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quinta-feira, 19 de março de 2015

A Armada Invencível


Portugal foi campeão da europa em atletismo nos sectores feminino e masculino: As equipas portuguesas venceram de forma inequívoca o 7º campeonato da europa de atletismo em pista coberta para atletas do INAS (deficiência intelectual).As selecções nacionais no seu conjunto conquistaram 25 medalhas (8 ouro, 8 prata e 9 bronze). Para a revalidação destes títulos, além do excelente contributo de todos os elementos envolvidos neste evento, contribuiu em muito, a prestação individual da estrela da equipa, Lenine Cunha, que conquistou 8 medalhas (2 ouro, 2 prata e 4 bronze), praticamente um terço do total das medalhas conquistadas. É de salientar as excelentes prestações de Érica Gomes com o recorde Nacional absoluto no triplo salto, Pedro Isidro na marcha que fez recorde dos campeonatos e realço também a veterana Graça Fernandes a quem a soma dos anos parece fazer bem. A presença de três jovens açorianos, Ana Filipe, Maria Sousa e Carlos Lima, todos a bom nível, são a evidência de uma renovação que se continua a fazer e da capacidade de recrutamento da ANDDI.

 Ao longo dos últimos anos, as excelentes prestações tanto individuais como coletivas dos nossos atletas nas competições INAS, têm sido o maior meio de divulgação do atletismo adaptado. A constante presença destes atletas na comunicação social, e a divulgação dos resultados nas redes sociais, tem contribuído de forma decisiva para o esclarecimento da importância que o desporto adaptado tem num melhor e mais equilibrado desenvolvimento social. Vivendo como vivemos, um momento de transformação no desporto adaptado, é de bom senso proteger estas atividades e ter muito cuidado em não matar a galinha dos ovos de ouro.

São Petersburgo, a antiga capital do império Russo foi a anfitriã deste campeonato. Com uma excelente organização tanto a nível do quadro competitivo como na componente social, este campeonato primou pela ausência de alguns países de referência nesta modalidade. Este facto não foi impeditivo da realização de alguns resultados de alto nível. Na minha opinião, essas ausências devem-se ao facto de durante a presente época ainda existirem mais duas grandes competições internacionais, uma no Equador e outra Qatar, tendo a actual crise financeira obrigado alguns países a fazerem opções.

Nota final: No último dia do campeonato a organização proporcionou a todos os intervenientes um passeio turístico pela cidade. A cidade confirmou a ideia que eu tinha dela, uma cidade muito linda, deslumbrante. Um dia gostaria de voltar para poder ver por dentro tudo aquilo que eu vi por fora. Uma referência à voluntária Alexandra Ivanova, uma estudante Bielorussa de apenas 21 anos, que fala um excelente português e sabe mais sobre a história e literatura de Portugal que muitos portugueses. Uma daquelas pessoas que vale a pena conhecer. Deixei para último o mais importante, El Comandante Costa Pereira, que com a sua dedicação e conhecimento consegue com que Portugal atinga estes patamares na área do atletismo da deficiência intelectual. Gosto de ver a sua entrada tipo furacão, transmitindo uma grande energia a todos e estabelecendo regras de uma forma muito clara que desmotiva qualquer atleta a infringi-las.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Portugal campeão europeu de atletismo INAS 2014


A pacata cidade Holandesa Bergen op Zoom acolheu o 7º Campeonato da Europa de Atletismo INAS que se realizou de 11 a 16 do passado mês de junho. As equipas portuguesas, feminina e masculina, chegaram a esta competição como campeãs do mundo e da europa em título e por conseguinte com a responsabilidade da revalidação dos respetivos ceptros.As seleções nacionais cumpriram os seus propósitos e foram campeãs da Europa no sector masculino e feminino. Ao contrário das nossas expetativas antes do início do campeonato em que prevíamos menos dificuldades no sector masculino do que no sector feminino, no desenrolar da competição esta situação alterou- se, pois a seleção masculina da França apareceu muito forte e criou muitas dificuldades a Portugal e no sector feminino a Polónia que era o adversário mais forte acabou por claudicar ao segundo dia de competição. Para aumentar o pecúlio de taças e medalhas conquistados por atletas da ANDDI (Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual) ficam além dos dois títulos coletivos de campeões da europa, 31 medalhas sendo 11 de ouro, 13 prata e 7 bronze.

Notas soltas sobre o campeonato

A organização esteve excelente em todos os aspetos. Aproveitaram a ideia do anterior campeonato da europa disputado em Gavle na Suécia e começaram a competição com o lançamento do peso a ser disputado na praça principal da cidade. Uma ótima forma de divulgação da modalidade e bom para os atletas competirem na presença de bastante público.

Elogio público do Dr. Geoff Smedley presidente do INAS Europa, ao nosso coordenador nacional Engº Costa Pereira, na importância que ele tem na organização INAS. É sempre bom ver o trabalho reconhecido desta forma.

Lenine Cunha, a nossa maior referência, compareceu com uma lesão grave no tendão rotuliano, sem saber se iria conseguir competir, lá foi fazendo as suas provas, resguardando-se quando necessário e acabou por ser o atleta português mais medalhado com uma medalha de ouro 4 de prata e 1 de bronze

Três atletas açorianos nesta seleção são demonstrativos do bom trabalho que se anda a fazer nos Açores, sendo também compensador para a ANDDI que vê começar a dar frutos as sementes que à cerca de dez anos por lá lançou.

O holandês dono de uma gelataria e casado com uma portuguesa, resolveu oferecer a todos os elementos da seleção nacional gelados enquanto permanecemos por lá. Também ofereceu uma pequena festa de despedida no seu café, uma grande generosidade vinda de alguém que faz parte de um povo que consideramos frio e pouco comunicador. É muito difícil ver uma atitude destas em Portugal.

Eu e a professora Natércia fizemos duas sessões de Reiki com um atleta e acho que foi positivo o atleta ficou mais relaxado e emocionalmente melhor…É claro que o reiki não trata diretamente uma enfermidade, mas ajuda o corpo a criar um ambiente que aumenta o seu nível mental e emocional.

Ana Paula Costa técnica açoriana que acompanhou a seleção nacional, passou este ano por uma situação terrível quando um seu atleta com vinte e dois anos, morreu durante um treino de lançamento do disco. Embora já se passassem alguns meses sobre este acidente a Paula ainda não recuperou totalmente e este foi um tema presente nas nossas conversas.

A amizade é a cola que une este grupo ANDDI, depois a organização e a disciplina fazem o resto. Embora tenhamos que reconhecer a qualidade e dedicação dos atletas, encontro nestes três itens: amizade, organização e disciplina a razão para tantos êxitos.

Parabéns à ANDDI e todos aqueles que direta ou indiretamente estiveram ligados a mais este êxito. Uma referência especial à Graça Fernandes um caso único de longevidade desportiva e aos atletas mais antigos desta seleção que tão bem sabem transmitir a mística aos seus colegas mais novos.

domingo, 9 de março de 2014

Portugal Campeão



À família ANDDI

"Nem todos os irmãos são amigos, mas todos os amigos são irmãos”


A região de champagne através da cidade Reims acolheu o oitavo campeonato do mundo de atletismo INAS em pista coberta. Cidade pacata onde pontificam dois majestosos monumentos, a catedral de Notre Dame e a basílica da San Remigio .Aqui, nota-se que as estações do ano cumprem religiosamente as suas funções; é inverno, chove, faz frio e cai geada. O Sol, esse só aparece de lampejo, dando a ideia de ter medo de se imiscuir num assunto que não é seu.

Reimis é conhecida pela” cidade da consagração real “ou” cidade dos reis” nela foram coroados 29 reis entre 1027 e 1825. Este foi o local ideal para a consagração das equipas nacionais masculinas e femininas como campeões do mundo de atletismo INAS em pista coberta 2014. Aqui se festejou o décimo quarto título de campeões do mundo em pista conquistado pelas seleções nacionais de atletismo da ANDDI( Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual)

Notas soltas sobre o campeonato

Quando o patinho feio se tornou o cisne mais bonito. Aconteceu com a prova de marcha que normalmente é das menos emotivas e foi a mais empolgante do campeonato. Sabendo a organização da presença do marchador português Pedro Isidro (primeiro atleta da deficiência intelectual a estar presente nuns jogos olímpicos) logo criou condições para que esta prova tivesse um êxito acrescido. Chamando ao local juízes internacionais de marcha e fazendo uma locução extraordinária durante a prova, anunciando os tempos volta a volta com gritos de incentivo, contagiando todo o público que em pé nunca deixou aplaudir o atleta desde o início ao fim da prova. Resultado? O Pedro Isidro juntou à sua medalha de ouro um recorde do mundo, que na minha opinião perdurará por muitos e muitos anos e ainda o prémio da melhor performance masculina do campeonato.

O suspeito do costume. Lenine Cunha voltou a ser o atleta mais medalhado da competição ganhando 8 medalhas ( 1 ouro 3 prata 4 bronze) aumentando o seu pecúlio para 156 medalhas ganhas a nível internacional. Mesmo sendo no desporto adaptado é obra.

Novinhos mas bons. Saliento as medalhas de bronze com recordes de Portugal do jovem Cristiano Pereira nos 800 e 1500 metros e a medalha de ouro com recorde de Portugal de outra jovem, Erica Gomes no salto em altura. Embora nesta área tudo seja demasiado imprevisível, auguro um grande futuro a estes dois atletas.

Portugal total. Pela primeira vez com representantes do continente e das duas regiões autónomas, Madeira e Açores a ANDDI demonstrou a sua abrangência no todo nacional

Portugal. Além dos títulos coletivos no sector masculino e feminino conquistou 24 medalhas (5 ouro 7 prata 12 bronze) nas provas individuais e estafetas

Ucrânia. Não poderia deixar de fazer referência a esta seleção pelos momentos conturbados que se vive nesse país, uma quase guerra civil, compareceram e competiram a um bom nível.

Polonia. Com uma seleção feminina cada vez mais forte, conquistaram 8 medalhas de ouro, merecem também uma referência nestas notas soltas.

Parabéns a todos os intervenientes neste campeonato, fundamentalmente à ANDDI pelo seu trabalho e capacidade de recrutamento de novos atletas. Uma saudação especial ao técnico de atletismo da ilha Terceira Emanuel, que a expensas próprias fez questão de acompanhar o seu atleta a esta competição, colaborando sempre com a restante equipa técnica, o que demostra amor pela modalidade.

domingo, 30 de junho de 2013

Insustentável leveza do vencer


Campeonato do mundo de atletismo INAS:

A bela cidade de Praga acolheu o 9º campeonato do mundo de atletismo INAS, razão pela qual escolhi um título em homenagem ao escritor checo Milan Kundera, e à sua obra “ A insustentável leveza do ser” um clássico escrito em Praga. (e também porque, para quem deambula pela magnífica cidade de Praga, fica com a sensação que único grande escritor chego é Kafka)

“ Tudo o que se viveu se há-de repetir outra vez e que essa repetição se há-de repetir uma e outra vez, até ao infinito!” In Insustentável l leveza do ser (citando a ideia do eterno retorno de Nietzsche)

Um aparte:

Efetivamente a repetição das conquistas de títulos europeus e mundiais, tanto individual como colectivamente por parte da selecção nacional de atletismo da ANDDI, tem-se repetido, e provavelmente irão repetir-se muitas e mais vezes. (Segundo a teoria do eterno retorno de Nietzsche, num futuro muito longínquo iremos vivenciar novamente estes momentos)

Crónica de um campeonato:

Ao vencer no sector masculino, Portugal conquistou a sétima vitória consecutiva nesta competição.

Dois atletas desta equipa estiveram presentes nas sete vitórias consecutivas são eles: o lançador Ricardo Marques e o polivalente Lenine Cunha. É obra

No sector feminino Portugal venceu pela terceira vez consecutiva.

O atleta Lenine Cunha mais uma vez e merecidamente, foi considerado o melhor atleta do campeonato.

Os atletas portugueses ganharam seis medalhas de ouro, 10 de prata e 10 de bronze

As boas surpresas, foram as selecções do Japão nos sectores feminino e masculino e Venezuela no sector masculino, que ocuparam lugares no pódio, normalmente pertencentes a selecções europeias.

O ambiente na selecção não poderia ser melhor, muita solidariedade entre os atletas, apoiando sempre quem estava a competir.

Seleccionador Nacional, treinadores, chefe da delegação e fisioterapeuta, numa acção coordenada, conseguiram estar sempre presentes na pista de aquecimento, câmara de chamada e nos diversos sectores onde estavam a competir os atletas portugueses.

A organização Checa esteve a bom nível, demostrando grande capacidade de organização para eventos desta natureza.

Em todos os campeonatos existe sempre um momento de grande emoção. Neste campeonato foi uma intervenção da treinadora Natércia sobre o treinador João Amaral. Fica aqui o registo sem pormenores.

Mais uma vez fiou demostrada a grande capacidade de trabalho da ANDDI, corroborada pelo desejo da equipa japonesa em estagiar em Portugal, para ver como funciona esta organização.

Para terminar:

“ Todo dia é uma ocasião especial. Guarde apenas o que tem que ser guardado: lembranças, sorrisos ,poemas, cheiros, saudades, momentos”.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Portugal O melhor da Europa






“ O sonho acordado é que é a realidade” Clarice Lispector in Um sopro de Vida


 Portugal partiu para Istambul com algumas supostas limitações, a ausência de três dos principais atletas e uma semana atribulada com várias idas ao hospital do nosso capitão e atleta mais representativo Lenine Cunha. As ausências foram superadas pela filosofia desta seleção; não lamentar as ausências mas incentivar as presenças e a debilidade do nosso capitão superada pelo seu carisma e força de vontade.

Portugal voltou a ser campeão da Europa vencendo coletivamente no sector masculino e feminino, conquistando em termos individuais 8 medalhas de ouro, 10 de prata e 5 de bronze. O prémio para o melhor atleta do sector masculino foi atribuído ao Lenine Cunha.

O percurso desta selecção é deveras impressionante, deste que começou a participar neste tipo de competição já foi campeã da Europa 14 vezes e ficou 4 vezes em segundo lugar. Também foi 12 vezes campeã do mundo e 4 vezes vice campeã mundial. Como podemos constatar o seu pior resultado é um segundo lugar. Não menos impressionante é o número de medalhas ganhas a nível internacional pelo atleta Lenine Cunha 141. Como adjetivar o Técnico e selecionador nacional Costa Pereira, responsável por todos estes êxitos e pela dinâmica desta modalidade a nível internacional? Simplesmente fenomenal

Voltando a Istambul, quero endereçar os parabéns a todos os atletas desta selecção que foram inexcedíveis no cumprimento das tarefas que lhes foram destinadas. Fiquei feliz com o regresso da nossa antiga capitã Graça Fernandes, que mais uma vez demonstrou aos mais novos o espírito de equipa que é necessário para conseguir estes êxitos. Foi pena não termos connosco a melhor adepta do mundo do desporto adaptado a nossa amiga japonesa Yayoi, uma companhia muito querida por todos nós.
Tenho também que referir o trabalho da nossa fisioterapeuta Maria João que esteve sempre em acção na pista respondendo aos mais diversos problemas que foram surgindo, e foram muitos, ficou com a responsabilidade dos atletas na câmara de chamada, fez uma cobertura fotográfica de todos os melhores momentos do campeonato. À noite ocupou-se da recuperação dos atletas, e no meio disto tudo ainda teve tempo para ouvir o relato da sua Académica, enfim, uma supermulher.
 Quanto à organização revelou-se algo inexperiente, neste tipo de campeonato, mas de bom nível no desenrascanço, qualidade esta, que pensava eu ser unicamente portuguesa. Também poderiam ter feito algo mais relativamente ao programa social.

 Este sector do desporto adaptado anteriormente denominado por deficiência mental, um termo algo pejorativo para os praticantes desportivos, evoluiu e bem para o termo deficiência intelectual. Simplesmente ainda continua a ser algo agressivo impedindo muitos jovens de aderirem a esta modalidade de prática desportiva. Na minha opinião deveria evoluir para deficiência cognitiva, pois é o termo mais adequado para definir o tipo de deficiência atribuída a estes atletas que têm problemas de cognição numa determinada área.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Momentos



   Mais uma vez recorro à terceira pessoa do pretérito perfeito simples do verbo vencer, para escrever: Portugal venceu o campeonato da europa de atletismo INAS no sector feminino e masculino disputado em Gävle na Suécia. A estes títulos coletivos os atletas portugueses juntaram 40 medalhas, sendo que 15 foram de ouro. Também conquistaram os títulos de melhor atleta do sector masculino e feminino, melhor performance masculina e o prémio do medalheiro (seleção com mais medalhas). Perante uma supremacia destas não há muito a dizer, correu tudo bem, parabéns a todos os intervenientes.
   Embora tardiamente, gosto de divulgar no meu blogue as provas do desporto adaptado em que participo. Como em outras vezes teço alguns comentários sobre o tema em questão.

   Se é verdade que o desporto adaptado tem como principais objetivos facilitar a integração na sociedade das pessoas portadoras de deficiência e concomitantemente atuar como um meio preventivo e terapêutico, colmatando algumas debilidades provocadas pela deficiência. Não é menos verdade que os praticantes do desporto adaptado, são um grupo heterogéneo a nível do grau e do tipo de deficiência que são portadores, e por essa razão os principais objetivos que norteiam esta atividade também devem ser analisados de forma diferente.
   Atletas ambliopes, cegos totais, com dificuldade de aprendizagem (chamada deficiência intelectual) e alguns tipos de deficiência motora, estão simplesmente limitados a nível da deficiência em questão e não possuem outra limitação física, sendo que na prática do atletismo, são incorporados no treino e em competições dos atletas ditos normais.
  Para estes atletas, o desporto adaptado, não tem a função terapêutica, como em outros casos de deficiências mais graves, mas sim contribuir para uma melhor integração social, aumento dos níveis de auto confiança e auto estima, demostrando através dos seus resultados desportivos, que embora com algumas limitações, possuem qualidades que lhes permitem ser uteis à sociedade.
   É claro que o desporto adaptado não pode ser comparado ao desporto dito normal, pois correríamos o risco de subverter os principais propósitos para que foi criado. Agora, acusarem as instituições que promovem a prática do desporto adaptado de empolamento das medalhas ganhas e a comunicação social escamotear os resultados obtidos, acho muito mal. Já li vários tipos de acusação sobre o desporto adaptado, por vezes utilizando uma terminologia que considero abominável, ainda mais provindo de uma classe dita intelectual. É natural que atletas que estão no limítrofe da sua deficiência (os conhecidos borderlines) levantem alguma suspeição, mas no desporto dito normal, também existe suspeição. Quantos atletas que considerados ídolos, mais tarde viemos a saber que se dopavam e que através do doping adulteraram os resultados? E então! vamos suspeitar de todos? É claro que não……
Os atletas do desporto adaptado competem a nível internacional com atletas do mesmo grau de deficiência, as regras são iguais para todos, aqueles que ganham são os melhores. Por isso devemos dar relevância aos vencedores; atletas,treinadores e agentes promotores. A forma como trabalharam, e conseguiram mobilizar os atletas para a prática desportiva, a sua organização e empenho devem ser sempre enaltecidas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Portugal novamente campeão


Eis mais um momento que vivenciei e que faço questão de gravar com letras, e ler em voz alta, pois era assim que eu estudava.
Pensava eu, que aquilho que não queria esquecer se usasse os três sentidos; tacto, visão e audição mais facilmente iria ficar registado algures na mente, onde sempre que quisesse poderia ir buscar.




Portugal foi novamente campeão mundial de atletismo no sector feminino e masculino (Inas world indoor athletics championships) em pista coberta na vertente de desporto adaptado. Neste campeonato realizado em Manchester, além dos títulos colectivos os atletas portugueses conquistaram 25 medalhas, 10 de ouro, 7 de prata e 8 de bronze. Para ajudar a aumentar o pecúlio de prémios o atleta Lenine Cunha com 3 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze foi considerado o melhor atleta do campeonato, título atribuído ao atleta com melhor prestação no evento. Deixei para o fim aquele que foi considerado por todos o melhor prémio do campeonato e esse prémio foi a presença na equipa de uma menina linda, Ana Catarina Ramos a quem recentemente foi diagnosticado um tumor que felizmente foi superado. Ela esteve a competir ajudando a equipa a superar o desiderato a que se tinha proposto. A tristeza com que recebemos a notícia aquando do diagnóstico da sua doença foi deveras superado pela alegria de a termos connosco.

Quando um pobre e pequeno País como Portugal tem um ascendente tão grande sobre os outros países numa qualquer modalidade resta apenas perguntar, como é possível?
A única razão que me ocorre é a de os outros Países não terem um Costa Pereira, coadjuvado sem sombra de dúvidas por um excelente quadro de profissionais que formam a ANDDI( Associação Nacional de Desporto para deficiência intelectual) e um grupo de técnicos da modalidade que se mostram disponíveis. Digo isto, porque estes resultados só são possíveis devido à dinâmica e capacidade de congregação de esforços em prol de um objectivo, que o técnico nacional Costa Pereira consegue mobilizar. Não encontro outra explicação.

Os atletas que integraram esta selecção estão todos de parabéns, pois foram inexcedíveis nos esforços que lhes foram pedidos.
Uma palavra de apreço à atleta Raquel que na ausência da carismática capitã Graça Fernandes assumiu essa prestigiante função com grande qualidade. Também saliento o trabalho da fisioterapeuta Maria João que ficou responsável por três sectores o de queixinhas, dói dois e lamentos, a câmara de chamada e fotos do evento. Não sei como, mas conseguiu cumprir tudo na íntegra.

Duas notas finais:
Para quem estiver interessado em consultar o impressionante número de títulos e medalhas conquistados pelos atletas da ANDDI ao longo dos tempos é só ir a http://www.anddi.pt/,
dentro do site clicar em ANDDI, e depois em Historial ANDDI.


Muitas vezes fala-se no dinheiro que os treinadores ganham com os atletas e para que não haja equívocos eu vou dizer quanto é que recebo do estado português pelo atleta da deficiência intelectual que eu treino e que tem mínimos B para os jogos paralímpicos. Recebo 12,88 (doze euros e oitenta e oito cêntimos) por mês, passo recibo verde no qual desconto 21 % desta verba. Aqui não anda alguém a aproveitar-se de alguém, anda é gente com um coração bastante grande e com muito gosto pela modalidade (valem as amizades que se fazem, os lugares que conhecemos e o sentimento de sermos úteis).

( infelizmente tentei acertar o texto mas não consegui )

domingo, 16 de outubro de 2011

Portugal campeão em Atletismo - Global Games 2011




















” A minha vida faz-se ao contá-la e a minha memória fixa- se com a escrita; o que não ponho em palavras no papel o tempo apaga-o” Isabel Allende

Breve análise aos campeonatos

Os Global Games de 2011 foram disputados em Itália, mais propriamente na região da Ligúria. Portugal foi novamente campeão do Mundo por equipas em atletismo, tanto no sector masculino como no sector feminino. O atletismo português obteve 8 medalhas de ouro, 5 de prata e 6 de bronze. O título de: “o melhor atleta dos campeonatos” foi atribuído a Gracelino Barbosa, estreante neste tipo de eventos e que foi um verdadeiro papa medalhas, ganhando cinco medalhas de ouro e uma de bronze. “ Nasceu uma estrela”

A nossa selecção de atletismo ficou em Imperia, acomodada numa excelente unidade hoteleira situada no cume de uma montanha. Não fosse o percurso sinuoso, que na sua maior parte só permitia a passagem de um autocarro, um motorista da cruz vermelha Italiana que teimosamente insistia em não acertar com as curvas e poderíamos dizer que tinha sido um local perfeito.

A participação portuguesa excedeu as expectativas, pelo que só resta dar os parabéns a todos os que directa ou indirectamente deram a sua colaboração, mas fundamentalmente ao técnico Nacional Costa Pereira que é o grande obreiro deste resultado. Uma referencia especial aos capitães das equipas , Lenine e Graça pela mística que conseguem transmitir ao Grupo.

Um aparte

Os Global Games são os Jogos olímpicos dos atletas da deficiência intelectual, ou seja dos atletas que têm uma dificuldade e capacidade limitada de aprendizagem. Pessoas a quem no jogo da vida nem sempre a sorte acompanhou e encontram nesta competição um meio onde são valorizados, momentos de grande felicidade e camaradagem. O facto de a comunicação social portuguesa não dar relevância aos nossos êxitos e à importância social destes eventos, não belisca em nada a sua importância. Para os detractores desta área, que muitas vezes colocam em dúvida a elegibilidade dos nossos atletas, informo que vários dos nossos atletas mais uma vez foram submetidos a testes psicotécnicos e físicos para atestar a sua elegibilidade e todos foram elegíveis( aqui não anda alguém a enganar toda a gente)

Uma história bem bonita….

Da nossa delegação fez parte uma amiga Japonesa que vive no Japão e a expensas próprias deslocou-se do seu país até Itália para acompanhar a nossa selecção. (Merece o titulo:" A melhor adepta do mundo do desporto adaptado", e já vão ver o porquê)

Acho até que se o saudoso Fernando Pessa visse isto diria a sua famosa expressão: E esta, hein?

O seu nome é yayoi Iwamoto (pronuncia-se iaiui) e como o nome não é muito fácil de pronunciar, foi baptizada (no grupo) por Maria, e assim facilita a vida a toda a gente. (coisa de portugueses). O técnico nacional Costa Pereira atribui-lhe sempre uma função na equipa, que cumpre religiosamente.

O seu relacionamento com os portugueses do desporto da deficiência intelectual data desde 2002 onde num mundial de futebol realizado no Japão foi voluntária da selecção portuguesa com a função de Guia/ intérprete. Poderemos dizer que foi um amor à primeira vista.

Cativada pelos portugueses, fez questão de conhecer Portugal, onde se deslocou em 2003 para ver o Europeu de futebol em Aveiro. Regressou a Portugal em 2004 ficando a residir cinco meses na cidade do Porto (bastião do desporto da deficiência intelectual em Portugal) e a estudar numa universidade.

Em 2005 foi até à Austrália para acompanhar a equipa portuguesa no atletismo, 2006 acompanha o basket no Japão e volta a Portugal para acompanhar o ténis de mesa em Mirandela. Em 2007 acompanha a selecção nacional portuguesa ao Brasil e no regresso passa por Portugal para continuar a acompanhar-nos num campeonato em Tondela.

Em 2008 acompanha o atletismo portugês a Manchester, 2009 os Global Games na República Checa, 2010 síndrome de dwon no México e 2011 Global Games em Itália... É obra...

Yayoi é uma pessoa discreta, observadora e de uma educação exemplar. Gostei imenso da partilhar alguns momentos de conversa com ela, que eram sempre enriquecedores. Tem uma história de vida lindíssima.
A sua mãe vivia em Hiroshima aquando da explosão da bomba atómica e embora estivesse só a cerca de 2 km do local do rebentamento ainda é viva e pelo que consta de boa saúde.
Antiga professora primária no Japão viveu três anos no Brasil onde aprendeu a falar português e actualmente no Japão traduz documentos para uma área governamental sendo também tradutora num hospital e num reformatório em regime de voluntariado.
Nos seus momentos mais críticos, costuma sonhar com o seu pai que já morreu à muito e tenta seguir na integra os conselhos que lhe transmite.
Budista de uma vertente muito liberal, gosta de ler sobre religiões e tenta utilizar para si o melhor que cada uma lhe transmite.
Muito haveria para escrever sobre yayoi, mas vou acabar com as palavras do nosso técnico nacional Costa Pereira na reunião final “ à Maria um muito obrigado de todos por nos honrar com a sua presença” ao que ela respondeu “ eu é que agradeço, por permitirem estar aqui convosco: Tenho vício de estar com vocês”

Nota: Poderá haver alguns lapsos nas datas, pois surgem de pequenas conversas. A ideia de escrever sobre yayoi é simplesmente fazer-lhe uma pequena e modesta homenagem e uma forma de não esquecer-me de alguns pormenores das nossas conversas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Portugal Campeão da Europa INAS - FID em atletismo



Portugal venceu colectivamente em masculinos e femininos o Campeonato da Europa INAS - FID de Atletismo em Pista coberta que foi realizado em Helsínquia na Finlândia. Tal como em eventos anteriores em que participei vou tecer alguns comentários sobre o evento. Dei uma olhadela nos artigos que publiquei sobre os campeonatos anteriormente realizados, afim de não ser repetitivo. Mas parece-me que tudo o que penso sobre este tipo de eventos já lá está escrito. De qualquer forma vou fazer a minha obrigação, divulgar o evento e a modalidade.

ATLETAS - Eu não treino atletas, eu treino seres humanos, pessoas que têm sentimentos, sentem emoções, seres que por vezes são muito frágeis, física ou mentalmente e que têm todas as necessidades de afecto e carinho que qualquer ser humano tem. Não são de forma alguma somente uns seres portadores de um mecanismo que transforma energia química em energia mecânica, indivíduos acéfalos a quem se exige o máximo de rendimento. Talvez por pensar assim o treino, é que gosto tanto do desporto adaptado.

BRILHANTE – Esta é palavra que me ocorre para definir a prestação dos atletas portugueses nesta competição.

CAMPEÕES – Individualmente Portugal ganhou 30 medalhas, 6 de ouro, 12 de prata e 12 de Bronze. Teve um atleta que foi considerado o melhor atleta do Campeonato por ter ganho 3 medalhas de ouro e 4 de Bronze. Colectivamente Portugal foi campeão da Europa em masculinos e femininos.

DEFICIÊNCIA – Os atletas da deficiência intelectual são indivíduos com dificuldade de aprendizagem. Nada de confundir com os intelectuais deficientes que são uns indivíduos sem escrúpulos que andam por aí a “ lixar” a vida a toda a gente.

EMOÇÃO – Fiquei emocionado quando uma atleta antes de subir ao pódio para receber a medalha de ouro telefonou para a irmã e pediu-me para segurar no telefone para que a irmã que estava numa missão militar num país estrangeiro pudesse ouvir o hino Nacional. Do outro lado da linha podia-se ouvir. Venham, venham ouvir o nosso hino, a minha irmã está a receber a medalha.

FISIOTERAPEUTA – A fisioterapeuta da nossa selecção é quem socorre a todas as queixas e lamentos dos atletas. Tem sempre remédio para tudo, um spry aqui uma pomadinha acolá, uns alongamentos e quando isso não resolve, há sempre uma palavrinha de conforto. Vai longe a menina, lá isso vai

GANHAR- Embora não valorize muito os prémios, pois dou muito mais valor ao trabalho que se fez para lá chegar, acabo sempre por ficar contente com a felicidade dos atletas quando ganham.

JOGOS PARALÍMPICOS- Nesta selecção nacional estiveram presentes 5 atletas que integram o projecto de preparação paralímpica Londres 2012. Espero que todos consigam concretizar o desiderato proposto, pois os jogos paralímpicos são sem sombra de dúvida uma competição ímpar, tanto em beleza como na capacidade de superação do ser humano.

OBJECTIVO – O principal objectivo do desporto adaptado é colaborar na integração das pessoas com deficiência na sociedade, em condições que lhe permitam serem “aceites e respeitadas, proporcionando-lhes oportunidade de se tornarem úteis e produtivas “

SORRISO – Uma das nossas atletas contou-me entre sorrisos alguns momentos dramáticos da sua infância até aos dias de hoje. Sempre que se referia a uma dessas situações menos boas ria-se, mas era um sorriso nervoso. Um sorriso como nunca tinha visto, um sorriso muito triste. Nunca me vou esquecer.

TODAS – Todas as pessoas possuem diferenças, só que essas diferenças não deveriam servir para rotulá-las. Mas eu constato que as pessoas que não se enquadram num determinado “ modelo” estabelecido pela sociedade tendem a sofrer algum tipo de discriminação. A educação da nossa sociedade deveria começar por aqui……

Parabéns a todos aqueles que colaboraram para que este êxito fosse possível.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Desbravar terreno - Desporto adaptado


A selecção Nacional de Atletismo ANDDI- Portugal, participou no 5º Campeonato da Europa de Atletismo INAS – FID, realizado em Varazdin na Croácia. Os resultados desportivos superaram as expectativas.
Além dos diversos títulos individuais, colectivamente Portugal foi campeão da Europa no sector masculino e vice – campeão no sector feminino.
Mais uma vez tive o privilégio de integrar a equipa técnica que acompanhou a nossa selecção. Um Grupo maravilhoso de pessoas que só se encontram esporadicamente, mas que rapidamente criam empatias e reúnem sinergias que permitem os nossos atletas concretizarem os desideratos propostos. Os atletas geriram da melhor forma possível as suas limitações e foram exemplares no seu comportamento.
Como o desporto adaptado não tem grande visibilidade nos órgãos de comunicação social, e tendo em conta a importância da sua divulgação, a mesma deve ser efectuada por todos aqueles que de alguma forma estejam ligados ao sector. Por esta razão vou utilizar o meu humilde blogue para tecer umas breves considerações sobre esta temática.
Começo por citar ( Winnick 1997) numa definição de desporto adaptado “ Experiências desportivas modificadas ou especialmente designadas para suprir as necessidades especiais de indivíduos. O âmbito do desporto adaptado inclui a integração de pessoas portadoras de deficiências com pessoas normais, e lugares nos quais que se incluem apenas pessoas com condições de deficiência”
Com o objectivo de demonstrar a importância desta actividade faço também referência à Constituição Portuguesa, que consagra o direito à cultura física e ao desporto para todos. Este aspecto é reforçado por um artigo da lei de Bases do Desporto que coloca o desporto como factor indispensável na formação da pessoa e no desenvolvimento da sociedade, fazendo também referência ao valor da prática desportiva para os cidadãos portadores de deficiência, tanto no desporto de recreação, como na prática do desporto de alta competição.
O problema é que a constituição, estatutos de Associações, Federações e definições de grandes pensadores nunca colocarão um único indivíduo com deficiência a praticar desporto ou uma outra actividade qualquer. Para que isso aconteça, é necessária a intervenção Humana na prática, fundamentalmente por indivíduos altruístas (no verdadeiro sentido da palavra), que de uma forma abnegada se dediquem à causa.
Fico feliz por Portugal continuar a ser um exemplo no desporto Adaptado, fundamentalmente na área da deficiência mental/ incapacidade intelectual, onde os resultados desportivos têm atingido a excelência. Os atletas portugueses através dos seus êxitos estão a desbravar um caminho onde ainda existem muitos obstáculos, que penso, só poderem ser removidos através de momentos de felicidade como aqueles que vivemos neste campeonato. E eu digo isto, porque sei que a felicidade é contagiante.
Parabéns à ANDDI- Portugal, e a todos aqueles que de alguma forma deram o seu contributo para mais este êxito desportivo. Mas não posso deixar de fazer uma referência especial ao Seleccionador Nacional Costa Pereira o grande dinamizador e ao Atleta Lenine Cunha que pela forma como exprimirem os seus sentimentos, dentro e fora das pistas, são um autêntico espectáculo dentro de um espectáculo.
E como disse na reunião de encerramento “ estes campeonatos sem a presença destas duas personagens, nunca serão a mesma coisa “
Um Pensamento:
” O desporto tem o mérito de dar visibilidade às visibilidades dos indivíduos, e não às suas dificuldades, pois ninguém pratica uma actividade desportiva e recreativa em que não tenha oportunidade de colocar em evidência as suas capacidades”
Aqui vai um link fornecido pela fisioterapeuta Maria João com uma sessão fotografica do atleta Lenine Cunha ( fotos tiradas no 5º Campeonato da Europa na Croácia)
http://www.youtube.com/watch?v=tRvh2M1vU7c

domingo, 16 de maio de 2010

Era assim que eu corria

Esta foto é de 1974, tinha eu 12 ou 13 anos. Eu corria assim, leve, muito leve, sem o peso das ambições, mas com a leveza dos sonhos. Espero que o artigo que vou escrever não tenha outra interpretação que não seja a reflexão sobre uma determinada situação. É claro que a opinião que tenho sobre o assunto em questão é muito mais vasta e complexa, mas vou abordar aquele que eu considero ser o factor mais preponderante.

Quando vejo que o meu nome ainda consta na lista dos recordes regionais de infantis e iniciados, fico algo perplexo. Como é que é possível que em 37 anos, nenhum miúdo tenha batido os meus recordes. Eu corria numa pista de terra, não fazia exercícios técnicos de corrida e não passei por nenhuma das fases pedagógicas que os atletas passam hoje em dia. Além disso, ao longo dos anos as condições melhoraram substancialmente. O material sintético substituiu os pisos de terra, o calçado de competição é específico para cada disciplina, e os conhecimentos técnicos e metodológicos evoluíram imenso. Então o que é que se passa? Eu acho que tudo tem a ver com as brincadeiras. Na minha infância, como não havia televisão, Play station, computador, ruas onde era perigoso brincar, escola a tempo inteiro, quase todas as brincadeiras tinham actividade física. Brincávamos sempre ao ar livre e os brinquedos eram fabricados por nós ou pelos nossos pais. O intervalo entre duas aulas era normalmente aproveitado para jogar futebol (conhecido por trapalhança, pois só chamávamos futebol quando era jogado num campo com dimensões regulamentares) ou outros jogos que de alguma forma requeriam rebustês. Qualquer pedacinho de rua também servia para jogar futebol (trapalhança), se não cabiam lá seis jogadores, jogávamos com quatro ou mesmo só com dois. Por vezes, os jogos duravam horas. Lembro-me muito bem de quando jogávamos à apanhada (chamávamos apilhagem), que para quem não conhece é um jogo de corrida, com vários elementos e um deles é designado para apanhar (na altura era apilhar) os outros. Não havia zona limitada, corríamos a freguesia toda, mas ninguém desistia a até todos serem apanhados. Quem era apanhado também passava a apanhador. O problema era quando alguém resolvia esconder-se em casa, então aí, o jogo durava horas. Hoje em dia, é comum vermos as crianças levarem os livros escolares em malas com umas rodinhas, pois as malas nas costas provocam problemas na coluna. Quando vejo isso, lembro-me de que com a idade deles jogávamos ao jogo do cavalo. Este jogo era composto por duas ou mais equipas que se defrontavam, uns fazendo de cavalo e outros de cavaleiros que se colocavam nas costas dos colegas (cavalos). O objectivo do jogo era derrubar o cavaleiro adversário. Nunca ouvi falar em problemas de coluna. Se calhar não tínhamos, eheheheh. Havia também o jogo da corda, em que era colocado um elemento em cada lado da corda, era traçado uma linha no chão entre os dois elementos, cada um fazia força para o seu lado e aquele que tocasse na linha perdia. Este jogo era jogado individualmente ou por equipas. Quando não havia nenhum pedaço de corda velha, fazíamos o jogo com um pau, um trapo enrolado ou até sem nenhum objecto, segurando simplesmente as mãos. Um jogo também muito popular era o jogo do avião. Desenhávamos no chão (normalmente com um pedaço de telha) uns quadrados grandes, em forma de um avião, depois tínhamos que saltar a uma perna e com uma determinada sequência todos esses quadrados. Não é meu objectivo descrever a grande quantidade de jogos tradicionais que fazíamos na minha infância, que ainda teriam de ser somados à subida de árvores, lutas de rua e as sovas dos nossos pais. Eu simplesmente acho que embora de forma empírica, nessa época tínhamos uma actividade física em todos os aspectos mais completa, da que se faz hoje em dia, nas escolas e clubes. Sem qualquer tipo de orientação, treinávamos a coordenação, velocidade, força, resistência, flexibilidade e destreza. Acho inclusivamente, que muitos desses jogos deveriam ser recuperados e utilizados como meios de formação tanto nas escolas como nos clubes. Para uma nova situação há que criar um novo paradigma. Se não criarmos programas adaptados à nova realidade os desideratos propostos não serão atingidos. Para quem está dentro do atletismo estas são as minhas marcas que ainda são recordes: Infantil 11/ 12 anos 35” 00 nos 250 metros. Iniciado 13/ 15 anos 9.3 nos 80 metros ( 9.1 em campeonatos escolares) e 37” 6 nos 300 metros. Como podemos verificar e embora tenham sido feitas numa pista de terra, não são grande coisa. O problema é, porque não se faz melhor hoje em dia?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Portugal foi campeão do Mundo em atletismo


Portugal foi campeão do Mundo de atletismo em Pista Coberta. Saiu vencedor nos sectores Feminino e Masculino, numa competição para atletas portadores de deficiência intelectual. Este campeonato designado por ” Indoor World Championships “ ou “ 6º Campeonato do Mundo de Pista Coberta INAS-FID” foi realizado em Bollnäs na Suécia. Terei de começar por dizer que tive o privilégio de pertencer à equipa técnica que acompanhou os nossos atletas na obtenção destes resultados de excelência. É de facto mais um grande feito de um País, que embora pequeno, sempre foi habituado a grandes êxitos. Portugal conquistou 15 medalhas, 5 de ouro, 5 de prata e 5 de bronze.
Findo o Campeonato, é tempo de reflexão! Vou aproveitar o blogue para tecer alguns comentários, com o objectivo de contribuir para uma melhor imagem da deficiência intelectual. Começo por elogiar a Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual (ANNDI), e toda a sua direcção, pelo excelente trabalho desenvolvido nesta área (aconselho vivamente a consulta ao seu site http://www.anddi.pt/).
Mas vou fazer umas referências especiais: Eng.º Costa Pereira que com a sua capacidade de mobilização, experiencia como técnico e dirigente é sem sombra de dúvidas o grande responsável pelos êxitos obtidos no atletismo.
Quando uma equipa é campeã do Mundo, todos tiveram que ter um contributo positivo, mas não posso deixar de referir as prestação de Inês Fernandes no lançamento do peso, Pedro Isidro na Marcha, Lenine cunha no triplo salto e pentatlo, medalhas de ouro em provas individuais, com marcas de bom nível.
Mas na deficiência intelectual, nem tudo são medalhas de ouro, como poderemos constatar no restante deste texto. Muita gente perguntará, o que é um atleta portador de deficiência intelectual? Um portador de deficiência intelectual tem, como qualquer outra pessoa, dificuldades em algumas situações, mas também tem potencialidades. Por isso, é importante reforçar e propiciar o desenvolvimento dessas potencialidades e facultar o apoio necessário de forma a minimizar as dificuldades.
A falta de informação, que leva algumas pessoas a confundir deficiência intelectual com a doença mental, e alguns preconceitos sociais, são provavelmente os dois factores que mais contribuem para o isolamento (infelicidade), de muitos portadores desta deficiência.
Nas deficiências, motora, paralisia cerebral, invisual ou síndrome de down, onde a deficiência é visível, normalmente existe maior receptividade por parte dos familiares, para autorizarem a prática desportiva aos portadores da deficiência. Não obstante, ainda existem muitas famílias que tentam manter estes indivíduos escondidos.
No caso da deficiência intelectual, onde normalmente não existem factores físicos visíveis da deficiência e que muitas vezes só são detectados através do insucesso escolar, ou em testes psicotécnicos, a situação muda de figura. Os pais não gostam de ver os filhos conotados com esta deficiência, porque pode ter repercussões negativas nas suas vidas.
Embora não seja habitual os pais levantarem objecções quando a nível escolar é proposto a integração dos filhos em turmas especiais, possibilitando assim, a formação escolar mínima, já em relação à prática desportiva a receptividade não é a mesma. A exposição dos resultados desportivos através dos órgãos de comunicação social, a visibilidade das competições, difere em muito dos resultados escolares que são entregues ao encarregado de educação de forma sigilosa, e das aulas, ministradas numa sala igual a tantas outras, integradas numa escola normal, que não deixa transparecer qualquer tipo de deficiência do filho.
Mas os pais que procedem desta forma( embora seja compreensível) estão enganados, pois uma prática desportiva adaptada, tem uma função importante a vários níveis: É uma forma destes indivíduos, demonstrarem a si próprio e à sociedade as suas capacidades. Muitas vezes, quando integrados em competições com os “ ditos normais” acabam por superar grande parte destes.
A prática desportiva também contribui de forma decisiva para uma melhor imagem física. Vários estudiosos desta área, referem benefícios provenientes da prática desportiva como: o domínio do gesto que conduz a um aumento de autoconfiança, redução da ansiedade e melhoria da comunicação. Também contribui de forma significativa para o desenvolvimento da autonomia e da reintegração social.
Enfim, um sem numero de benefícios que a prática desportiva pode dar. Os pais ao afastarem o filho, daqueles que partilham as mesmas dificuldades, pensam que estão a colocar a sua “árvore” ao meio de uma floresta. Eu penso que estão enganados, essa “árvore” cada vez fica mais isolada. Porque uma Palmeira ao meio de mil Carvalhos será sempre uma palmeira isolada e alvo de atenção, mas uma Palmeira ao meio de mil Palmeiras, será uma igual a tantas outras.

terça-feira, 23 de março de 2010

Método da estimação de uma repetição máxima

Uma das perguntas mais frequentes que me fazem é: Faz testes de uma repetição máxima para cálculos de percentagens no treino de força? Eu digo logo que não faço. Escolho o numero de repetições para o atleta fazer e coloco um determinado peso, se estiver muito leve para o que eu pretendo, coloco mais peso, se estiver muito pesado, tiro algum peso. Com duas ou três semanas de treino já sei as cargas com que os atletas devem treinar e assim evito os problemas (lesões) que a maior parte dos sistemas de avaliação de uma repetição máxima podem trazer.
Mas já fiz experiências com vários métodos, para saber a carga máxima que um atleta pode levantar. Dos métodos que conheço o melhor é o " Método de estimação de 1 RM" que também deve ser conhecido por um outro nome qualquer. Este Método é bastante fiável, pois fiz várias vezes a experiência comigo mesmo.É um método que utiliza um factor de conversão.
Para cada repetição que o atleta consiga efectuar existe um determinado numero(factor de conversão) que é multiplicado pelo peso que o atleta levantou. Por exemplo: um atleta vai fazer supino com 50 kg e faz sete repetições. O factor de conversão para sete repetições é 1.23, logo multiplicamos os 50 kg por 1.23 que é igual a 61,5 Kg. A repetição máxima deste atleta é de 61,5 Kg , com uma margem de erro muito pequena. De seguida vou colocar o numero de repetições e o respectivo factor de conversão. (1=1.00) (2=1.07) (3=1.10) (4=1.13) (5=1.16)(6=1.20)(7=1.23)(8=1.27)(9=1.32)(10=1.36)
Recapitulando: colocamos uma carga para o atleta efectuar o exercício, depois contamos quantas repetições o atleta fez. Vamos à tabela e verificamos esse numero de repetições a que factor de conversão pertence.Depois é multiplicar o factor de conversão pela carga que o atleta levantou. Outro exemplo: Agachamento 9 repetições com 200 KG, multiplicamos 200 x 1.32 que é igual 264 KG. Assim, sem colocarmos o atleta em risco, sabemos a carga máxima do atleta e a partir deste dado efectuar as respectivas percentagens para o treino.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Algumas curiosidades sobre os 400 metros com barreiras


Actualmente a prova dos 400 metros com barreiras na categoria de seniores é constituída por 10 barreiras, sendo que, a distância da partida à primeira barreira é de 45 metros, entre as restantes barreiras 35 metros, da última barreira até à meta é de 40 metros. A altura das barreiras é 0,914 metros para os homens e 0, 76 metros para as mulheres. Os três melhores atletas mundiais masculinos normalmente correm entre os 47 e 48 segundos, e as três melhores femininas entre os 52 muitos, e os 53 segundos. O actual recorde do mundo masculino pertence a Kevin Young dos EUA com 46,78 segundos e o feminino a Yuliya Pechonkina da Rússia com 52,34 segundos. Os melhores atletas portugueses de sempre nesta disciplina são; no sector masculino, Pedro Rodrigues e o Carlos Silva ambos com 48,77 segundos e no sector feminino, Maria do Carmo com 56,25 segundo e Patrícia Lopes com 57,05. O grande responsável pelo progresso desta disciplina em Portugal foi José Carvalho, que como atleta foi 5º classificado na final dos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976 e mais tarde como treinador desenvolveu um método de treino com excelentes resultados. Foi o treinador de Carlos silva, Pedro Rodrigues, Maria do Carmo, entre outros de enorme valia. Esta prova a nível internacional tem algumas curiosidades, como por exemplo, a de ser a prova que um atleta negro, pela primeira vez ganhou uma medalha olímpica. O seu nome é George Poage e em 1904 foi medalha de bronze. Também foi nesta prova que aconteceu a primeira campeã olímpica africana, a marroquina Nawal el Moutawakel no ano de 1984 em Los Angeles. Através deste êxito a atleta junta-se a uma organização recentemente formada contra a segregação e discriminação das mulheres no desporto “ todo o atleta homem ou mulher encontra a recompensa no êxito do seu esforço e no olhar que o mundo inteiro lhe dedica” . Mas como é que isto tudo começou? Segundo reza a história este género de prova aparece nas Ilhas britânicas e nos Estados Unidos na distância de 300 Jardas (274 metros) com 10 barreiras e 440 jardas com 10, 12, 15 e até 20 barreiras, que normalmente tinham a altura de 76,4 cm. Fala-se também de uma corrida de 440 jardas com 15 obstáculos de altura desconhecida, em 1857, na Universidade de Dublin. A prova com distâncias métricas tem a sua origem na Europa. Segundo parece a prova dos 400 metros barreiras disputava-se na Hungria em 1870 e em França desde 1888. Segundo o historiador Hoke, no campeonato nacional de 1893 em Paris, a corrida realiza-se com 10 barreiras separadas entre si com 35 metros, com a primeira a 45 metros da partida. Hoke não cita a altura do obstáculo. A nível de campeonatos nacionais começou a aparecer na Bélgica 1912,Itália 1913, Suécia, GB e EUA 1914. a prova aparece na segunda Olimpíada em Paris 1900 com as distâncias métricas referidas anteriormente e com a barreira à altura de 3 pés ( 91,4 cm) por influencia dos ingleses. Na terceira Olimpíada em ST Luís 1904, as barreiras tinham a altura de 2,5 pés (76,2 cm), habitualmente utilizados nos EUA. Isto explica que o vencedor, o americano Hillman, tenha feito um formidável tempo para a época de 53 segundos. Distância entre barreiras 40 jardas (36,57 metros) Na quarta Olimpíada Londres 1908, volta a utilizar-se a barreira com 91,4 cm de altura e torna-se então oficial. Alguns autores crêem que foi apenas em Londres que se utilizaram pela primeira vez as distâncias métricas entre barreiras. No sector feminino esta prova começa a disputar-se no continente Europeu no início da década de 70, mas só é oficializada pela AEA em 1977 (Taça da Europa) e 1978 (CE de Praga). A IAAF é ainda mais cautelosa a nível mundial. Em 1971 permite a homologação do recorde do mundo como prova oficial (o 1º,56,51 segundos da polaca Kacperczyk a 3-07-74), mas foi necessário esperar por 1984 em Los Angeles, para a sua incorporação Olímpica. Além da preocupação técnica da passagem da barreira o factor onde houve uma maior preocupação foi no número de passadas entre barreiras. Já em 1934 Glenn Hardin recordista mundial com 50.6 e campeão Olímpico em 1936, é o primeiro atleta a dar 15 passadas entre barreiras sendo isto aceite pelos outros atletas como norma a partir de então. O soviético Sadorski é o primeiro treinador, no início dos anos 50 que utiliza com os seus atletas o ritmo de 13 passadas. Em 1953, Lituyev, vice campeão olímpico em Helsínquia estabelece um recorde mundial com 50.04, passando do 2º à 8 barreira com 13 passadas e em 15 passadas as últimas duas. Em 1956 Glenn Davis, campeão olímpico em Melbourne, estabelece um novo recorde com 49,5 correndo até à 7ª barreira com 13 passadas, e depois 15.Dois anos mais tarde coloca o recorde do mundo em 49,2, fazendo 15 passadas entre todas a s barreiras. Foi também o primeiro a utilizar intencionalmente a perna esquerda no ataque à barreira para tirar vantagem da corrida em curva. Em 1972 Akii-Bua vencedor em Munique com 47.82 recorde mundial fez na final, 13 passadas até à 5ª,barreira 14 passadas até à 9ª barreira e 15 passadas até à 10ª barreira Em 1976. Edwin Moses, vencedor em Montreal com 47.64 recorde mundial, correu todas as barreiras com 13 passadas. Nos femininos a técnica de transposição da barreira é muito semelhante à masculina, normalmente fazem 22 a 23 passadas da partida à primeira barreira e um ritmo entre barreira de 15 a 16 passadas, isto a nível da elite. A ideia deste artigo continua a ser a de ajudar alunos a quem lhes é pedido para escreverem sobre a história de uma prova do atletismo. Não menciono bibliografia, porque a minha ideia é ajudar e não fazer o trabalho, mas penso que deixo muitos dados para poderem pesquisar. Para terminar um agradecimento a mim que facultei os documentos a mim mesmo para escrever este artigo. eheheheh

sábado, 21 de novembro de 2009

Brincar aos treinadores




Mais uma brincadeira para os treinadores que estão iniciando-se na modalidade.

Vou mencionar alguns dados que eu acho importantes para a elaboração de um plano de treino para corredores de 100 metros. O raciocínio que vou seguir pode ser aplicado a qualquer outra prova.

A primeira coisa que vou fazer é analisar (pensar) a prova, identificando as fases que a compõem. Existem muitas formas de analisar a prova, alguns autores como Seagreve , apresentam seis fases para definir a prova. Saunders (2005) divide em cinco fases: Fase da reacção, Fase da saída dos blocos, Fase aceleração até à velocidade máxima, Fase de manutenção da velocidade horizontal, Fase da desaceleração. Tellez-1988; Movarec -1988; Bruggeman y Glad – 1990, Van Coppenolle et al. – 1990 Dellecluse et al.-1995 propõem quatro fases: Fase da entrada em acção, Fase de aceleração, Fase de velocidade máxima e Fase da resistência à máxima velocidade. Da bibliografia que consultei retirei de cada uma o que achei mais correcto e estruturei a prova em cinco fases. Sabendo que as fases diferem umas das outras nos seus mais variados parâmetros, vou identificar cada fase descrevendo a sua acção principal: Fase da partida – Habilidades motoras que produzem a força para o atleta vencer a inércia e começar a aceleração é composta pela saída dos blocos e as duas primeiras passadas. Fase da Aceleração positiva – Esta fase caracteriza-se por um ângulo da tíbia com o solo pequeno e um aumento progressivo da amplitude da passada durante 8 a 10 passadas. Fase de transição - São os últimas 7 ou 8 passadas da fase de aceleração , a técnica da corrida já é diferenciada da fase inicial, aumentado o ângulo da tíbia com o solo, e a velocidade continua a aumentar. Fase de velocidade máxima - Equilíbrio óptimo entre a frequência e a amplitude, dura mais ou menos 20 metros. Fase de desaceleração – Perda gradual de velocidade devido à fadiga. Diminui a frequência da passada e aumenta a amplitude. Uma vez identificadas as fases e descritas as suas principais acções, interessa saber a importância que cada uma delas pode ter no resultado final da prova. (Segundo Tellez, 1988) o tempo de reacção influí em 1%, saída dos blocos 5%, aceleração 64%, velocidade máxima 18% e a desaceleração (velocidade resistência) 12% . Também é importante saber a participação dos diferentes processos energéticos na prova dos 100 metros. (segundo, Zaciorski) o sistema aláctico 81%, o sistema láctico 15% e o aeróbio 4%. Embora existam muitos mais factores importantes para a elaboração de um plano de treino, com estes pequenos dados já dá para sabermos, com que distâncias devemos treinar cada fase e que importância devemos dar a cada uma na planificação. A nível metabólico, também ficamos a saber quando tempo devemos dedicar a cada sistema energético. Vou dar um exemplo da forma de trabalhar estes dados: Se vou treinar a fase de aceleração positiva, coloco de 8 a 10 marcas no chão, começando com a primeira marca a uma distância de três pés e meio da linha de partida e vou aumentando meio pé em cada marca até 8 pés , ficando 3,5 - 4 - 4,5 - 5 etc Em relação a todos os outros dados é só uma questão de criatividade.

domingo, 1 de novembro de 2009

História do atletismo em Portugal - Uma pequena ajuda


Aos alunos da area de desporto muitas vezes é pedido um trabalho sobre a história do atletismo em Portugal. Ao colocar este artigo , apenas quero ajudar com mais alguns dados sobre um tema onde infelizmente não abundam muitos elementos.
Dados retirados do 1º volume de “ Atletismo em Portugal 1910 – 1972” um livro publicado pelos elementos da Comissão Nacional de estatística: António Mina, Arons de carvalho, Vítor Gomes da Silva e com a contribuição das obras do Dr. Salazar Carreira o maior ”historiador” do atletismo nacional a as preciosas ajudas dos senhores Leonel Catarino, Pereira Duarte, Nelson Antunes e Cap. Santos Roldão.

1910 foi o ano dos 1º jogos olímpicos nacionais que se consideram ter sido os primeiros campeonatos de Portugal de atletismo.
1921 foi o ano da criação da federação portuguesa de atletismo
Data de 13 de Maio de 1904 o primeiro concurso de atletismo em pista de que encontrámos vestígios pelas nossas pesquisas; foi organizador o Lisbon Cricket Club, no seu campo da Cruz Quebrada, e nele participaram exclusivamente súbditos britânicos.
No ano seguinte ( 10 de Junho de 1905) o Campo Grande Futebol Clube, antepassado directo do actual Sporting, promoveu no seu campo da Alameda das Linhas de Torres, 27, uma festa reservada a convidados ( só assim se compreende que no intervalo fosse servido aos assistentes – numerosos e selectíssimos, segundo rezam os prelos da época – um “finíssimo lunch…) A festa foi dividida em duas partes, sendo a primeira preenchida com provas de atletismo e a segunda com provas hípicas.
Sabemos que já em Março precedente o clube de José Alvalade organizara outro festival semelhante, mas não conseguimos encontrar referências ao seu programa ou resultados
Os vencedores do certame atlético de Junho foram: corrida de velocidade Carlos Lamarão; corrida de resistência, José Manuel Barahona; e corrida de 100 metros com obstáculos , saltos em altura e comprimento, Fernando Pinto Basto. A única marca de que se encontrou referência foi a do salto em altura cujo vencedor transpôs 1,60 metros.
A prática do atletismo animou em 1906 ano em que o Clube Internacional de Futebol promoveu o primeiro torneio inter – clubes no seu terreno em Alcântara e no dia 11 de Novembro as agremiações convidadas receberam junto com o programa um regulamento técnico explicativo das condições em que cada prova seria disputada, documento muito curioso e ao qual teremos ocasião de fazer referencia.
Tomaram parte neste concurso representantes do internacional, Lisbon Cricket, Clube Naval Madeirense, Carcavelos Clube e Grupo de Futebol Cruz Negra.
Eis os nomes dos vencedores: corridas de 100 e 110 barreiras , Fernando Pinto Basto (C.I.F.) salto em altura C. Barley ( L.C.C..) com 1,52 met, lançamento de peso 5,5 kg Eduardo Pinto Basto(C.I.F.) com 9,80 met salto e comprimento C. Barley com 5,44 metros, corrida de 2500 metros Cooper (C.C..) luta de tracção, Clube Naval Madeirense.
Em Dezembro do mesmo ano o infante D. Afonso tomou a iniciativa de organizar no campo do velódromo de Palhavã outro concurso atlético cuja receita se destina a fins de beneficência. A concorrência foi numerosa e inscreveram-se, além dos clubes já citados, o Clube Naval de Lisboa, Velo clube, Real Ginásio, Sport Lisboa e Ateneu Comercial.
Todos os vencedores foram ingleses excepto o “ acelista” Francisco Cordeiro, que conseguiu ganhar a prova do salto com vara com 2,50 metros.
Em 7 de Junho de 1907 repetiu-se o festival, com idênticos objectivos sendo três as competições favoráveis aos portugueses: o lançamento do peso regulamentar, ganho pelo Hércules Manuel da Silveira, com modestíssimos 9,08 met, O lançamento do disco em que José Prego atingiu 24,80 metros
E prego atingiu 24,80 met e a corrida dos 100 metros que Fernando Pinto Basto venceu, creditado no tempo excelente e pouco crível de 11 segundos.
Volvidos mais alguns anos durante os quais coube aos estudantes o maior tributo da actividade para o atletismo vamos encontrar em 25 de Junho de 1910 o primeiro torneio oficial incluído no programa dos 1º Jogos Olímpicos Nacionais, oficialmente fiscalizados e organizados pela Sociedade Promotora de Educação Física Nacional, e cujos resultados oficialmente fiscalizados, portanto, considerados ponto de partida para a evolução dos recordes nacionais. ( in Salazar Carreira “ evolução dos recordes nacionais
A federação portuguesa de atletismo foi fundada em 5.11.1921 teve a sua primeira sede no largo trindade coelho, 22 – 2º em Lisboa, e foram seus sócios fundadores as associações de Lisboa e do Porto.
Teve vida efémera até 1925 ano em que realizou os primeiros campeonatos nacionais ( que tiveram a participação de 21 clubes e 243 atletas) porém, só em 25 .5 1929 é que viu oficializada a sua existência por alvará passado pelo governo civil de Lisboa.
Em 1922 realizaram-se os primeiros campeonatos regionais ( sul- norte)
Em 26 – 1 – 1923 realizou o primeiro congresso formal
Celebrou o primeiro encontro internacional em Madrid 1º Espanha – Portugal em 1925, sendo chefe da equipa nacional o Sr. Gentil dos Santos.
Em 1925 tiveram inicio os campeonatos de juniores – a nível regional - promovidos pelo Sporting Club de Portugal
Em 1926 filiou-se na federação internacional tendo feito representar-se no congresso da F.I.A.A. em Amesterdão pelo Sr. D. José do Carmo da Câmara, encarregado dos Negócios de Portugal na Holanda
Em 1927 passou a reger-se pelas leis da F.I.A.A.
Neste mesmo ano (1927) é criado o licenciamento oficial dos atletas, os quais requeriam autorização para praticar a modalidade, juntando uma certidão médica comprovativa das aptidões físicas. Esta licença era, tal como hoje, válida por um ano e o clube pelo qual se inscreviam era o seu até 31de Dezembro
No inicio da sua actividade em Portugal, os atletas eram divididos em juniores e seniores de acordo com as classificações obtidas nas provas realizadas e não por escalões etários.
Uma curiosidade: em 1912 não foi permitida a inscrição do atleta serafim Martins na prova da maratona por ser considerado profissional uma vez que, como peixeiro, fazia diariamente o percurso Costa da Caparica - Trafaria e regresso!...
Até 1913 consideram-se como campeonatos nacionais, os jogos olímpicos Nacionais em 1914 e 1915 passaram a ser os jogos desportivos nacionais
Os campeonatos nacionais passaram a ter classificação colectiva apenas a partir de 1944
Nota: Este livro foi-me facultado pelo amigo João Silva, que é quem mais sabe sobre a história do atletismo na Madeira.

domingo, 11 de outubro de 2009

Uma simples passada

Resolvi descrever os pormenores técnicos de uma passada de corrida. Só que não tinha a ideia que um movimento tão simples e tão natural, fosse tão complicado de descrever. Não consegui o que pretendia, faltam muitos pormenores , como o movimentos dos braços e tronco nas diversas fazes etc etc. De qualquer forma vou colocar o que está feito e tentar ir melhorando o artigo aos poucos.
Analise técnica de uma passada de corrida na fase de velocidade máxima: A passada é normalmente caracterizada por duas fases, uma fase de apoio e uma fase de suspensão. Um dos indicadores utilizados para avaliar o nível técnico de um velocista é durante uma passada analisar a relação existente entre o tempo despendido na fase de apoio e o tempo em que o atleta está na fase de suspensão. Para que a técnica seja adequada, tomamos como referencia 40% do tempo para a fase de apoio e 60% para a fase de suspensão. A fase de apoio tem uma duração que varia entre 80 e 120 milisegundos e nesse curto espaço de tempo, acontecem três acções: apoio à frente (ligeira desaceleração), sustentação e impulsão. A fase de suspensão tem uma duração de cerca de 113 milisegundos. Durante a passada o atleta deve manter o seu centro de gravidade num deslocamento rectilíneo na direcção Antero - posterior minimizando os deslocamentos noutras direcções. Para que exista uma boa técnica é importante o correcto posicionamento dos segmentos articulares do pé, tornozelo, joelho, bacia, tronco, braços e cabeça, no sentido de garantir uma maior rapidez, economia de energia e rendimento óptimo. Passo à descrição da técnica circular, que é a utilizada nas corridas de velocidade lançada:
Fase de apoio : (apoio à frente/ sustentação/ impulsão)
Apoio à frente – Teoricamente o ideal será o pé contactar o chão por baixo do centro de gravidade, na vertical do joelho a fim de evitar a acção de travagem, que sucede quando se efectua o apoio á frente do centro de gravidade. Mas na prática um apoio eficaz situa-se entre 30 a 40 cm à frente da projecção do centro de gravidade e com um ângulo da articulação do joelho que não deve exceder os 165º.Se o apoio realizar-se à frente ou atrás desse ponto diminui a eficácia de perna de impulsão, pois um contacto à frente do ponto óptimo dá origem a uma travagem excessiva, mas se for por detrás reduz o efeito propulsor, impedindo uma impulsão de melhor qualidade. O pé deve efectuar o seu contacto com o chão no seu terço anterior, em flexão dorsal e executar um movimento rápido de cima para baixo e da frente para trás.
Sustentação - Durante o apoio o atleta tenta sustentar o impacto efectuado contra o chão evitando uma flexão muito acentuada nas articulações do tornozelo, joelho e anca. A flexão dessas articulações deve ser só o sufeciente para que os seus músculos se contraiam excentricamente, acumulando energia elástica potencial, a ser utilizada na fase de impulsão.(no momento de flexão máxima, o centro de gravidade não deve baixar mais do que 5 cm)O atleta deve facilitar o avanço do centro de gravidade a uma posição óptima para receber o impulso. Esta fase caracteriza-se pela aproximação dos segmentos; O centro de gravidade está mais baixo devido à flexão do joelho da perna de apoio fica com um ângulo aproximado dos 140º, e está alinhado com pé, enquanto o calcanhar da perna livre está muito alto, quase junto à nádega. O calcanhar da perna de apoio chega a roçar o chão. A bacia encontra-se em retroversão afim de evitar o balanço atrás excessivo e facilitar o movimento de circular da perna livre,
Impulsão - Agora que o centro de gravidade ( a bacia) já se encontra á frente do apoio é o momento óptimo para efectuar-se a impulsão. O corpo encontra-se ligeiramente inclinado à frente formando um ângulo com o chão entre os 75º e 85º.O impulso efectua-se como consequência da tripla extensão das articulações do pé , joelho e bacia, provocada por uma potente contração dos músculos extensores da coxo-femoral ( glúteo maior, semitendinoso, semimembranoso e bíceps crural), do joelho ( recto anterior, vasto lateral,intemédio,medial e sartório) e do tornozelo ( gastrocnêmios lateral e medial , solear)No instante da impulsão o ângulo do joelho varia entre os 168º e os 172º. Coincidindo com a extensão da perna de impulso, o joelho da perna livre faz um movimento para a frente para cima e para a frente.
Fase aérea ou de suspensão:
Como consequência do impulso acontece a fase de suspensão. Esta fase depende de vários factores como: do ângulo em que o atleta sai da fase de impulsão, da força dos músculos que intervêm no impulso, da inércia que o atleta tenha nessa fase da corrida, da acção de balanço da perna livre e do movimento dos braços. Dado a que a velocidade decresce neste momento, procura-se que a elevação do centro de gravidade em relação ao chão não seja excessiva, incidindo mais na componente horizontal. Neste momento a perna que vai à frente tem o joelho alto e efectua um movimento forte para a frente ajudando na impulsão e dando espaço à perna que fez a impulsão fazer uma recuperação com rapidez . ( no que eu me fui meter eheheheh)

domingo, 4 de outubro de 2009

Abdominais - um pequeno alerta ...




Vou escrever sobre o exercício mais básico para os músculos abdominais. É um exercício que quase toda a gente já fez. Vou descrever o exercício da forma como normalmente é feito: deitado com as costas no chão (decúbito dorsal) pernas flexionadas e sola dos pés assentos no chão. Muitas vezes os pés são fixados num espaldar ou por algum colega. O atleta faz uma flexão abdominal tocando com o peito nas pernas (por vezes este exercício é cronometrado durante 1 minuto, para saber quantas repetições é capaz de fazer e assim avaliar a sua condição física abdominal). Frequentemente sou questionado pelos meus atletas, sobre a forma mais correcta da execução deste exercício, pelo que vou tentar transmitir o que eu sei, sobre o mesmo. É claro que não vou abordar as origens e inserções dos músculos nem todas as suas funções, tentarei ser o mais sucinto possível. Os músculos da parede Antero-lateral do abdómen, vulgarmente chamados de abdominais são o Grande Recto, (principal flexor do tronco) Grande Oblíquo, Pequeno Oblíquo (funções de rotação, inclinação lateral e estabilidade durante o exercício abdominal) e transverso (preferencialmente estabilizador da coluna lombar). Estes músculos em relação ao movimento têm como principal função flexionar o tronco. Sendo assim, a base de qualquer exercício abdominal deve ser o acto de flexionar o tronco. Simples? Claro que sim. Mas a forma como é executado o exercício pode acarretar alguns problemas. Vou mencionar os principais erros cometidos neste exercício e as respectivas correcções. 1º Erro: Colocar as mãos por detrás da cabeça, forçando os músculos do pescoço (esternocleidomastoideu e escalenos) podendo provocar lesões na cervical. Correcção: As mãos devem estar encostadas lateralmente na cabeça sem fazer força, mas também podem ficar cruzadas junto ao peito ou estendidas junto ao chão ou entre as pernas.2º Erro: Tentar tocar com o peito ou os cotovelos nas pernas. Correcção: O tronco não deve subir mais do que 45º pois a partir desse ponto o movimento passa a ser realizado pelos flexores da bacia (psoas ilíaco), a zona lombar deixa de estar em contacto com o chão e o risco de lesão da coluna lombar aumenta. Além do mais o que se pretende com o trabalho abdominal é o encurtamento destes músculos, pelo que os mesmos devem ser trabalhados com movimentos de pouca amplitude 3º Erro: Trabalhar com velocidades de execução muito rápidas e balanços. Correcção: O movimento deve ser lento e controlado e com os abdominais sempre em contracção, na fase excêntrica do movimento (descida) os ombros não devem tocar no chão.4º Erro: Bloquear a respiração. Correcção: Os músculos abdominais são músculos expiratórios (participam na expiração forçada) por isso devemos inspirar no inicio do exercício e expirarmos tanto na fase concêntrica como na fase excêntrica, assim contribuímos para reforçar a sua contracção.5º Erro: Variantes com pernas esticadas. Todos os exercícios abdominais, executados em decúbito dorsal longo ( pernas esticadas) são maus. Neste tipo de exercícios o músculo psoas que é um flexor da bacia, passa a exercer uma função contrária, deixando de ser flexor da bacia para funcionar como hiperextensor da coluna lombar, este movimento é conhecido como “ paradoxo do psoas”.Ou seja, puxa a bacia para trás provocando uma anteversão da mesma e tem como consequência um aumento da lordose lombar. A minha sugestão para a execução deste exercício é: Em decúbito dorsal, membros inferiores em flexão, joelhos a 90º, mãos colocadas lateralmente na cabeça, efectuar os movimentos de forma a que a zona lombar fique sempre apoiada no chão e a bacia em retroversão. Na fase concêntrica elevar só a zona cervical e na fase excêntrica não tocar com os ombros no chão. Fazer sempre a inspiração no inicio do movimento e a expiração durante a execução do mesmo. PS agradeço sugestões para melhorar este artigo

sábado, 29 de agosto de 2009

Histórias dos 100 metros


Desde a antiguidade o homem questiona-se sobre a sua capacidade de progredir em relação ao tempo. Por isso, a prova dos 100 metros é a que expressa melhor essa capacidade. Vem da alma. O avanço do homem foi companheiro do avanço das máquinas, e dos instrumentos com capacidade de medir os pormenores dos atletas mais rápidos do mundo. Primeiro foram os segundos, depois passou-se ás décimas, agora são as centésimas, havendo o recurso ás milésimas em caso de empate. Era engraçado saber até onde chegará o homem na sua luta contra o tempo. Os recordes medidos manualmente evoluíram décima a décima até a marca dos 10 segundos. O primeiro que conseguiu essa marca foi o Alemão Harmin Hary em 1960.Provavelmente o seu registo pessoal se fosse medido electronicamente devia situar-se pelos 10.25 segundos. Nessa altura os juízes não se atreviam a validar uma marca abaixo dos 10 segundos. Vários atletas registaram esse tempo, o canadense Harry Jerome o cubano Figuerola e o norte americano Bob Hayes, entre outros. Mas de todos o mais impressionante foi Hayes .Uma medição electrónica posterior aos jogos de Tóquio 1964, evidenciou um sensacional tempo de 10.04 segundos. Essa marca teve um mérito extraordinário, pois Hayes correu numa pista de cinza e no corredor nº 1, que estava extremamente maltratado devido a ter-se realizado antes a final dos 10000 metros. Nos trials dos Estados Unidos em 1968 que se realizaram no lago Tahoe ( Nevada) a mais de 1500 metros de altitude, Jim Hines, Charlie Greene e Ronnie Ray, correram a prova em 9,9 segundos, com cronometragem manual. O primeiro homem que baixou os 10 segundos oficialmente foi Hines, vencedor dos Jogos Olímpicos do México em 1968, com o tempo de 9.95 segundos. Este recorde durou até 1983, quando Calvin Smith fez o tempo de 9.93 segundos. Até hoje só houve um caso parecido ao de Bolt , que baixou 11 centésimas de segundo o recorde mundial.( 9.96 – 9.58) Foi Ben Johnson que bateu o recorde de Calvin Smith no mundial de Roma. Venceu com 9.83 segundos. Dez centésimas de segundo melhor que o anterior recorde. Foi uma marca que deixou estupefactos os adeptos do atletismo. Um ano depois em Seul 1988, Johnson colocou o recorde em 9.79 segundos. A segunda melhor marca era de Carl Lewis que foi segundo na final com 9.92 segundos. Oxalá não se repita a história, Johnson de positivo no controle anti doping e o seu recorde tanto em Seul como em Roma, onde não houve indícios de doping, foram anulados. Estabeleceu-se como recorde a marca de Lewis 9.92 segundos. A partir dai a evolução do recorde foi lenta. Leroy Burrel 9.90 segundos e Lewis recuperou o recorde nos mundiais de Tóquio 1991, com 9.86 segundos. Cinco anos depois o canadense Donavan Baley de origem jamaicana como Bem Johnson, surpreendeu o mundo com a marca de 9.84. A sua progressão lembra um pouco a de Bolt. Um par de anos antes não tinha conseguido baixar dos 10.30 segundos No entanto o recorde mais importante quem o fez foi Maurice Greene, o primeiro homem que baixou a barreira dos 9.80 segundos. Ele bateu o recorde mundial com o tempo de 9.79 segundos, tirando cinco centésimas ao recorde de Bailey. A partir daí Asafa Powell, centésima a centésima acabou por conseguir o tempo de 9.74. Depois apareceu Bolt com 9.72 a seguir 9.69 e agora 9.58. nada menos que 11 centésimas, que é uma aberração numa prova que se move por margens mínimas ( artigo adaptado do jornal espanhol Marca)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Atletismo português campeão nos Global Games


Por vezes a infelicidade bate à porta, e entrega-nos alguém íntimo com grandes limitações físicas ou intelectuais. Nesse momento é bom sabermos que, entre os recursos disponíveis para ajudar, existe um, muito importante, mas raramente solicitado, que se chama desporto de competição. Um bom exemplo foi os Global Games 2009 realizados na República Checa, onde tive o privilégio de fazer parte da Selecção Nacional como técnico de atletismo. É uma competição destinada a quem as vicissitudes da vida, impediu de ter uma capacidade intelectual, enquadrada dentro dos parâmetros considerados normais. Esta competição surgiu, para colmatar a ausência da deficiência intelectual nos Jogos Paralímpicos. Eventos com esta dimensão, proporcionam a estes atletas especiais, uma oportunidade de atingirem a excelência, dos seus níveis técnicos e físicos ( dentro das suas limitações). Contribuindo assim, para diminuir a diferença existente, para os ditos “normais”, tornando todos mais iguais. Falando do atletismo, onde estou integrado, posso dizer que é uma modalidade onde todos são respeitados, aprendem a respeitar e onde a dignidade impera. O facto destes atletas nos treinos e nas competições estarem habituados a ultrapassar dificuldades, prepara-os para a vida, ajudando a compreender que para obter êxito, é sempre preciso muito trabalho. Que quando as coisas não correm bem, o desistir é a pior solução. Atletas com este tipo de deficiência, são muito desconcentrados e normalmente com grandes níveis de ansiedade e falta de confiança. Também nestes aspectos o desporto de competição ajuda muito, pois estes são factores, trabalhados no treino. Outro factor importante, é a possibilidade destes atletas treinarem e competirem juntamente, com os “ditos normais” o que facilita também a sua integração numa sociedade competitiva como a nossa. Nestes Global Games 2009, Portugal teve uma prestação excelente. Foi campeão em atletismo, feminino e masculino, futsal, basket , obteve diversas medalhas no ciclismo e numa modalidade experimental, remo Indor , também foi vencedor. Nas outras modalidades, onde esteve presente, obteve resultados dignos de registo. Mas este artigo não é para falar sobre resultados, que já foram mencionados em muitos órgãos de informação e estão disponíveis na Net. É somente para enaltecer, e constatar que: Num País, de dimensão territorial e populacional tão reduzida é fantástico a obtenção de tantos êxitos, á frente de Países como os Estados Unidos , Brasil, Venezuela, etc, onde só uma cidade tem mais população do que Portugal. Para obter tantos êxitos a este nível, com certeza que existe uma grande base de recrutamento e para tal, muita gente a trabalhar bem nesta área. Também podemos concluir que a estrutura responsável por esta área no nosso caso (ANDDI) está bem organizada. Em síntese, podemos dizer que não somos um grande País, mas temos gente com um coração do tamanho do Mundo. Devemos ter orgulho nestes atletas, pessoas, muitas delas no anonimato e instituições que trabalham com eles (onde eu não me incluo, devido a minha colaboração ser ínfima). E termino como sempre gosto, com uma frase “ A pedra não tem esperança de ser outra coisa que não pedra, mas ao colaborar, ela torna-se templo” Saint- Exupéry
Ao amigo C.P. que provavelmente nunca leu esta frase, mas sempre soube o significado que transmite