domingo, 10 de abril de 2022
O 4º Princípio Hermético - Polaridade
Para uma melhor perceção deste quarto Princípio é importante ter lido os três anteriores na sequência correta, porque os Princípios Herméticos estão interligados entre si por uma ordem lógica. Quem me tem acompanhado nesta caminhada filosófica sobre o Hermetismo, já verificou através dos Princípios anteriores que tudo o que existe, existe dentro de uma grande Mente e que as leis que regem o Universo são as mesmas que regem o Ser Humano e que nada do que existe está parado, tudo se movimenta e Vibra. O quarto Princípio vem agora ensinar que: “Tudo é dual; tudo tem dois polos; tudo tem o seu oposto; O igual e o desigual são a mesma coisa; Os opostos são idênticos na natureza, mas diferentes em graus; Os extremos tocam-se; Todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados”. Sintetizando, podemos dizer que vivemos num Mundo polarizado onde tudo coexiste com um oposto. Quem entendeu o Princípio da Vibração mais facilmente compreende a razão da bipolaridade que existe em tudo o que nos rodeia e inclusivamente dentro de nós e que esses opostos são apenas os extremos de uma mesma coisa, mas vibrando em graus diferentes. O totalmente bom ou o totalmente mau são simplesmente polos extremos de uma mesma coisa e entre esses dois extremos existem uma grande quantidade de graus (níveis de vibração). A filosofia Taoista através do Yin e do Yang tem muito em comum com o Princípio da Polaridade, o Yin e o Yang representam duas energias opostas e complementares da natureza, onde considerando o Yang como polo positivo este não vive sem o polo negativo Yin e vice-versa.Estas forças opostas necessitam uma da outra para existir, o positivo não significa o bom e o negativo o mau,são apenas o oposto complementar um do outro, como no átomo que tem nos protões carga positiva e nos eletrões carga negativa e numa pilha (bateria) existe um polo positivo e um polo negativo e sem essas duas forças contrárias nem o átomo nem a pilha conseguem produzir energia. O Taoismo diz que o Mundo é composto por essas forças opostas e que encontrar o equilíbrio entre elas é essencial. O Princípio da Polaridade na prática é muito idêntico, mas considerando o polo positivo como a vibração mais alta e o polo negativo a mais baixa e defende que “a tendência da natureza vai em direção à atividade dominante do polo Positivo”. «Amor e Ódio», são simplesmente o nome que damos aos extremos opostos da mesma coisa, «calor e frio», «dia e noite», «alegria e tristeza» «medo e coragem», «ocidente e oriente», também são as mesmas coisas, mas em polos opostos.O calor e o frio são diferenciados apenas por uma escala de temperatura, quanto mais quente vibração mais alta, quanto mais fria vibração mais baixa. Tudo tem o seu oposto e dentro da sua natureza pode ser transmutado. É claro que não podemos transmutar naturezas diferentes, não podemos transformar um nível mental como o ódio num nível físico como água quente, mas podemos dentro da escala vibracional transformar o ódio em amor e a água quente em água fria, tudo é possível de ser transmutado dentro da natureza em que se encontra. O mais importante desta lição é compreendermos que a Polaridade é o que nos habilita a transmutar um estado mental em outro, em nós mesmo ou em outras pessoas, o que nos aflige é o mesmo que nos alegra, mas em polos opostos e sabendo isso tentamos vibrar na polaridade desejada e como aprendemos dentro da mesma natureza tudo pode ser transmudado.
sexta-feira, 25 de março de 2022
O 3º Princípio Hermético - Vibração
Para quem leu os meus últimos artigos sobre os dois primeiros Princípios Herméticos, coloco mais uma peça neste (puzzle) com a ideia de tornar mais percetível a minha opinião sobre estes Princípios filosóficos. O terceiro grande Princípio Hermético é o Principio da Vibração - “Nada está parado, tudo se movimenta, tudo vibra”. Este Princípio Hermético já corroborado pela ciência, explica que tudo o que existe no Universo está em movimento e tem uma vibração própria. O que nós chamamos de matéria e energia são simplesmente “Modos de Movimento vibratório”, e diferenciam-se apenas no seu modo de vibração. Poderemos dizer que a matéria é energia condensada e como tal vibra e a sua vibração é mensurável. Este Principio Hermético dá-nos a entender que além da matéria e da energia, a mente e o espirito também são resultado das ordens variáveis das vibrações. As formas de matéria extremamente densas encontram-se no nível vibracional mais baixo e o espírito no nível de vibração mais elevado, entre esses dois extremos existe uma imensurável quantidade de intensidades e modos de vibração. Hoje é comum ouvir expressões como; frequência das ondas cerebrais, eu gostava de estar numa vibração mais relaxada ou meditativa, inclusivamente já existem monitores de ondas cerebrais sem utilização de elétrodos e que oferecem informação sobre o controlo mental. Nós conhecemos as ondas cerebrais Theta (3,5 a 8 Hz), Gama (25 a 100 Hz), Delta (1 a 3 Hz) verificadas no sono profundo sem sonho, Alfa (8 a 13HZ) que se encontram fundamentalmente quando meditamos ou Beta (14 a 30 HZ) que estão ligadas ao alto poder cognitivo e capacidade de registar informações. Estas ondas cerebrais são ondas eletromagnéticas produto da atividade das células cerebrais e são medidas por meio de ciclos por segundo Hertz (HZ). A amplitude de cada tipo de onda está relacionada com o estado de consciência do momento, que por sua vez define o estado vibracional em que nós nos encontramos. Os nossos níveis de consciência, emoção e energia estão diretamente relacionados entre si. Hawkins foi um médico psiquiatra norte – americano que dedicou a maior parte da sua vida pesquisando a relação das emoções com os níveis de consciência e construiu uma tabela (escala) para medir e quantificar energeticamente esses níveis e assim analisar o ser humano de acordo com o estágio em que se encontra e o correspondente nível consciencial. Se utilizarmos a escala de emoções ou vibracional de Hawkins veremos que quem vive com vibrações mais baixas são as pessoas que sentem medos, sentimentos de culpa, vergonha, tristeza, apatia, quem vive com vibrações mais altas são pessoas altruístas, viradas para o amor, normalmente alegres, felizes e de paz. A compreensão e o estudo minucioso do Princípio da Vibração tornam mais fácil a sua aplicação na própria pessoa, contribuindo em muito para o seu bem-estar e para a criação de uma boa harmonia com aqueles que a rodeiam. O autoconhecimento deste Princípio é libertador e leva-nos a alcançar patamares mais elevados na nossa vida material e espiritual. Na minha opinião o fator mais importante deste Principio é: sabermos que o nível vibracional em nos encontramos influi grandemente na forma como nos sentimos e agimos e que esse fator pode ser manipulável pela própria pessoa. Sendo assim, façam o favor de vibrarem o mais alto possível.
domingo, 13 de março de 2022
O 2º Princípio Hermético - Correspondência
Na sequência do meu propósito de divulgar os sete Princípios Herméticos vou abordar o segundo princípio que é o Princípio da Correspondência e que diz: “O que está em cima é como o que está em baixo e o que está em baixo é como o que está em cima”. Este principio filosófico ensina que as mesmas leis que regem o macrocosmo (Universo) são as mesmas que comandam o microcosmo (Homem). Como diz a velha máxima: “Se compreendermos o nosso corpo, conseguimos compreender o Universo inteiro”. Utilizando a analogia para exemplificar este princípio, podemos comparar o sistema solar com o átomo, no sistema solar temos o Sol fixo e os Planetas orbitando à sua volta, no átomo acontece exatamente a mesma situação, um núcleo fixo (protões e neutrões) e os eletrões tal qual os Planetas orbitando em sua volta. Para dar mais um exemplo de como o que acontece no micro acontece no macro dou o exemplo de uma guerra. Infelizmente hoje temos a invasão da Ucrânia, o país invadido ativou o seu sistema de defesa colocando o seu exército em ação organizada para neutralizar o invasor. Como o Invasor é muito forte também recorreu a ajuda externa, (outros países) para atingir o objetivo. No interior do nosso corpo passa-se exatamente o mesmo, quando somos atacados por bactérias, vírus, fungos ou protozoários o nosso corpo ativa o seu sistema de defesa (sistema imunológico) que de forma organizada tenta neutralizar o invasor. Os macrófagos tentam capturar os invasores e alertam o organismo e os linfócitos identificam os alvos e iniciam a produção de anticorpos para combater o inimigo. E tal como no país invadido se o inimigo é muito forte recorremos à ajuda externa que neste caso é a medicamentosa. Poderia dar muitos exemplos, mas tornaria este artigo enfadonho, o importante é percebermos que este princípio diz que as leis que regem o nosso interior são as mesmas que regem o Universo, o que rege o interior é o que rege o exterior e como tal as nossas ações individuais por muito irrelevantes que possam parecer têm influência no coletivo, que por sua vez têm influência no planeta e concomitantemente no Universo. Embora o Hermetismo seja uma filosofia milenária continua digna de reflexão, pois se analisarmos bem, do homem que nesse tempo se deslocava numa carroça puxada por cavalos até ao homem que hoje viaja de avião a diferença é o meio de transporte, o Homem é o mesmo, as perguntas e a busca das respostas mantêm-se: Como é que tudo começou? Porque existo? O que acontece depois da morte? A minha ideia e como escrevi no início deste artigo é simplesmente divulgar e dar uma opinião muito pessoal sobre os princípios Herméticos sem ter a pretensão de explicar o sentido profundo destes princípios, pois além de não ter conhecimento para tal, também não conheço no vocabulário palavras que consigam explicar o enigma da criação do Universo. Então porque falar sobre estes princípios se não existem consensos quanto à sua interpretação ou utilidade? A razão é porque este tema incentiva a questionar e existem perguntas que se nós fizermos mesmo sem obtermos respostas, são importantes para o nosso progresso como seres humanos.
quarta-feira, 2 de março de 2022
O 1º Princípio Hermético - Mentalismo
A física quântica é o ramo da ciência que perscruta tudo o que é suscetível de ser analisado no Universo, utilizando uma escala microscópica com equações que chegam a ter mais de dez casas decimais. Com uma tecnologia de precisão tão sofisticada a física quântica já conseguiu desvendar muitos dos mistérios do Universo, mas não consegue explicar a razão pelo qual alguns desses fenómenos acontecem. O prémio Nobel da Física, Richard Feynman, diz que o mundo quântico é ininteligível e com o seu sentido de humor muito peculiar disse certa vez: “se você acha que entendeu a física quântica, é porque você não entendeu”. A ciência diz que existem umas partículas indivisíveis chamadas de fundamentais ou elementares que são os “tijolos” que constroem tudo o que há no Universo. Se nos referirmos à formação do ser humano e de uma forma muito simplicista podemos dizer que essas partículas formam átomos, que por sua vez formam moléculas, essas moléculas formam tecidos e órgãos que constroem aquilo que somos. E aqui acaba a ciência de tudo o que é físico e visível e entramos na área do misticismo, ou seja, o que não é visível e mensurável nos laboratórios. Relativamente ao misticismo vou abordar um pouco o Mentalismo que é o primeiro dos sete princípios do Hermetismo. Este princípio diz que:” O Todo é Mente o Universo é Mental”. O Hermetismo é uma antiga doutrina filosófica e esotérica que defende que o Universo é Mental e tudo existe dentro de uma grande Mente que é o Todo (Deus). O que está a acontecer agora, todo o universo, todos os fenómenos, toda a matéria, toda a energia e toda a história acontece numa Mente vivente e Universal. Por detrás de tudo o que existe há sempre um pensamento. Todos os objetos materiais que dispomos ou vemos antes de existirem foram pensados, o Mundo que vivemos é a concretização de pensamentos, uma simples folha de papel, um lápis, seja o que for, não existe sem ter passado primeiro por um pensamento. Segundo o Hermetismo a matéria está submissa à Mente e não a mente à matéria. A nossa vida, a nossa realidade, é puro pensamento, e o que nós concretizamos na nossa vida são os pensamentos que conseguimos realizar. Somos o que pensamos, o que somos surge com os nossos pensamentos e com os nossos pensamentos fazemos o Mundo. Platão na Teoria das Ideias diz que: “Para que exista algo manifesto na realidade, algo físico, é preciso que primeiro tenha sido planeado, tudo nasce e começa no plano das ideias e depois é manifesto no plano material”. Nós somos um fractal do Todo. O que o Hermetismo chama Todo a religião chama Deus e há quem chame Consciência, independentemente do nome que utilizarmos, nós somos o resultado de uma energia criadora e informação atuando no plano físico. O Universo é Mental, logo toda a razão de ser da realidade é Mente. Todos fazemos parte do mesmo projeto, a natureza, os animais, os seres humanos, as galáxias, tudo o que existe no Universo faz parte mesma substância e deve ser tratado com igual reverência. Nós existimos sobre duas formas; um Eu superior onde existe a perfeição e um Eu inferior a vivenciar no plano físico. O nosso objetivo ao longo de várias reencarnações é aproximarmos o nosso Eu inferior do Eu superior até atingirmos uma unificação. Essa evolução passa pela transmutação Mental, ou seja, criar pensamentos elevados no pensamento primário que é a essência, aceitar esses pensamentos e criar condições para os materializar. Se compreendermos o Mentalismo iremos perceber que a ganância o egoísmo pela causa material não tem sentido porque somos uma consciência se experienciando na busca de uma perfeição espiritual. Tudo é frequência, energia e vibração, somos seres espirituais habitando um mundo físico. A nossa forma de pensar influi positiva ou negativamente na nossa saúde, na forma como vivemos, na relação com as outras pessoas, com a natureza, com os outros seres sencientes.
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
A Conferência dos Pássaros
Sendo os neurónios unidades de processamento de informação, segundo a ciência o cérebro humano tem em média 86 biliões destas unidades. Este potencial intelectual dota a espécie humana de uma capacidade de imaginação quase ilimitada. O ser humano questiona inclusivamente a razão da própria existência, qual o sentido da vida e o porquê existir alguma coisa em vez de nada existir. São questões que embora pareçam abstratas e retóricas têm um conteúdo profundo. A filosofia através das suas linhas de pensamento como: Hedonismo, Estoicismo e o Existencialismo formula algumas ideias sobre o sentido da vida. A religião nas suas grandes vertentes: Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, Budismo, Espiritismo e Metafisica, vocifera cada qual à sua maneira as verdades sobre a razão de tudo existir. A ciência com o seu Big Bang e a teoria da evolução de Darwin, também brada a sua verdade sobre existência do universo e como tudo evoluiu. Mas, a realidade é que somos o resultado de um grande mistério e ninguém sabe de onde viemos ou para onde vamos. Acabamos sempre por escolher a resposta com que nos sentimos mais confortáveis e nos dê melhor sentido à vida. Há muito tempo que se fala numa nova era que se aproxima, a era do aquário, também conhecida pela era do ser, onde haverá uma maior consciencialização e transformação positiva do ser humano. Atualmente já vivemos uma mudança de paradigma onde cito entre outras situações o aumento significativo de pessoas nos diversos continentes que alteraram o seu regime alimentar por opção ética, os ativistas ambientais defendendo um maior equilíbrio entre a ação humana e a natureza. A religião não fica alheia ao novo modo de pensar, onde as pessoas começam a procurar o seu desenvolvimento espiritual através da introspeção. Este novo paradigma espiritual é bem retratado num artigo de F. Câncio no DN, são pessoas que acreditam num poder superior, numa força espiritual, oram à sua maneira, pedem e agradecem a essa energia criadora, sentem a presença divina no seu dia a dia, mas rejeitam as religiões convencionais. Believing without Belonging (acreditar sem pertencer) é a expressão inglesa para este movimento em enorme crescimento na europa e nos estados unidos a “não religião” provavelmente um dia será “A nova religião”. Será de perguntar qual é a relação deste texto com o título do artigo? O livro “ A conferência dos pássaros” de Farid UD- Din escrito no século Xll é uma fábula sobre o desenvolvimento espiritual. Conta a história de um grupo de pássaros que iniciam uma viagem a caminho do lugar onde se encontra o seu Deus. Durante a viagem muitos morrem pelo cansaço e pelas dificuldades mas os que completaram a viagem ficaram estupefatos com o que encontraram. Nesse local, à sua frente, só existia um espelho enorme e a única coisa que viam era a si próprios. É nisto que eu acredito, somos seres espirituais numa longa viagem, onde vamos evoluindo através de várias reencarnações, o sentido da vida é evoluirmos a tal ponto que nos encontraremos a nós próprios.
quarta-feira, 21 de julho de 2021
A Fase Final
Quando fazemos 60 anos sabemos que entramos no último terço na nossa viva, no nosso corpo já sentimos o efeito provocado pela oxidação, processo natural provocado pelo oxigénio e que ocorre em todos os organismos vivos. O oxigénio durante o seu processo no metabolismo celular forma os chamados radicais livres que provocam o envelhecimento e concomitantemente um dia provocarão a morte. Esta é uma das muitas brincadeiras do criador com a sua criação, fazendo com que o oxigénio sendo o bem mais precioso para viver seja ele quem um dia provocará a morte. Já Fernando Pessoa escreveu: “Será Deus uma criança grande? O universo inteiro não parece uma brincadeira, uma partida de uma criança travessa”. Podemos viver a fase final da vida sobre uma perspetiva religiosa, filosófica, poética ou simplesmente viver sem pensar sobre o assunto. Eu tenho preferência pela abordagem poética, porque a poesia brota da alma e o poeta consegue inventar sempre novas esperanças, trazendo conforto e beleza mesmo nas situações mais difíceis. Relativamente ao tema em questão, o poeta Mário de Andrade num dos seus poemas faz uma analogia dizendo que contou os seus anos e verificou que tinha menos anos para viver do que aqueles que tinha vivido até esse dia, então, sentiu-se como uma criança que ganhou um monte de doces e o primeiro comeu com avidez, mas quando percebeu que havia poucos, começou a saboreá-los profundamente. Ele acaba o poema dizendo que pretende não desperdiçar nenhum dos últimos doces que ganhou com a certeza de que eles serão mais requintados do que os que comeu até agora. A vida deve ser vivida com equilíbrio, para que possamos desfrutar os nossos últimos dias com requinte. Para que isso aconteça, temos de usar a nosso favor essa máquina fabulosa que é o nosso cérebro, mas se o utilizarmos contra nós, não há nada no universo que nos possa ajudar. Seria bom vivermos de tal forma, que no final da vida tivéssemos uma versão boa da nossa história, uma versão conciliadora com o nosso percurso de vida, sem mágoas ou ressentimentos. Se for possível aliar a isso uma capacidade de desapego, ou seja, sabermos nos despedir das nossas festividades, momentos de alegria, dos nossos filhos que vão prosseguir na sua vida, e compreendermos os ciclos da vida isso tornará a despedida muito menos dolorosa. O processo de envelhecimento sofreu uma enorme mudança nos últimos anos. Se recuarmos aos anos 60 do século XX, uma mulher que não casasse até os 30 anos ficava para “Tia”, a partir dai já era muito velha para um projeto de tal envergadura, hoje o paradigma mudou e as mulheres com mais de 40 anos são jovens e têm filhos. Esta transformação deve-se fundamentalmente à mudança de mentalidade, à prática de atividade física adequada e a uma alimentação equilibrada. Podemos ver o final da vida pensando se a morte é um facto inevitável porque pensar nela, para lembrar que nos vai tirar a vida e a todos aqueles que amamos? Ou se a morte é uma certeza porque não pensar sobre ela, será que a morte precisa ser uma ameaça um acontecimento triste? Quem sabe se pensar sobre a morte nos ajuda a apreciar a vida.
sexta-feira, 30 de abril de 2021
O Egoísmo
O famoso escritor, biólogo evolutivo e ateísta militante, Richard Dawkins, defende no seu livro “O gene egoísta” que os seres humanos e todos os outros animais são simplesmente máquinas criadas pelos seus genes e, que se a nossa espécie sobreviveu milhões de anos num mundo tão competitivo deve-se a uma qualidade que ele considera ser a de um gene bem-sucedido: o seu egoísmo implacável. Por esta razão e segundo ele, a natureza biológica irá sempre contrariar a construção de uma sociedade na qual os indivíduos cooperem generosa e desinteressadamente para o bem-estar comum. Estou em desacordo com esta teoria, pois um gene bem-sucedido que tudo faz para manter a sua sobrevivência não iria deixar destruir o seu habitat, e colocar a sua existência em risco como está acontecendo atualmente. Isto vem a propósito da comemoração do Dia Internacional da Mãe Terra, onde várias organizações ambientalistas, chefes de estado e o presidente da ONU, teceram largas recomendações e alertas para a urgência de todos nós tomarmos ações sobre as mudanças climáticas. Mas, palavras leva-as o vento. O busílis da questão é o egoísmo, que ao contrário de virtude conforme defende Dawkins é um defeito, pois considera tudo só pelas vantagens que pode auferir e só tem em conta os próprios interesses com desprezo e em detrimento dos interesses alheios. As alterações climáticas e o esgotamento dos recursos naturais são sintomas, a doença é o egoísmo, sendo necessário atuar na sua causa. O desenvolvimento da economia é uma necessidade, precisamos de produzir para que se viva em conformidade, mas este desenvolvimento não deve ser feito só para proveito pessoal, deve ter em conta o bem-estar de toda a humanidade, da economia em geral, da sociedade e da natureza como um todo. As pessoas na sua generalidade estão de acordo em ter atitudes de preservação do meio ambiente e de baixo consumo dos recursos naturais, mas desde que não interfira no seu comodismo e com as suas realizações pessoais. Há muitos anos li uma história que me fez refletir e que muito resumidamente era assim: Alexandre o Grande quando chegou a Atenas teve conhecimento que por lá andava o grande sábio Diógenes e foi falar com ele. Diógenes encontrava-se deitado no chão a apanhar sol e Alexandre apresentou-se e disse-lhe: “pede o que quiseres que eu te dou”, Diógenes levantando os olhos respondeu: “Apenas não me tire o que não me pode dar”, Alexandre percebendo que se posicionara entre o sol e Diógenes e estava fazendo-lhe sombra, perplexo com o que tinha ouvido afastou-se. A lição que podemos tirar desta história é que para Diógenes o sol era mais importante que as riquezas que Alexandre lhe queria dar, ou seja, a natureza era mais importante que os bens materiais. Só faltam 0,3ᵒC para cairmos no abismo, ou seja, atingirmos o aumento de temperatura de 1,5ᵒC acima da temperatura média global registada na época pré-industrial, mas o nosso egoísmo cega-nos e como Tolstói escreveu: “Há quem passe por um bosque e só veja lenha para a fogueira”.
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