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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Midllemarch de George Eliot


George Eliot é o pseudónimo de Mary Ann Evans, que adotou um nome masculino para criar as suas obras.” Meddlemarch: um estudo da vida provinciana” é um livro para ir degustando calmamente, com o prazer que só os bons livros nos podem dar. É uma obra obrigatória para os amantes da leitura, não só por ser considerado pela critica especializada como um dos melhores livros do século XlX, mas, também por nele serem dissecadas de forma sublime as diversas facetas do comportamento humano. Antes de começar a ler as mais de 800 páginas de Meddlemarch e, como sempre faço com escritores que leio pela primeira vez, fiz alguma pesquisa biográfica sobre George Eliot, tendo lido algumas referencias que me deixaram surpreendido, como por exemplo; compará-la a Liev Tolstói. É claro que achei um exagero e, não valorizei essas opiniões. Mas, agora que acabei de ler Meddlemarch, digo que fiquei agradavelmente surpreendido e que George Eliot, nesta obra, ombreia efetivamente com os grandes nomes da literatura mundial. É uma grande obra, com um realismo extraordinário. Não vou escrever sobre as personagens nem sobre a história, vou apenas colocar uns breves excertos de forma a aguçar a curiosidade sobre este magnifico livro.

“O carácter não é uma peça de mármore…Não é algo de sólido e inalterável. É algo que está vivo e se transforma, e pode adoecer como também acontece com o nosso corpo”

“…. Houve grande regozijo na antiquada sala de estar, e até os retratos dos magistrados célebres pareciam observar a cena com satisfação…”

“Os obstáculos mais terríveis são os que ninguém pode ver, exceto nós mesmos”

“Passa o tempo a tentar tornar-se aquilo que o marido desejava sem nunca chegar ao repouso de o saber contente com aquilo que era” 

Ao último capitulo do livro, George Eliot deu o nome de: “Conclusão” que termina desta magnifica forma:

“Mas o efeito do seu ser sobre os que a rodeavam teve um alcance incalculável: porque a multiplicação do bem no mundo depende em parte de atos que não são históricos; e se, tanto para o leitor como para mim, as coisas não são tão más como seria possível que tivessem sido, devemo-lo em boa medida àqueles que viveram fielmente uma vida desconhecida, e que repousam em sepulturas que não visitamos”

(Uma dica: Quando comecei a ler o livro, imprimi uma “cábula” da Wikipédia, enciclopédia livre, que tem uma discrição muito boa de 22 personagens que fazem parte desta história e, que por vezes quando andava um pouco perdido com as diversas ligações entre as personagens, foi um documento muito útil)

 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Livro - Os Miseráveis

Com o intuito de tecer um comentário sobre o livro, durante a sua leitura fui anotando numa pequena agenda, diálogos e frases maravilhosas que ia encontrando. Acontece que perdi a agenda. Sendo assim, vou recorrer a um apontamento de um livro “ A Tentação do Impossível”  que é um ensaio desenvolvido sobre um curso ministrado por Vargas Llosa na Universidade de Oxford.

Vargas Llosa, neste ensaio faz uma análise da criação, estrutura e dos elementos que envolveram a composição de “ Os Miseráveis” de Victor Hugo

Passo a transcrever:
 “tudo é impossível nas aspirações de Os miseráveis, e a primeira dessas impossibilidades é o desaparecimento de todas as nossas misérias”. E ainda, não há a menor dúvida, tampouco, de que “Os miseráveis é uma das obras na história da literatura que mais fizeram homens e mulheres de todas as línguas e culturas desejar um mundo mais justo, mais racional e mais belo do que aquele em que viviam”.


Acho que neste excerto de “ A tentação do Impossível” Vargas Llosa descreve todo sentido do livro. Sei que algumas das personagens que compõem este livro vão me fazer companhia durante muito tempo. È  um livro colossal, diria que, sem defeitos e, que nos leva a uma reflexão muito profunda do que é a humanidade. Um dia volto a Lê-lo


segunda-feira, 9 de maio de 2016

Livro - A Relíquia


Gostei de reler A Relíquia de Eça de Queiroz. Embora em algumas fases deste romance o escritor seja demasiado descritivo, é um romance que contém algumas pérolas da literatura. O romance apresenta as memórias de Teodoro, conhecido por raposão. Ele vivia com uma tia muito rica e beata. Teodoro sabia que para herdar a fortuna da tia tinha que ter uma vida muito religiosa e uma conduta condizente com essa religiosidade. Mas, Teodoro adorava a boémia e tentava a todo o custo esconder a sua vida privada da tia e, ao mesmo tempo, tentava agradar a tia com a sua aparente dedicação à causa espiritual.

Passo a transcrever alguns excertos:

Quando Teodoro questiona e acusa de responsabilidade Cristo (DEUS) sobre a situação que o colocou na desgraça, ele ouve uma voz dentro de si que lhe aponta alguns erros como: a falsa beatice para com a sua tia, as suas mentiras e a sua convivência com prostitutas. Depois essa voz diz-lhe esta maravilha:

 “ Eu não sou Jesus de Nazaré. Nem outro deus criado pelos homens…..Sou anterior aos deuses transitórios; eles dentro de mim nascem; dentro de mim duram; dentro de mim se transformam: dentro de mim se dissolvem: e eternamente permaneço em torno deles e superior a eles, concebendo-os e desfazendo-os, no perpétuo esforço de realizar fora de mim o deus absoluto que em mim sinto. Chamo-me consciência; sou neste instante a tua própria consciência reflectida fora de ti, no ar e na luz, e tomando ante teus olhos a forma familiar, sob a qual, tu, mal-educado e pouco filosófico, está habituado a compreender-me”

Este é um livro contra a hipocrisia, ensina que a mentira é má e que se formos sinceros tiramos benéfico disso. Teodoro ficou na desgraça por causa da mentira e, por isso, resolve passar a ser sincero. Falando com o seu patrão Crispim, homem este,que já tinha despedido o seu antecessor por maldizer a religião, tem este desabafo: 

“ Olha, Crispim, eu nunca vou à missa…tudo isso são patranhas…Eu não posso acreditar que o corpo de Deus esteja todos os domingos num pedaço de hóstia feita de farinha. Deus não tem corpo, nunca teve…tudo isso são idolatrias, são carolices…podes fazer agora comigo o que quiseres. Paciência!” E o patrão responde: “ pois olha, raposo, calha-me essa franqueza!... Eu gosto de gente lisa… o outro velhaco, que estava aí nessa carteira, diante de mim dizia: «Grande homem, o Papa!» E depois ia para os botequins e punha o Santo Padre de rastos….”
Mais tarde quando o patrão o indagou a ver se ele era o homem ideal para casar com a sua irmã Jesuína, ele volta a ser sincero, mesmo sabendo que poderia perder tudo “ Há ai dentro amor sincero à mana Jesuína?” ele responde: “ Amor, amor não….Mas acho-a um belo mulherão: gosto-lhe do dote; e havia de ser um bom marido”

 É intrigante como é que em 1887, Eça escrevia sobre um tema que iria dominar o século XX. Então vejamos as referências que ele faz relativamente às conversas que o seu amigo alemão Topsuis tinha com ele: “… … A Alemanha, mãe espiritual dos povos; depois ameaçava-me com a irresistibilidade das suas armas. A omnisciência da Alemanha! A omnipotência da Alemanha! Ela imperava, vasto acampamento entrincheirado de in- fólios, onde ronda e fala de alto a Metafisica armada” e para mim mais arrepiante é a conversa em sonho com Lúcifer “… Não lamente as fogueiras de Moloch. Há-de ter fogueiras de judeus”

Gostei imenso do sonho que Teodoro teve e em que estava a presenciar o julgamento de Cristo e onde vemos uma nova versão para este acontecimento.

“ Depois de amanhã, quando acabar o Sabbath, as mulheres da galileia voltarão ao sepulcro de José de Ramata, onde deixaram Jesus sepultado…. E encontram-no aberto, encontram-no vazio! «Desapareceu, não está aqui!...» Então Maria de Magdala, crente e apaixonada, irá gritar por Jerusalém - «ressuscitou, ressuscitou!» E assim o amor de uma mulher muda a face do mundo, e dá uma religião mais à humanidade!

Frases que fazem a delicia de quem às lê:

 “ ….. Aquela sumptuosa noite do Egipto. As estrelas eram como uma grossa poeira de luz que o bom Deus levantava lá em cima, passeando sozinho pelas estradas do céu” ou “ Quando os seus olhos se cerravam, tudo em redor parecia escurecer; e quando se levantava a negra cortina das suas pestanas, vinha dessa larga pupila um clarão, uma influência como o sol do meio-dia no deserto, que abrasa e vagamente entristece”

 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Livro - A Cabana


E se Deus marcasse um encontro consigo? As férias de Mackenzie Allen Philip com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada. Quatro anos mais tarde, Marck, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar á malograda cabana. Ainda que confuso, Marck decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre: Fonte livro Bertrand
Li algumas criticas sobre este romance, algumas a dizerem muito mal, outras bem , enfim, o importante é que cada um pense pela própria cabeça. Quem gosta de livros Tipo: “ Conversa com Deus “ de Donald Walsch, vai adorar este.
 Não é por mero acaso que “ A Cabana” já vendeu mais de 15 milhões de exemplares. Na minha opinião é um livro simples, para descontrair e, do qual podemos fazer algumas reflexões. O livro aborda fundamentalmente a capacidade de perdoar, o que não implica esquecer, como lá vem referenciado. Quando Mackenzie acusa Deus de não evitar que tantas coisas más aconteçam no mundo, Deus responde “ Ninguém sabe de que horrores eu salvei o mundo, porque ninguém pode ver as coisas que nunca aconteceram”
Frases como.” A fé não nasce na casa da certeza”  ou “ O simples facto de acreditares firmemente numa coisa não implica que ela seja verdadeira” dão algum embelezamento à história. Também sublinhei “ Nunca menosprezes a maravilha das tuas lágrimas. Podem ser águas curativas e uma fonte de alegria. Por vezes, são as melhores palavras que o coração pode dizer”
É um livro que não me atrevo a aconselhar. Acho que é um livro muito pessoal. Eu li e acho que precisava de ler um livro para descontrair e nesse aspecto gostei. Mas agora que acabei, já fui buscar a “ Relíquia” do Eça de Queiroz, pois fiquei sedento daquela escrita trabalhada que tanto gosto.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Livro- José Saramago nas suas palavras


Depois de lermos o primeiro livro de José Saramago, este deveria ser o segundo a ser lido. Ao lermos esta obra composta por imensos excertos retirados de entrevistas dadas pelo escritor, estamos prontos para abordar a sua obra e compreender de uma melhor forma o seu pensamento.  Gostei e recomendo a leitura

Único escritor de língua portuguesa a ganhar o prémio Nobel, José Saramago (1922-2010) é um exemplo perfeito do intelectual engajado preconizado pelo autor de As palavras, Jean-Paul Sartre. Com efeito, a intervenção na esfera pública, o comprometimento com uma visão crítica do mundo, a defesa de ideias muitas vezes polémicas, a indignação diante das injustiças e desigualdades económicas e sociais são características marcantes de alguém que jamais separou o escritor do cidadão e sempre disse com todas as palavras o que pensava. Este livro, editado por Fernando Gómez Aguilera, biógrafo espanhol de Saramago, traz uma ampla selecção de declarações do escritor extraídas de jornais, revistas e livros de entrevistas, publicados em Portugal, no Brasil, na Espanha e em diversos outros países, da segunda metade da década de 1970 até Março de 2009.

Os textos estão organizados cronologicamente no interior de núcleos temáticos que abrangem as questões mais recorrentes nas manifestações do escritor. A primeira parte, centrada na pessoa José de Sousa Saramago, reúne comentários sobre sua infância, a formação autodidacta, a trajectória pessoal, os lugares onde morou, bem como reflexões sobre si mesmo – o pessimismo, a indignação, a coerência, a primazia da ética – que traçam o perfil de um escritor sempre disposto a praticar a introspecção e a compartilhar seu pensamento com a opinião pública. A segunda parte, em que vem para o primeiro plano a figura do escritor, traz reflexões sobre o ofício literário que mostram sua plena consciência dos procedimentos romanescos, concepções pouco ortodoxas para um comunista sobre as relações entre literatura e política – “não vou utilizar a literatura para fazer política” – e o papel do escritor na sociedade: “se o escritor tem algum papel, é intranquilizar”. Na terceira parte, quem fala é o cidadão José de Sousa Saramago, o crítico, entre outras coisas, da globalização económica, do “concubinato” dos meios de comunicação com o poder, do consumismo, do comunismo soviético, da paralisia da esquerda incapaz de inovar, do conservadorismo da Igreja católica, da postura de Israel em relação aos palestinos e do irracionalismo generalizado do mundo capitalista. Sua voz clama pela democracia social plena – não apenas formal e eleitoral -, pelo respeito integral aos direitos humanos e pelo sagrado direito de espernear: “Ao poder, a primeira coisa que se diz é não”.

As palavras de Saramago compõem o retrato falado de um escritor que exerceu seu ofício com o profissionalismo de um operário, a pertinácia de um militante político, a consciência de um cidadão e a visão ampla de um verdadeiro intelectual.

Fonte: Fundação José Saramago

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Livro - Os Maias de Eça de Queiroz


Reler os Maias é sempre um prazer e um pouco de tristeza. Prazer pela bela leitura que este romance proporciona e, um pouco de tristeza por não ter o prazer de o ler pela primeira vez. Embora já o tivesse lido há muitos anos, tinha na mente as principais passagens deste magnífico romance. É claro, que atualmente apercebi-me de uma série de situações, fundamentalmente críticas sociais, que quando o li na minha juventude não tinham grande significado para mim. Muitos amigos dizem-me: eu fui obrigado a ler isso na escola, mas não li o livro, só li o resumo. Não sabem o que perderam. Não vou fazer um resumo do livro, pois já existem tantos, vou só colocar alguns excertos que achei interessantes e que me tinham passado despercebidos aquando da primeira leitura.

Achei interessante a abordagem no livro sobre o ensino. Primeiro o questionar o excesso de carga horária e a utilização de conteúdos que não têm utilidade. Depois a discussão na assembleia sobre a inclusão das aulas de ginástica nas escolas a que o Conde Gouvarinho respondeu: "Creia o digno par que nunca este país retomará o seu lugar à testa da civilização, se, nos liceus, nos colégios, nos estabelecimentos de instrução, nós outros os legisladores formos, com mão ímpia, substituir a cruz pelo trapézio".

Chamou-me também à atenção a referência às instituições de proteção dos animais que já se faziam ouvir na Europa do seculo XIX. Também nesta situação Portugal não acompanhava o pensamento dos países mais evoluídos. Defendia- se que em vez de corridas com cavalos era mais importante uma boa tourada.

“... Pois é verdade, tenho esse fraco português, prefiro toiros. Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o toiro: o toiro com muito sol, ar de dia santo, água fresca e foguetes... Mas sabe o Sr. Salcede qual a vantagem da tourada? É ser uma grande escola de força, de coragem e de destreza... Em Portugal não há instituição que tenha importância igual à tourada de curiosos. E acredite uma coisa: é que se nesta triste geração moderna ainda há em Lisboa uns rapazes com um certo músculo, a espinha direita, e capazes de dar um bom soco, deve-se isso ao toiro e à tourada de curiosos...O marquês entusiasmadíssimo bateu palmas. Aquilo é que era falar! Aquilo é que era dar a filosofia do toiro! Está claro que a tourada era uma grande educação física! E ainda havia uns imbecis que falavam em acabar com os toiros! Oh! Estúpidos, acabais então com a coragem portuguesa! (…) O quê, o toiro? Está claro! O toiro devia ser neste país como o ensino é lá fora: gratuito e obrigatório”.

Outras frases e referencias de grande encanto podemos encontrar neste livro.

“ – Falhamos na vida, menino! – Creio que sim…Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é, falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação”

“É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos têm «imenso talento» ……..Um país governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado !Eu proponho isto ,a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentassem uma vez os imbecis”

 ... uma senhora alta, loura, com um meio véu muito apertado e muito escuro que realçava o esplendor de sua carnação ebúrnea. Craft e Carlos afastaram-se, ela passou diante deles, com um passo soberano de deusa, maravilhosamente bem-feita, deixando atrás de si como uma claridade, um reflexo de cabelos de ouro, e um aroma no ar. Trazia um casaco colante de veludo branco de Gênova, e um momento sobre as lajes do peristilo brilhou o verniz de suas botinas.

Para descrever tudo o que gostei, seriam precisas muitas folhas, fico por aqui e dou um conselho a que ainda não leu que leia e, quem já leu que releia, pois por certo que irá encontrar muitas coisas que passaram despercebidas na primeira vez. E como não há duas sem tês, um dia mais tarde por certo, vou voltar a lê-lo.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Livro - As Flores de Lótus

Usando como tela, Portugal, Rússia, China e Japão o escritor projectou a vivência de quatro famílias num percurso onde podemos observar cidades como: Tóqui no Japão, Irkutsk na Russia, Changsha na China e Lisboa em Portugal. É através do narrador de nome Artur, que o autor relembra algumas das grandes transformações políticas e sociais que aconteceram no mundo no final do século XIX e princípio do século XX. Além dos países anteriormente mencionados e por motivos históricos também passam pelas páginas deste romance, a Itália de Mussolini e o seu partido nacional fascista, a Espanha de Primo Rivera fundador da União Patriótica e que inspirou a União Nacional em Portugal, a Alemanha e a França.
O principal foco do romance é dirigido para quatro situações:1) A ascensão ao poder de Mao Tse –Tung na China 2) A forma como Estaline implementou o seu sistema político na Rússia 3) Da queda da monarquia até entrada de Salazar no governo português 4)A sociedade japonesa e a aversão da mesma em relação aos ocidentais.
Grandes pensadores e filósofos também fazem parte deste romance. Hegel, Maquiavel, Engels e Marx, Sócrates, Platão, Aristóteles, Rosseau e Confúcio são mencionados.
É um romance que por certeza não agrada a quem é comunista, nele está explícito a crueldade que esses regimes impuseram às populações. Também podemos verificar ao longo das histórias contadas que tanto o comunismo como o fascismo enquanto regimes totalitários provêem da mesma base filosófica.O Diálogo de Salazar com Carmona, os argumentos de Salazar ao Capitão Artur Teixeira para não aceitar a pasta das finanças, a forma como é apresentada a cultura chinesa e japonesa, está tudo muito bem conseguido. É um livro que se lê rapidamente como todos os livros do José Rodrigo dos Santos.
Aconselho a leitura fundamentalmente àqueles que como eu já leram os livros anteriormente publicados por este autor. Para quem quer iniciar a leitura das obras deste autor, aconselho que deve começar por ler “A Filha do Capitão”.

Na minha opinião, José Rodrigues dos Santos continua a escrever como jornalista, sempre com a preocupação de dar informação e transmitir conhecimento. Nos seus romances sente- se a falta da adjectivação e dos advérbios que nos conseguem dar aquela sensação de visualização e despertar a imaginação. Recorre pouco aos estilos linguísticos como a hipálage, sinestesia, aliteração e tem pouca ironia. Vou aguardar a continuação deste romance que é “O Pavilhão Púrpura”, para ver se é tão interessante como “As Flores De Lótus” mas um pouco menos pragmático e com uma escrita mais burilada. 

sábado, 2 de abril de 2016

Livro - Mataram a Cotovia

Mataram a Cotovia, é um daqueles romances que obrigam a pensar e que deixam personagens para nos fazem companhia durante muito tempo. Se existem livros que eu gostava que os meus filhos lessem, este é um deles.

É um livro que aborda a sociedade americana de um estado sulista durante os anos 30-40 do século 20, onde a segregação racial era aceite de forma natural pela maioria das pessoas. Este livro dá-nos uma perspectiva sobre a educação dos nossos filhos, ensina a importância de nunca lhes limitar o pensamento, mas acima de tudo, mostra-nos uma forma de agir com tudo aquilo que é diferente, minorias étnicas, outras religiões, outras raças e acima de tudo outras formas de pensar.

A história passa-se numa pequena povoação de nome fictício Maycomb e tem como protagonistas uma família cujo pai Atticus é viúvo, advogado e tem um filho chamado Jem e uma filha chamada Stout.É através de Stout, uma criança no início da sua vida escolar, que assistimos à narração dos factos passados. Stout vê o mundo como só uma criança consegue ver, sem preconceitos e com as interrogações próprias da idade da inocência.

 Atticus é chamado a defender um jovem negro acusado de violação de uma mulher branca e, mesmo sabendo que nunca algum negro conseguiu ganhar uma acção em tribunal contra um branco, ele empenha-se da melhor forma na defesa do seu cliente e consegue provar a sua inocência. Ao longo da história deparamo-nos com personagens do pior e do melhor que pode haver numa sociedade e todas elas aparecem normalmente associadas a frases que transmitem emoção e conduzem a reflexões.

Não vou fazer uma sinopse da história, mas vou deixar alguns excertos que achei interessantes

"Tinha a sua própria visão das coisas, talvez bastante diferente da minha... filho, eu disse-te que se tu não tivesses perdido a cabeça, eu ter-te-ia mandado ler para ela na mesma. Queria que visses qualquer coisa nela...queria que visses o que é a verdadeira coragem, em vez de pensares que coragem é um homem com uma arma nas mãos. Coragem é sabermos que estamos vencidos à partida, mas recomeçar na mesma e avançar incondicionalmente até ao fim. Raramente se ganha, mas às vezes conseguimos. “

“Têm todo o direito de pensar dessa forma, como também têm o direito a que as suas opiniões sejam respeitadas - disse o Atticus -, mas antes de viver com os outros, tenho de viver comigo próprio. E a única voz que se sobrepõe à regra da maioria é a nossa consciência."

“As cotovias não fazem nada a não ser cantar belas melodias para nós. Não estragam os jardins das pessoas, não fazem ninhos nos espigueiros, só sabem cantar com todo o sentimento para nós. É por isso pecado matar uma cotovia”


Recomendo a leitura deste clássico da literatura Norte Americana

sexta-feira, 25 de março de 2016

Livro - Pai Nosso de Clara Ferreira Alves

 um livro escrito de forma muito elaborada. Um romance fantástico, que me deixou fascinado. Como disse António Lobato Faria, aquando da apresentação do Livro: “Pai Nosso é para mim um livro perfeito” e eu acrescento, para mim também. A Clara Ferreira Alves esclareceu que: “ Este livro é realidade e ficção”, mas foi na ficção que eu senti mais realidade. Não vou fazer um resumo do livro, apenas vou deixar alguns excertos de forma aleatória que penso, serem um incentivo à leitura deste magnífico romance.
 
 

Começo a beber demais, gin todos os dias, gin para diluir o remorso de pecados que não cometi
 
 

Amei uma pessoa nos labirintos de Jerusalém onde seria mais apropriado amar deus
 
 

 O amor é ópio. É uma droga. Fica-se agarrado. O amor distorce mais a realidade do que a guerra
 
 

 No chão a sombra dele cai sobre a minha, e foi o único momento em que tivemos intimidade, na confusão das sombras no cemitério
 
 

 (…) homens velhos aos quarenta anos. Os ares do mar e o sol cavaram desfiladeiros na pele curtida. Marinheiros e janízaros tão desempregados como os peixes
 
 

Pela varanda aberta sobre a noite entra o cheiro de plantas e árvores de que não sei o nome
 
 

Uma lua cor de fogo incendeia o azul cobalto e a água é uma fosforescência onde flutuam barcos como insectos num charco
 
 

A voz do Eduardo(....)era uma voz funda e acertada a compasso, uma voz treinada para mentir com aprumo......
 
 

Nunca gostei do Eduardo. Um peixe que se move nas profundidades submarinas onde não penetra a luz
 
 

Deus fica longe dali. Deus está no céu que é um sossego. Há-de ser ele a receber os cadáveres dos mártires, a reconstituir-lhes a carne despedaçada como quem reconstitui um quebra-cabeças de milhares de partículas elementares
 
 

Enquanto o lunático falava, eu pensava que alguém devia oferecer um cão, um gato, um peixe, uma tartaruga, às crianças de Gaza. Para os ensinar a amar
 
 

É preciso prestar atenção a todas a s coisas que acontecem pela primeira vez. Não só às coisas que acontecem pela primeira vez na nossa vida. A todas as coisas, as que acontecem fora da nossa vida e dentro das outras vidas. Quando um avião cai não é a primeira vez que acontece. Quando um avião decapita as torres do world trade center é a primeira vez. Os corpos a cair das janelas. Corpos que explodiram no chão sem que ninguém ouvisse o som porque a grande explosão abafou a pequena explosão.
 
 

Porque tens medo desta história? Porque não sei se consigo contá-la direito.
 
 

domingo, 18 de novembro de 2012

Quando Nietzsche chorou


Irvin D. Yalom psicoterapeuta e professor de psiquiatria na Faculdade de Medicina da universidade de Stanford escreveu este admirável romance baseado na vida de duas das maiores personalidades do século xix, Friedrich Nietzsche e Josef Breuer. Embora seja um romance ficcionado “ a situação da vida da maioria das personagens baseia-se em factos”.   Josef Breuer foi um médico e fisiologista austríaco a quem se atribui a fundação da psicanálise. Friedrich Nietzsche foi um dos maiores filósofos, ainda hoje estudado muito profundamente. Breuer era uma pessoa muito angustiada e Nietzsche vivia em constante desespero com tendências suicidas.

O que Yalom fez para contar esta magnifica história, foi imaginar um encontro destas duas grandes personalidades, e mostrar até que ponto Breuer com os seus conhecimentos de medicina e o seu método recentemente descoberto a que chamou “ catarse” poderia curar o desespero de Nietzsche e este através da sua filosofia poderia aliviar a angústia de Breuer.

É um livro maravilhoso, com muita pesquisa, e que nos faz refletir sobre a influência que tem na nossa vida a forma como pensamos. Além do enredo bem construído, encontramos frases de rara beleza como algumas que passo a descrever: “ Quem não obedece a si mesmo é regido pelos outros” , “ Faz escolhas mas recusa-se a ser aquele que escolhe” , “ Cada pessoa tem que escolher a verdade que consegue suportar” , “ Transforma-te naquilo que és”, “ Não existe o caminho, a única verdade é aquela que descobrimos por nós mesmos”, “ A recompensa final dos mortos é não morrer”

Um ótimo livro para quem gosta de ler, e uma oportunidade de conhecermos duas das personalidades “que mudaram o curso da intelectualidade Ocidental”

No final do romance Yalom reserva um capítulo “ Nota do Autor” onde menciona quais são os factos reais e o que é ficção.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Fio da Navalha de Somerset Maugham

O Fio da navalha de Somerset Maugham é um romance intemporal, pois embora se situe entre a primeira e segunda guerra mundial, passando pela crise económica de 1929, aborda temas que são intrínsecos ao ser humano. O protagonista do romance é Larry, as principais personagens secundárias são: Isabel, Gray, Elliott, Suzanne Rouvier, Sophie e o próprio narrador. Embora todas estas personagens tenham algum tipo de relacionamento com Larry, não gravitam em seu redor só com o objetivo de contar a sua história, pois cada uma personifica um determinado tipo de comportamento humano, que nos leva a uma reflexão.

Em relação às personagens, Identifico-me com Larry na sua busca espiritual. Larry gostava de ler os grandes pensadores da humanidade, era bom ouvinte e não se negava experienciar vários tipos de religiosidade que de alguma forma pudessem contribuir para uma melhor compreensão da razão da sua existência. Na busca de um sentido para a vida, Larry viajou para Paris, e depois para a India onde parece que encontrou o que procurava. Mas não era um seguidor, foi sempre um pensador solitário. Quanto a Isabel, comecei por compreendê-la, mas ao longo do romance acabei por antipatizar com esta personagem, e quem ler o livro saberá a razão. Isabel amava Larry mas acabou por casar com Gray, pois o tipo de vida que Larry lhe propunha estava muito longe daquela que idealizava, onde o prestígio social e uma espiritualidade sem compromisso eram dois itens indispensáveis. Suzanne Rouvier é um tipo de pessoa que vive a vida juntando o útil ao agradável. Acaba por não ser uma pessoa feliz, mas também não passa por momentos de grande infelicidade. Vive o dia-a-dia com muito pragmatismo. Sophie é na minha opinião a personagem mais infeliz do romance. Era boa menina, muito alinhada, gostava de ler e escrever poesia. A vida acabou por não lhe correr bem e não teve força e sorte suficiente para dar a volta. A vida dela fez-me rever algumas pessoas conhecidas, e até amigas que passaram pelo mesmo. Elliott, tio de Isabel, pertence a uma classe que em Portugal apelidamos de jet set (socialite), vive de rendimentos, passa a vida a dar festas onde só convida gente importante, e faz tudo para participar nas chamadas festas chiques da alta sociedade. Para ele a aparência é o mais importante. Foi salvo da grande depressão de 1929 pelo vaticano, com quem tinha ótimas relações e lhe aconselhou a vender todas as ações, antes dos valores da bolsa terem descido drasticamente. Gray era o melhor amigo de Larry, amava Isabel com quem acabou por casar. Filho único de um milionário, foi uma das vítimas da crise económica de 1929, ficando na miséria. O narrador, Somerset Maugham, diz que conheceu os protagonistas e quanto à história escreve: “Não inventei nada. Para poupar constrangimentos a pessoas ainda vivas, dei às personagens que desempenham papéis nesta história nomes fictícios e tomei todas as precauções para evitar que alguém às reconhecesse”. Não sei se é verdade, mas se é, ele foi um homem com muita sorte por ter partilhado um pouco da sua vida com estas pessoas.

Pequeno excerto de um diálogo entre Larry e Isabel:

- “ Quero tomar uma decisão quanto à existência ou não existência de Deus – Quero descobrir porque existe o mal. Quero saber se tenho uma alma imortal ou se é o fim de tudo quando morrer.”
 - “ As pessoas têm-se colocado essas perguntas desde há milhares de anos. Se fosse possível encontrar as respostas certamente alguém já o teria feito.”
  - “ Se os homens fazem perguntas destas há milhares de anos, isso só prova que não conseguem deixar de às fazer e que têm de continuar a fazê-las”

Pequeno excerto de um diálogo entre o narrador e Isabel:

– Está muito apaixonada por Larry?
– Vá para o diabo. Nunca amei mais ninguém em toda a minha vida.
- Então porque casou com Gray?
- Tinha de casar com alguém. Ele era doido por mim e a minha mãe queria que eu casasse com ele. Toda a gente me dizia que era uma sorte ter-me livrado do Larry. E eu gostava muito do Gray; ainda gosto………. – Penso que realmente não o amava, mas uma pessoa passa bem sem o amor. Lá no fundo era pelo Larry que eu suspirava……….

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ressureição de Lev Tolstói





Acabei de ler o magnífico romance “Ressurreição” de Lev Tolstói, não tem em minha opinião, a grandeza de “Anna Karenina”, aliás, nem sei se existe algum romance com a sua grandeza, mas por ser o seu último romance e nele transmitir muito da sua filosofia de vida, que aliás, pôs em prática, é uma obra incontornável para quem gosta de ler Tolstói.

Utilizando como protagonistas o príncipe Russo Nekhliúdov e uma jovem empregada doméstica Maslova, Tolstoi constrói uma narrativa onde faz uma crítica à vida social da Rússia czarista dos finais do século XIX e uma crítica sarcástica às injustiças sociais, ao sistema judicial e ao regime Russo vigente.

A hipocrisia das pessoas que abdicam dos seus princípios morais em troca de cargos governamentais e favorecimentos para poderem circular na alta sociedade, são também alvos de uma crítica muito forte. Nota-se ao longo do romance que o escritor não corrobora com a subserviência e através de várias personagens, incentiva as pessoas a terem um pensamento próprio e a respeitarem tudo o que às circunda. A água, a terra e o ar não deveriam ter dono, pois pertencem a toda a humanidade.
De seguida coloco alguns excertos do muito que sublinhei neste romance:


“ Estavam em alegria as plantas, os pássaros, os insectos e as crianças. As pessoas porém, as pessoas grandes, adultas, não deixavam de se enganar e de se magoar, a elas mesmas e aos outros. Achavam elas que o sagrado e importante não era a manhã primaveril nem a beleza do mundo de Deus concedida para o bem de todas as criaturas, beleza que predispunha à paz, à concórdia e ao amor, mas que o sagrado e importante era o que elas próprias tinham inventado para ganharem poder umas sobre as outras”

“ Se precisares de mim, toma-me. Se não precisares passa. Ao passo que a outra finge que não pensa nisso, que vive uns quaisquer sentimentos sublimes, requintados, mas no fundo é a mesma coisa. Esta pelo menos, é sincera, a outra mente”

“ Esta mulher da rua é água suja e fedorenta que se oferece àqueles para quem a sede supera a repugnância; a outra, no teatro, é um veneno que, imperceptivelmente, contamina tudo onde cai”

“ Todas as pessoas vivem e agem, em parte, de acordo com as suas próprias ideias, e em parte de acordo com as ideias dos outros. Na medida em que as pessoas vivem mais em conformidade com as suas ideias ou em conformidade com as ideias dos outros consiste uma das maiores diferenças entre elas”

“ Quando se reconhece que há coisas mais importantes do que o humanismo, sejam quais forem, nem que seja apenas durante uma hora e num caso excepcional, será sempre possível que cometamos crimes contra os seres humanos e não nos consideremos culpados”

“ O mesmo se passa relativamente às pessoas. E não poderia ser de outro modo, porque o amor recíproco entre as pessoas é a lei fundamental da vida humana”…….

“ Se não sentires amor pelas pessoas, fica quieto ----- pensava Nekhliúdov, dirigindo-se a si mesmo, trata de ti, dos teus haveres, do que quiseres, mas não das outras pessoas.”

quarta-feira, 27 de abril de 2011

PAULA de Isabel Allende







Acabei de ler o livro Paula de Isabel Allende. Achei o livro fantástico e vou partilhar alguns apontamentos sobre o mesmo.

A razão da existência deste livro é a sua filha Paula, que sendo portadora de porfiria, uma doença hereditária adquirida através do seu pai, adoece gravemente e acaba por falecer após um longo período de coma. Este livro foi escrito “ durante horas intermináveis pelos corredores de um hospital em Madrid e num quarto de hotel onde vivi durante vários meses. E também ao lado da sua cama, na nossa casa da Califórnia”

“ Ouve Paula, vou contar-te uma história para que, quando acordares, não te sintas perdida” e assim começa Isabel Allende a contar o seu percurso de vida, de uma forma tão corajosa que expõe os seus erros, desilusões, medos, intimidades, fragilidades e onde fala da sua família, do seu País, da liberdade, da ditadura e das grandes personalidades com quem de alguma forma partilhou alguns momentos.

” A minha vida faz-se ao contá-la e a minha memória fixa- se com a escrita; o que não ponho em palavras no papel o tempo apaga-o”

Enquanto vai falando da sua vida, vai informando o leitor sobre o estado de saúde de Paula e dos esforços que faz para que ela regresse daquele estado de morte aparente. Aceita todo o tipo de ajudas, curandeiros, rezas, espíritas, medicina tradicional etc. Até que chega a um ponto em que diz: “ Já não escrevo para que quando a minha filha acordar não se sinta tão perdida, porque não acordará. Estas páginas não têm destinatário, a Paula nunca poderá lê-las…”

Par terminar um pequeno trecho do livro:

“ Gostaria de voar numa vassoura e dançar com outras bruxas pagãs no bosque à luz do luar, invocando as forças da terra e afugentando demónios, quero converter-me numa velha sábia, aprender antigos encantamentos e segredos de curandeiros. Não é pouco o que eu pretendo. As feiticeiras, tal como os santos, são estrelas solitárias que brilham com luz própria, não dependem de ninguém, por isso carecem de medo e podem lançar-se cegas no abismo com a certeza de que em vez de se destruírem sairão a voar. Podem converter-se em pássaros para ver o mundo de cima ou em vermes para vê-lo por dentro, podem habitar noutras dimensões e viajar para outras galáxias, são navegantes num oceano infinito de consciência e conhecimento”
Paula é um livro que requer muita reflexão é um testemunho de uma mãe que acompanha a morte de uma filha e um autêntico documento autobiográfico com várias lições de vida.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Juntos pelo Planeta


















Os problemas ambientais já não passam despercebidos. Os mais variados meios de comunicação social, as escolas, associações ambientais, autarquias,entre outros, têm tentado sensibilizar as pessoas para esta temática. Uma prova disso é a foto em cima à esquerda que mostra o meu filho mais novo na sua escola primária. É uma escola pública já com muitos anos, onde foi aproveitada uma das paredes para fazer um magnífico desenho que incentiva todos a estarem juntos numa luta por um bem que é comum. Este artigo vem a propósito de ter lido o livro “ Sétimo Selo” de José Rodrigues dos Santos. Um excelente livro em que o autor recorrendo a dados científicos recentes aborda o grave problema do aquecimento global e os grandes interesses que se movem no negócio do petróleo.
Sinceramente fiquei apreensivo (para não dizer assustado) com a brevidade que se prevê os efeitos nefastos provocados pelo aquecimento global, assim como o impacto que terá a falta dos combustíveis fosseis que segundo o autor prevê-se o seu esgotamento até 2050. Sabendo que tudo isto se irá passar ainda na minha geração, nem sei o que dizer!
É um livro que deveria ser aconselhado aos alunos pelos professores, pois é uma forma de divulgar os problemas ambientais. Neste romance também é abordado o tema da velhice e a colocação do progenitor num lar. Eu que há poucos anos passei pela situação de colocar o meu pai num lar, achei a descrição muito real. Até parece que o José Rodrigues dos Santos ouviu as minhas conversas com o meu pai e as suas respostas. Por tudo isto e por muito mais, façam o favor leiam este livro, pois vale a pena.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O meu livro das Férias



Nestas férias tive o prazer de ler mais um livro de José Rodrigues dos Santos e fiquei fascinado. Depois de ter lido a Fúria divina e a Filha do Capitão, dois maravilhosos livros deste escritor,aproveitei as férias para ler o Codex 632. O livro está muito bem escrito, e para quem como eu é um viciado em romances históricos, este livro não poderia ter sido melhor. Embora para mim não haja dúvidas que Colombo era português e que os portugueses já tinham conhecimento da existência da América muito antes de Colombo la ter ido, aconselho a quem tenha dúvidas ler este livro.Mas também para quem não liga nada a estes pormenores, aconselho a ler o livro pois como romance é fantástico.
De seguida um resumo que retirei do site http//: pt. shvoong.com

Tomás Noronha é um historiador perito em criptologia e é contratado por uma fundação americana (American History Foundation) para reconstituir as investigações de um outro historiador, também português, entretanto falecido. Apesar das complicadas pistas deixadas remeterem inicialmente para a descoberta do Brasil, a American History Foundation parece demonstrar um interesse camuflado em Cristóvão Colombo. A intriga desenvolve-se a partir da estranha mensagem deixada pelo historiador falecido: MOLOC NINUNDIA OMASTOS.
O romance de José Rodrigues dos Santos rebusca pois as misteriosas origens de Cristóvão Colombo. Para isso percorre a história dos descobrimentos, passando por uma série de monumentos e lugares plenos de significado. Ao longo de 550 páginas, o autor transporta-nos numa viagem à descoberta dos mistérios que rodearam a vida de “Colombo”, numa aventura plena de enigmas e que decorre em locais diversos: Lisboa, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Génova, Sevilha, Sintra, Jerusálem, Tomar, Londres. Para além da história maior, coexistem outras pequenas narrativas paralelas, tais como o romance de Tomás com Lena, uma inteligente e esbelta aluna sueca; a ruptura do mesmo com Constança, sua esposa; ou ainda a filha Margarida, com 9 anos e possuidora de Trissomia 21.
Habilmente escrito, o romance é em grande parte a reposição das teorias do historiador Mascarenhas Barreto («The Portuguese Columbus: Secret Agent of King John II», 1992) e do médico Manual Luciano da Silva, («Columbus wasn´t Columbus»,1989). É que, embora a história oficial afirme que o descobridor da América provinha duma humilde família de tecelões de Génova, existem outras possibilidades que têm vindo a ser levantadas e que colidem com esta tese, defendendo, como o faz este livro, que a nacionalidade do navegador seria portuguesa. «O Codex 632» é mais um romance histórico, mas também uma obra que pretende ficcionar em torno da verdadeira missão de “Colombo”, porventura um dos segredos mais bem guardados da epopeia dos Descobrimentos portugueses.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um livro para ler com muita atenção


Um dos livros que me ofereceram no Natal foi “ Fúria Divina “ de José Rodrigues dos Santos. É uma escrita fácil, com um grande poder de síntese e com a informação que pretendemos sempre no capítulo seguinte. Por isso, é difícil parar de ler. O livro baseia-se e, segundo o escritor em factos verídicos. É um livro que ajuda a compreender porque é que um ser humano é capaz de abdicar de tudo até da própria vida em nome de um Deus e de uma promessa no paraíso. Acredito que estas pessoas sejam felizes, por acreditarem com tanta convicção em algo superior e numa recompensa divina pelas suas acções na terra. Embora essa felicidade por vezes, faça sofrer muita gente inocente (os infiéis). Além de achar o livro bastante interessante, veio também corroborar a minha opinião sobre este assunto das Religiões. A maior conclusão que tiro do livro é que a minha opção de ser agnóstico, foi uma boa opção. Aconselho o livro, vale a pena ler.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Livros para as férias



Tenho andado na net à procura de um livro para ler nas férias. Ainda não encontrei nada que conseguisse motivar-me.( agradecia uma sujestão)Como acho que deve andar muita gente assim, vou indicar dois livros que na minha opinião são extraordinários. Eu gosto muito de ler, aliás tenho o vicio dos livros. As minhas preferências são os romances históricos e livros científicos tipo António Damásio, Richard Dawkins e Carl Sagan, entre outros. Vou indicar dois livros, porque sei que, quem começar a ler estes livros não vai conseguir parar ,e vão durar pouco tempo. Aconselho a começarem por Rosa Brava que é simplesmente fantástico e depois O amor infinito de Pedro e Inês que também é fabuloso. De seguida alguns apontamentos que retirei da net sobre estes dois livros:
Rosa Brava
Sinopse
Em 1368, D. Leonor Teles de Menezes, a mulher mais desejada do Reino, casa com o morgado de Pombeiro, D. João Lourenço da Cunha. O matrimónio é imposto por seu tio, D. João Afonso Telo, conde de Barcelos. Mulher fora do tempo, aceita contrariada o casamento, que a melancolia da vida do campo não ajuda a ultrapassar. Por isso, decide abandonar o marido e parte para Lisboa, para gozar a vida de riqueza e luxúria que a Corte proporciona. Perversa e ambiciosa, não tem dificuldade em seduzir o jovem monarca, D. Fernando, alcançando, desse modo, o poder que sempre desejou. Mas a nobreza, o clero e o povo não vêem com bons olhos esta aliança de adultério com o Rei. E menos ainda quando a formosa Leonor Teles se envolve com o conde Andeiro... "Rosa Brava" é um romance baseado na investigação histórica que, por entre intrigas palacianas, traições, assassínios e guerras com Castela, reinventa, numa linguagem cativante, uma das personagens mais fascinantes da História de Portugal.
Rosa Brava de José Manuel Saraiva

Excerto
"Num impenitente estado de desassossego, despidos já da roupa, do medo e da vergonha, os dois voltaram a beijar-se. E foi no movimento ondular dos corpos e de muitos beijos que se cumpriram na urgência do milagre mais perfeito daquela noite de esplendor. Para ambos, talvez mais para Leonor Teles do que para o rei, consumara-se, no espaço destinado à ofensa e à perfídia, uma longa espera para uma oportunidade breve."

Críticas de imprensa
"Romance fervilhante de amores proibidos e intrigas palacianas, baseado numa rigorosa investigação histórica."Expresso
O amor infinito de Pedro e Inês
No novo romance de Luís Rosa não é só o tema que nos deleita, pela sua força inspiradora ao narrar uma das mais trágicas paixões que a nossa memória colectiva jamais esqueceu. É também a vibração da escrita de Luís Rosa que nos faz seguir página a página, numa leitura sem quebras, dando-nos o testemunho de um escritor que sabe contar como poucos. Luís Rosa tem esse dom de transmitir as emoções, dando-lhes uma força e comunicabilidade que dir-se-ia estabelecer uma relação de cumplicidade entre autor e leitor. É como se a história estivesse a ser revivida por quem escreve e quem lê. E tudo isto sem esquecer o rigor histórico posto na investigação dos personagens, do ambiente e sobretudo da intriga que culmina na tragédia que se abateu sobre o amor infinito de Pedro e Inês

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana


Eu sei que sou suspeito para falar sobre este livro, devido à minha preferência literária ser o romance histórico. Comprei o livro, Memórias de Adriano em 2004, por duas razões: primeira, porque tinha curiosidade em ler algo da Marguerite Yourcenar , pois sabia que era uma grande escritora e que inclusivamente tinha sido a primeira mulher a ser eleita à Academia francesa de letras. A segunda razão, porque o meu nome é Adriano, senti curiosidade em saber algo sobre a vida desta personagem, pois além da famosa muralha de Adriano, pouco ou nada sabia sobre ele. O que vos posso dizer é que o livro é excepcional, está muito bem escrito, cheio de reflexões e conteúdos, que não podem deixar alguém indiferente. De seguida transcrevo um excerto do livro, onde podemos constatar a dimensão desta obra.

“Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer de que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas. Li quase tudo quanto os nossos historiadores, os nossos poetas e mesmo os nossos narradores escreveram, apesar de estes últimos serem considerados frívolos, e devo-lhes talvez mais informações do que as que recebi das situações bastante variadas da minha própria vida. A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contra partida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros. Mas estes mentem, mesmo os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns, como Lucano, tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. Outros, pelo contrário, como Petrónio, aligeiram-na, fazem dela uma bola saltitante e vazia, fácil de receber e de atirar num universo sem peso. Os poetas transportam-nos a um mundo mais vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce que este que nos é dado, por isso mesmo diferente e praticamente quase inabitável. Os filósofos, para poderem estudar a realidade pura, submetem-na quase às mesmas transformações a que o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa alguma de um ser ou de um facto, tal como nós o conhecemos, parece subsistir nesses cristais ou nessas cinzas. Os historiadores apresentam-nos, do passado, sistemas excessivamente completos, séries de causas e efeitos exactos e claros de mais para terem sido alguma vez inteiramente verdadeiros; dispõem de novo esta dócil matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os autores de fábulas milésias, não fazem mais, como os carniceiros, que pendurar no açougue pequenos bocados de carne apreciados pelas moscas. Adaptar-me-ia muito mal a um mundo sem livros; mas a realidade não está lá, porque eles a não contêm inteira”
Espero ter aguçado a curiosidade sobre esta obra

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Livros para ir lendo


Nesta obra maravilhosa, Raimond Gaita, um amante de cães e filósofo, conta histórias inspiradoras, e por vezes divertidas, de cães, gatos, abelhas e borboletas. Muitos desses relatos referem-se a animais que conheceu: Jack, a catatua, Gypsy, a cadela e Tosca a gata vadia. Mas, longe de se centrar só na sua experiência, a reflexão de Raimond Gaita abarca autores como J.M. Coetzee e Hannah Arendt e filósofos como Wittgenstein e Descartes.Interroga-se sobre o que pensam e sentem os animais. Será um erro atribuir os conceitos de amor, devoção, lealdade, pesar, coragem ou amizade aos animais? Porque nos importamos tanto com algumas criaturas e tão pouco com outras? Ao proporcionar uma forma diferente de pensar os animais, sugere que será o amor a fornecer-nos o melhor modelo do respeito que lhes devemos.Repleto de relatos inspiradores e considerações acerca das formas como reagimos a tudo, desde aranhas a montanhas, O Cão do Filósofo é comovente, por vezes cómico, e apela constantemente à nossa reflexão.Raimond Gaita nasceu na Alemanha em 1946. É professor de Filosofia Moral no King’s College da Universidade de Londres e professor de Filosofia na Universidade Católica Australiana. As suas obras incluem o premiado Romulus, My Father; Good and Evil: An Absolute Conception e A Common Humanity: Thinking About Love & Truth & Justice.Biografia retirada à FNAC