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quarta-feira, 1 de abril de 2020

O Importante


 

 

Tu, triste Farol solitário
Luz que orienta a embarcação
Porque brilhas lá no alto

Achas-te digno de adulação?

Não te iludas, triste Farol solitário
Ninguém te está a aplaudir
As gaivotas quando batem as asas

É para a água sacudir

Também, o vento não te assobia melodias
É a tua vaidade que te faz acreditar

Que o som do vento
São músicas para te cortejar


O mar não te declama poemas
O som das ondas a enrolar

É o mar, chamando os amantes e os poetas
Para os inspirar

Triste Farol solitário, presunçoso
O que ouves, essa sonoridade
É simplesmente
O eco da tua vaidade

Digo-te, triste Farol solitário
A razão da tua tristeza

Vives na ilusão
A tua alma está presa


 
És um simples Farol
Onde um dia trabalhou um faroleiro
Não te compares ao Farol de Alexandria
Que iluminava o mundo inteiro


José Adriano Gonçalves

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Vácuo

 
 
 
 
 
 
 
 
Um vazio cheio de nadas
Onde a migalha é fartura
Um teu sorriso, um olhar, um simples beijo
Desejava-te um nome completo
Mas foste sempre uma abreviatura



José Adriano Gonçalves

sexta-feira, 25 de maio de 2018

A Borboleta

                                               



Imaginei-te
Apareceste
Fui eu que te criei
Fiz-te bela e livre
Dei-te asas
Criei um jardim
Agora, cá do meu recanto
Fico a ver-te voar entre as flores
 
 
Adriano Gonçalves










 

terça-feira, 28 de junho de 2016

Alfa e Ómega


                      

                       Alfa e Ómega

Tudo tem um princípio e um fim
Apareceste com a sublime beleza de uma aurora boreal
Aprisionaste-me no teu esplendor
Foste; a alegria e a dor
O doce beijo, a palavra amarga
O mais belo sol, a terrível tempestade
A estrela que brilha, a escuridão
Depois, desapareceste, com o encanto do mais belo crepúsculo
E, assim, se cumpriu a vida
Tudo termina, quando a lição está aprendida
Adriano

terça-feira, 7 de junho de 2011

Poema - Mulher ilha

Para todas as mulheres que tal qual uma ilha,que é rodeada por água, são rodeadas por um mar de olhares indiscretos, de onde ecoam burburinhos que fazem lembrar o som da água a enrolar-se com o calhau. Por esta razão, tornam-se ilhas, num imenso mar de gente.




Mulher Ilha,
De sumptuosos contornos
Cinzelados pela natureza,
Rodeada de olhares indiscretos

Oásis dos monomaníacos,
Inspiração dos poetas,
Seu sorriso, é a aurora do dia mais belo,
Seu olhar, o mais lindo crepúsculo,

Mulher de beleza inconstante,
Banhada pela subtileza dos adjectivos,
Umas vezes; mar revolto, montanha agreste
Outras; calmia,letargia da tranquilidade dos vales

Amada sem saber,
Por quem não sabe que à ama,
É a voz do silêncio,
De quem nunca falou de amor,

Esta é a mulher ilha
De virtude inexpugnável,
Aquela que os meus olhos já viram,
Que a minha imaginação perscrutou,

Refúgio
Dos corações naufragados,
Nela encalham
Os destroços do amor.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Gratidão no Amor


Vou colocar um poema do poeta português Carlos Queirós. Só a título de curiosidade ele é irmão da famosa Ofélia Queirós, com quem Fernando Pessoa teve uma relação amorosa . Este poeta é pouco divulgado, mas é muito bom.
Definição de gratidão na Wikipédia - "A gratidão é uma emoção, que envolve um sentimento de dívida emotiva em direcção de outra pessoa; frequentemente acompanhado por um desejo de agradecê-lo, ou reciprocar para um favor que fizeram por você "




Canção Grata

Por tudo o que me deste:
— Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
— Obrigado, obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

Carlos Queiroz, in “Obra Poética, Vol. I”

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Um pouco de Poesia para combater o stress





Uma vez que actualmente as pessoas são normalmente tratadas como se fossem máquinas,desprovidas de sentimentos,aqui vai um poema de José Carlos Ary dos Santos para lembrar que também somos seres sentimentais. Este poema é maravilhosamente interpretado num fado pelo Carlos do Carmo.




Estrela da Tarde


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 23 de março de 2010

Cartas e bilhetinhos de amor com um pouco de humor



Eu nunca escrevi cartas nem bilhetinhos de amor, ou se escrevi,pelo menos nunca entreguei. Talvez porque achasse ridículo.Sempre fui uma pessoa de falar olhos nos olhos.Mas pelo que parece, havia muita gente que gostava de escrever cartas de amor,escreviam tantas, que ás vezes o carteiro acabava por ficar com a namorada. eheheh. Existe um poema escrito por Fernando Pessoa com o heterónimo de Álvaro de Campos,que retrata muito bem as cartas cartas de amor e que passo a transcrever:


Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos, 21-10-1935

Hoje vou escrever um bilhetinho de amor , bastante ridículo, dirigido a Ninguém.Porque sempre gostei muito de Ninguém e até hoje nunca lhe escrevi nem disse nada.

bilhetinho de amor para Ninguém


Os teus olhos são o espelho, onde eu gosto de me ver

O teu corpo , a escultura , que eu gosto de admirar

O teu sorriso, o luar, que faz as noites belas

A tua presença, o sol para me bronzear



A tua voz lembra-me, que o amor existe

O teu rosto faz-me pensar

Gostar de ti é triste

Porque nunca te poderei tocar



Ás vezes és o samba alegre

Outras o triste fado

o teu som, são melodias

Que me mantêm acordado



José Adriano Gonçalves

quarta-feira, 10 de março de 2010

Palavas ao vento.....


Gosto muito de poesia. Ás vezes escrevo umas maluquices, mas acabo por deitar no caixote do lixo. Mas hoje vou colocar uma das minhas tentativas de fazer poesia. O nome do poema é "Lampejo da Mente" e escolhi a foto de uma orquídea, porque além de ser a minha flor preferida, quando vejo uma orquídea sinto uma sensação de pureza. ( coisas de maluco eheheeh)


Lampejo da Mente

Nos labirintos da minha mente
Onde vagueias, nos momentos de solidão
Grito por ti, tu não ouves
Suplico, mas não respondes
Estás tão perto e não te consigo tocar

Nos labirintos da minha mente
Tu és rainha, eu o único súbdito
Nesse lugar que não existe
Tal como tu e eu não existimos
Ordeno o impossível
E a ficção torna-se realidade

Nos labirintos da minha mente
És rainha, mas prisioneira
Prisioneira do que eu gostaria que fosses e não és
Das palavras que eu gostaria de te ouvir e não dizes
Do carinho que me poderias dar e não dás

É nos labirintos da minha mente
Que o súbdito torna-se rei
E a rainha a mais simples da plebe



José Adriano Gonçalves

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Um poema muito lindo



Vou colocar um poema do António Gedeão que gosto muito. O nome deste poema é Lágrima preta. A poesia de Gedeão é fantástica, o seu poema pedra filosofal,que fiz questão de decorar é maravilhoso. Para quem não o conhece recomendo uma visita ao "youtube- Manuel Freire: Pedra filosofal" onde este poema é cantado de forma soberba.Depois digam lá se a poesia portuguesa não é fantástica!...


Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um amor imensurável?


A história mais fascinante que conheço é a de D. Pedro e Inês de Castro. Na minha opinião supera Romeu e Julieta em todos os aspectos. Tivesse sido narrada por um William Shakespeare e seria uma referência mundial. Nada do que já li, consegue igualar esta história. li alguns livros sobre a vida de D. Pedro e Inês de Castro, aliás leio tudo o que apanho sobre este tema, fui visitar os seus túmulos no Mosteiro de Alcobaça, e até acho que sinto inveja de um amor assim! Não sei se é possível quantificar o amor e o ódio, mas nesta história são imensuráveis. – Como ainda não coloquei no blog nenhum poema do Ary dos Santos escolhi o “ Soneto de Inês” um soneto que este grande poeta escreveu em homenagem a Inês de Castro.


Soneto de Inês

Dos olhos corre a água do Mondego
Os cabelos parecem os choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
Dum rei que por amor não pode mais.

Amor imenso que também é cego
Amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
Morta tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes os teus braços
São gaivotas poisadas no regaço
Dum mar azul-turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos
E tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal.

José Carlos Ary dos Santos

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Há palavras que nos beijam





Há palavras que nos beijam como se tivessem boca ? claro que sim, e que beijos tão deliciosos!...
( como é linda a poesia portuguesa)





Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor

( O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte

Alexandre O´Neill

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Simplesmente mais um Poema


Transcrevo um poema do poeta Carlos Queirós. Um poeta, Infelizmente, pouco divulgado. Embora não corroborando com o pensamento deste poema, gostei muito. A propósito de um comentário: Sim é verdade, às vezes, em vez de sermos nós a lermos o poeta é ele quem nos lê.
POEMA:
Ouvir , outrora, era o bastante
Para sentir, enfim , justificada, a vida
E supor que podia , a partir desse instante
Abrir, impunemente ,ao mundo ,confiante
Minha alma enternecida.
Fitar o teu olhar, era um deslumbramento,
Que me transfigurava e me fazia crer
Que depois de viver, na terra, esse momento
--Sereno, como após o extremo sacramento--,
Já podia morrer.
Premia as tuas mãos nas minhas e dizia,
Com profunda emoção:--É só por ti que existo!
Como foi isto, amor?Do nosso olhar, um dia,
Caiu neve no fogo em que a minha alma ardia...
Amor como foi isto?!
Passas por mim, agora, e nada me insinua
Ser a tua presença o derradeiro elo
Que me prendia à vida.-- E a vida continua!
E tudo ,como outrora, ( o Sol, O Mar A Lua ...)
Mesmo sem ti, é belo!
Como havemos de ter, nos outros, confiança?
Que humano sentimento a nossa fé merece?
De que servem, na vida, os ideais e a esperança
Se o próprio amor,-- como os brinquedos ,em criança--,
Tão cedo, para nós, perde o encanto e esquece?!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Confusão





Um Poema de Fernanda de Castro, adequado a quem como eu procura explicações:

Se tudo quanto Existe....
é lenta evolução,
longa transformação
sem Deus e sem mistério;
se tudo no Universo tem sentido
sem o sopro divino;
se o segredo da vida, a criação,
se explica pela ciência,
e a corrente vital
é também consequência;
se a humana consciência
é simple equação....
- que significa a vocação do eterno,
que quer dizer a aspiração do Céu
e o terror do inferno?
E se acaso é o instinto a lei da vida,
se a verdade
é só necessidade
inexorável, lenta, laboriosa,
que sábia explicação
tem esta frágil, esta inútil rosa?

Fernanda de Castro, In " Asa do Espaço"

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ânimo
















Quando o ânimo anda por baixo e para quem não tem fé nas orações, não há nada como ler um bom Poema.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Saudade


Alguns anos atrás li o livro "Confesso que vivi " do Pablo Neruda. É um livro de memórias , muito divertido e fiquei com curiosidade de conhecer melhor a obra deste grande maluco e poeta. Valeu a pena.
A saudade é a solidão acompanhada,
é quando o amor não foi embora,
mas o amado já .....
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos magoa, é não ver um futuro que nos convida....
Saudade é sentir que existe o que não existe mais....
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam....
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
Aquela que nunca amou
E esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Coisas para ir lendo


O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!
Florbela Espanca
BONS AMIGOS
Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!
Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!
Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro para chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora para consolar!
Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direcção.
Amigo é a base quando falta o chão!
Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!
Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!
Machado de Assis
"(...)Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê."
...porque o amor é assim mesmo
...Sente-se...apenas!
Camões
O Mundo é Grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.
(Carlos Drummond de Andrade)
Só temos consciência do belo,
Quando conhecemos o feio.
Só temos consciência do bom,
Quando conhecemos o mau.
Porquanto, o Ser e o Existir,
Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.
O grande e o pequeno são complementares.
O alto e o baixo formam um todo.
O som e o silêncio formam a harmonia.
O passado e o futuro geram o tempo.
Eis porque o sábio age,
Pelo não-agir.
E ensina sem falar.
Aceita tudo que lhe acontece.
Produz tudo e não fica com nada.
O sábio tudo realiza - e nada considera seu.
Tudo faz - e não se apega à sua obra.
Não se prende aos frutos da sua actividade.
Termina a sua obra,
E está sempre no princípio.
E por isso a sua obra prospera.
Lao Tsé

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Identifico-me com este Poema

















PARA SER GRANDE,SÊ INTEIRO:

Para ser grande,sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa


Põe quanto és
No mínimo que fazes


Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive



Este poema foi escrito por Fernando Pessoa com o heterónimo de Ricardo Reis: Eu digo que foi escrito e não que é um Poema de Fernando Pessoa, porque a partir do momento em que o poeta divulga o seu poema, este deixa de ser seu e passa a ser de quem o lê.Cada um dá a própria interpretação. Eu identifico-me com este poema,com a interpretação que agora lhe dou.Mas futuramente,posso dar-lhe outro sentido. Esta é a beleza da poesia, nós vemo-la consoante o nosso estado de "espírito"

“Para ser grande, SÊ inteiro:”
Ser inteiro, é sermos o que somos, aceitarmos a realidade, nos defeitos e nas virtudes. Não é necessariamente sermos perfeitos. È não desvirtuarmos aquilo que somos, é não sermos como a água do mar, que mostra um azul de uma beleza inigualável, mas quando lhe tocamos verificamos que é incolor.
”Nada teu exagera ou exclui”
Não podemos abdicar de nós próprios, a nossa realidade deve sobrepor-se a tudo.Devemos banir das nossas vidas, o que é ilusório e, é usado para manipular as nossas mentes, causando muitas vezes sofrimento.
”SÊ todo em cada coisa”
é viver intensamente cada momento como se fosse o último, mesmo nas mais pequenas coisas. Procurar a felicidade em tudo o que nos rodeia. Viver a vida na sua plenitude e não em pequenos retalhos.
”Põe quanto és no mínimo que fazes”
Devemos dar sempre o nosso máximo, procurar a excelência em tudo o que fazemos. Evitarmos a mediocridade. Quem dá tudo o que tem, a nada mais é obrigado. Esta é uma grande lição de como viver a vida.
”Assim em cada lago a lua toda brilha, porque alta vive”
Nós nascemos, para desfrutarmos de toda a beleza do mundo e temos capacidade de projectar o nosso amor em tudo o que existe, para isso basta sermos como a Lua, vivermos no alto.

sábado, 11 de abril de 2009

Este é obrigatório saber

A balada da neve de Augusto Gil é um poema muito lindo. Uma pequenina parte deste poema fazia parte do meu livro da quarta classe ou primeiro ano ,e essa parte eu nunca me esqueci. Só muito mais tarde tive acesso ao poema completo.Sei-o todo, é daqueles poemas que nunca se esquece

BALADA DA NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria... .
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcitos e, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza . e cai no meu coração.
Augusto Gil

terça-feira, 7 de abril de 2009

Florbela Espanca, no seu melhor






A Vida (Florbela Espanca)


É vão o amor, o ódio, ou o desdém;

Inútil o desejo e o sentimento...

Lançar um grande amor aos pés de alguém

O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo" Pedro Sem",

Uma alegria é feita dum tormento,

Um riso é sempre o eco dum lamento,

Sabe-se lá um beijo de onde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...

Uma saudade morta em nós renasce

Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia.

A gente esquece sempre o bem de um dia.

Que queres, meu Amor, se é isto a vida!