa a ser mais uma.
Um dia houve um grande incêndio na floresta, e a determinada altura os animais começaram todos a fugir. Naquela azafama toda, com todos a correrem no sentido contrário ao do fogo, o elefante viu um Louva-a -Deus que ia em direcção ao lume com água no bico. E então, deu-se este interessante diálogo:
Elefante - Ó Louva-a-Deus para onde é que tu vais?
Louva-a-Deus – Vou tentar apagar o incêndio
Elefante – Com esse pinguinho de água, não me faças rir, foge mas é connosco
Louva-a-Deus - Eu estou a fazer a minha parte
Esta história faz-me lembrar uma frase que um dia li no Lar onde vivia o meu pai, e que dizia mais ou menos isto: “ ninguém fez maior erro do que aquele que nada fez, só porque o que podia fazer era muito pouco”
É uma verdade, muitas vezes demitimo-nos das nossas responsabilidades, porque achamos que não vale a pena, pois são gestos tão singelos, coisas tão insignificantes, que pensamos que se fizermos não terão impacto algum. Na história da floresta, se cada animal fizesse a sua parte, o incêndio poderia ter sido extinto.
No nosso dia a dia estamos cheios de exemplos como estes. Se tenho uma lâmpada acesa desnecessariamente, devo pensar que ao apagá-la estou a contribuir para que haja menos poluição no mundo. Se forem milhares a apagarem uma luz desnecessária, será uma redução muito grande, mas, se todos pensarmos que uma lâmpada acesa não tem significado porque o vizinho tem dez acesas, então o mundo vai continuar cada vez mais poluído, o mesmo acontece com a reciclagem do lixo, a boa educação, etc. etc.etc.
Por isso
Sejamos o Louva a Deus