quinta-feira, 15 de julho de 2010

Desbravar terreno - Desporto adaptado


A selecção Nacional de Atletismo ANDDI- Portugal, participou no 5º Campeonato da Europa de Atletismo INAS – FID, realizado em Varazdin na Croácia. Os resultados desportivos superaram as expectativas.
Além dos diversos títulos individuais, colectivamente Portugal foi campeão da Europa no sector masculino e vice – campeão no sector feminino.
Mais uma vez tive o privilégio de integrar a equipa técnica que acompanhou a nossa selecção. Um Grupo maravilhoso de pessoas que só se encontram esporadicamente, mas que rapidamente criam empatias e reúnem sinergias que permitem os nossos atletas concretizarem os desideratos propostos. Os atletas geriram da melhor forma possível as suas limitações e foram exemplares no seu comportamento.
Como o desporto adaptado não tem grande visibilidade nos órgãos de comunicação social, e tendo em conta a importância da sua divulgação, a mesma deve ser efectuada por todos aqueles que de alguma forma estejam ligados ao sector. Por esta razão vou utilizar o meu humilde blogue para tecer umas breves considerações sobre esta temática.
Começo por citar ( Winnick 1997) numa definição de desporto adaptado “ Experiências desportivas modificadas ou especialmente designadas para suprir as necessidades especiais de indivíduos. O âmbito do desporto adaptado inclui a integração de pessoas portadoras de deficiências com pessoas normais, e lugares nos quais que se incluem apenas pessoas com condições de deficiência”
Com o objectivo de demonstrar a importância desta actividade faço também referência à Constituição Portuguesa, que consagra o direito à cultura física e ao desporto para todos. Este aspecto é reforçado por um artigo da lei de Bases do Desporto que coloca o desporto como factor indispensável na formação da pessoa e no desenvolvimento da sociedade, fazendo também referência ao valor da prática desportiva para os cidadãos portadores de deficiência, tanto no desporto de recreação, como na prática do desporto de alta competição.
O problema é que a constituição, estatutos de Associações, Federações e definições de grandes pensadores nunca colocarão um único indivíduo com deficiência a praticar desporto ou uma outra actividade qualquer. Para que isso aconteça, é necessária a intervenção Humana na prática, fundamentalmente por indivíduos altruístas (no verdadeiro sentido da palavra), que de uma forma abnegada se dediquem à causa.
Fico feliz por Portugal continuar a ser um exemplo no desporto Adaptado, fundamentalmente na área da deficiência mental/ incapacidade intelectual, onde os resultados desportivos têm atingido a excelência. Os atletas portugueses através dos seus êxitos estão a desbravar um caminho onde ainda existem muitos obstáculos, que penso, só poderem ser removidos através de momentos de felicidade como aqueles que vivemos neste campeonato. E eu digo isto, porque sei que a felicidade é contagiante.
Parabéns à ANDDI- Portugal, e a todos aqueles que de alguma forma deram o seu contributo para mais este êxito desportivo. Mas não posso deixar de fazer uma referência especial ao Seleccionador Nacional Costa Pereira o grande dinamizador e ao Atleta Lenine Cunha que pela forma como exprimirem os seus sentimentos, dentro e fora das pistas, são um autêntico espectáculo dentro de um espectáculo.
E como disse na reunião de encerramento “ estes campeonatos sem a presença destas duas personagens, nunca serão a mesma coisa “
Um Pensamento:
” O desporto tem o mérito de dar visibilidade às visibilidades dos indivíduos, e não às suas dificuldades, pois ninguém pratica uma actividade desportiva e recreativa em que não tenha oportunidade de colocar em evidência as suas capacidades”
Aqui vai um link fornecido pela fisioterapeuta Maria João com uma sessão fotografica do atleta Lenine Cunha ( fotos tiradas no 5º Campeonato da Europa na Croácia)
http://www.youtube.com/watch?v=tRvh2M1vU7c

quinta-feira, 1 de julho de 2010

As razões de um povo triste - Apenas a minha opinião


Ontem falava com um amigo e questionava o porquê do sentimento de fatalidade do povo português. De eu achar que na sua essência, o nosso povo é triste. Porque é que nós temos o Fado e os brasileiros o Samba?
Na sequência dessa conversa, nasce este artigo, onde eu vejo algumas razões, do porquê de sermos assim.
Normalmente quando se conta a história de um País, evitamos falar das derrotas, preferimos enaltecer tudo o que de bom foi feito. Hoje vou escrever umas breves notas, sobre as grandes derrotas de Portugal.
A primeira grande derrota foi a quatro de Agosto de 1578 com a batalha de Alcácer Quibir. A teimosia de um rei sem experiência militar, e que se recusava terminantemente a seguir os conselhos dos seus capitães, esses sim, homens com conhecimento na arte de guerrear, fez dessa batalha o maior desastre da história militar portuguesa.
D. Sebastião organizou um exército com cerca de 17000 homens para atacar o norte de África. Cometeu muitas imprudências, não teve em consideração as regras mais básicas para defrontar um inimigo que além de estar a lutar no seu terreno, tinha um exército com cerca de 60000 guerreiros, ou seja, ultrapassava os portugueses numa proporção de 4 para 1.
Entre os muitos erros cometidos existem três que foram decisivos: 1º O percurso entre Arzila e Larache foi feito a pé, quando deveria ter sido feito de barco, o que desgastou fisicamente o nosso exército.2º Saiu de Larache que é uma zona costeira e onde poderia ter o apoio do poder de fogo dos navios, aliás estratégia essa, com grandes resultados em outras acções deste género e dirige-se para Alcácer Quibir, onde vai lutar numa zona quase desértica. 3ª A hora do combate que segundo consta deu-se perto do meio-dia, a hora em que havia mais calor. Dessa batalha poucos portugueses voltaram. O Rei provavelmente foi morto, embora o seu corpo nunca tenha sido encontrado.
Os efeitos desta batalha foram muito além das perdas humanas. Aproveitando essa situação Filipe ll de Espanha, invadiu Portugal derrubando um exército fragilizado que apoiava D. António o Prior do Crato. E assim Portugal ficou 60 anos sobre o Domínio Espanhol.
Filipe ll de Espanha passou a ser Filipe l de Portugal.
E aqui segue-se mais uma grande derrota. Filipe ll resolve construir a chamada “Invencível Armada “ para invadir a Inglaterra. Esta esquadra com 130 barcos, saiu de Lisboa a 28 de Maio de 1588. Aproximadamente um terço desta frota (43 navios) era português. Um dos principais esquadrões de batalha era chamado de “ Esquadra Portugal” contendo alguns dos melhores Galeões de guerra do Mundo. A maior parte dos navios foram destruídos. Foi uma humilhante derrota para os Espanhóis com graves repercussões para Portugal.
Depois vieram as invasões francesas em 1807.Em 1808 a Família Real com mais cerca de 10000 pessoas, onde se contava praticamente toda a aristocracia portuguesa, ministros, sacerdotes, criados, documentos e tudo o que era de valor, vão de abalada para o Brasil.
Como aquilo por lá era bom, só regressaram em 1921.
Por cá ficou o povo português, com a ajuda? Dos ingleses a combater os franceses e a sofrer maltrates e humilhações dos franceses e posteriormente dos ingleses, que se achavam no direito de punir e escravizar aqueles que ajudaram a salvar.
Mas como se isso não chegasse, veio o D. Miguel que ficou dono da coroa portuguesa, e depois vem o D. Pedro, que abdicou do título de Imperador do Brasil, para combater o irmão e colocar a sua filha D. Maria ll no trono de Portugal. Foi uma guerra civil, entre os absolutistas e os Liberais, para fazer sofrer um povo que já tanto tinha sofrido.
Também temos a batalha de La LYS, onde as tropas alemães provocaram uma estrondosa derrota ás tropas portuguesas. Esta é sem sombra de dúvidas a segunda maior catástrofe militar portuguesa a seguir a Alcácer Quibir.
Portugal tinha cerca de 20000 homens, mal armados e em condições precárias. Inclusivamente, alguns oficiais portugueses, já tinham comunicado ao governo português o estado de calamidade em que se encontravam as nossas tropas. Portugal tinha cerca de 15000 soldados nas primeiras linhas de combate, que foram impotentes para sustentar o embate com oito divisões do 6º exército Alemão, constituído por cerca de 55000 homens. As tropas portuguesas em apenas quatro horas, perderam cerca de 7500 homens, entre os quais 327 oficiais. Eu acho que dá para imaginar um pouco o que se passou por lá.
Estas breves linhas sobre alguns acontecimentos menos felizes e seguindo a minha reflexão, não são os únicos motivos para não sermos um povo de grandes euforias.
A Inquisição, quarenta e um anos (1933 a 1974) de ditadura .Uma guerra colonial (1959 até 1975) em que Portugal combatia simultâneamente em Angola, Moçambique, Cabinda, Guiné, Timor, entre outras colónias, também contribuíram em muito para o que somos.
Como podemos constatar, este é um povo que durante gerações não teve razões para rir, e isso ficou no nosso código genético. Ensinaram a este povo que quando tivesse dificuldades, rezasse a Fátima que ela iria ajudar. Deram-lhe o Futebol ao fim de semana para poder distrair-se, e o fado para através da canção, contar os seus lamentos.
Não lhe deram cultura, pois não interessava que o povo soubesse que havia algo mais que os três efes, (Fátima, Futebol e Fado)
Aos poucos vamos aprender a ser alegres e optimistas. A felicidade também se aprende.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Uma estranha tristeza

Uma estranha tristeza. Morreu Saramago, mas não partiu só, pois como ele uma vez disse “ Quando eu me for deste mundo, partirão duas pessoas. Sairei, de mão dada, com essa criança que sempre fui” .
Foi uma pessoa por quem nunca nutri simpatia. Talvez pelo seu semblante tristonho, pelas suas opções politicas ou pela forma agressiva (digo eu) que exprimia as suas opiniões.
Mas ao saber da sua morte, senti uma tristeza, um sentimento que eu não sei bem explicar. É o único prémio Nobel da língua portuguesa, é português, já vendeu mais de 10milhões de livros pelo mundo inteiro, e se não existissem outras razões, acho que estas deveriam ser suficientes para que eu tivesse alguma admiração por ele. Nem que fosse uma divida de gratidão pela projecção que ele deu à língua portuguesa.
Além do mais, ao ver, ouvir, e ler as suas entrevistas, revejo-me em muitas das suas opiniões. Frases como “ Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos” e usando os exemplos de violência ocorrida na Índia, Israel e outros Países, supostamente por motivos religiosos expressou a sua ideia de que “ as religiões, todas elas sem excepção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, mas pelo contrário, foram e continuam a ser a causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais” o facto de ser uma pessoa de rotura com o sistema, desde a sua forma de escrever até a sua forma de pensar e (provocar) nas pessoas novas formas de pensar, são factos em que eu me revejo. Por esta e muitas outras razões, não compreendo o meu distanciamento desta personalidade.
Um dos meus passatempos favoritos é ler, e nunca li um livro do Saramago. O primeiro livro que comprei do Saramago foi O Evangelho Segundo Jesus Cristo, comecei a ler, fiquei pelo terceiro capitulo e ofereci o livro. Depois comprei o Ensaio sobre a cegueira, fiquei mais ou menos pelo mesmo numero páginas e ofereci o livro. As minhas filhas ofereceram-me A Viagem do Elefante, mas também não li. Acho que um dia destes vou ler, A viagem do Elefante e depois irei comprar o Memorial do Convento, pois é um livro que me desperta muita curiosidade.
Mas há uma coisa que o Saramago não disse, é que ele assim como os religiosos defendia uma ideologia (politica) e a ideologia que ele defendia e outras, também nunca serviram para congraçar os homens e também foram causas de muitos sofrimentos.
Se formos contabilizar o sofrimento e as mortes causadas pelas religiões, começando pelas cruzadas, passando pela inquisição e indo até aos dias de hoje. Penso que não ficam nada a dever ao sofrimento e mortes causadas pelas ideologias politicas com as revoluções comunistas, socialistas, fascistas, etc. Não sei quais das duas maior sofrimento e mortes causou e ainda causa.
De qualquer forma, a estranha tristeza que senti, acho que tem a ver com o facto de nunca ter conseguido separar a opinião que fabriquei sobre a sua pessoa e a obra que sempre me recusei a ler.
A terminar, resta lembrar, que os fanatismos não são bons para nenhuma sociedade. Vivemos em sociedade, mas cada pessoa deve pensar sempre por si e nunca ser um seguidor cego de qualquer ideologia, seja ela qual for. Podemos votar em pessoas e não em partidos, podemos acreditar em Deus e não nas religiões, podemos ver futebol sem sermos facciosos, etc. É difícil? Eu acho que não. Eu experimentei ser assim e estou a dar-me muito bem.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cromos - uma colecção e uma lição




Quando eu era miúdo coleccionava cromos (estampas coloridas) com jogadores de futebol. Eram rebuçados (balas) de açúcar que traziam embrulhados as fotos dos craques com um número no verso. Depois comprava uma caderneta e começava a cola-los nos respectivos números (como não tinha cola, fazia uma mistura de farinha com água), só que em milhares de cromos havia um que era único, não era repetido, esse era conhecido pelo premiado. Sem ele não se completava a caderneta que daria uma bola de futebol em cautchouc (coisa fina para a altura). Durante a minha infância e tal como milhares de miúdos coleccionei cadernetas incompletas, pois faltava sempre o premiado.
Com as colecções de cromos, além dos nomes dos jogadores, também aprendi a negociar. Por vezes tinha que dar muitos cromos em troca de um e vice-versa. Ajudou-me na criatividade, e foram as minhas primeiras lições sobre organização (que acabei por nunca aplicar, sou desorganizado por natureza). Mas a grande lição foi com o premiado que nunca vinha parar ás minhas mãos. Através dele, fiquei a saber que há coisas na vida que temos que “lutar” muito para obter e mesmo quando damos o nosso máximo não conseguimos. Mas também aprendi que vale a pena lutar, e que quando termina uma colecção mesmo incompleta, aparecerá outra, para tentarmos completar. Fazendo uma analogia com a minha vida, ainda hoje continuo a fechar cadernetas incompletas, embora já me tenham saído alguns premiados (onde coloco os meus filhos), mas em muitas situações ainda procuro premiados, pois há cadernetas da minha vida que estão incompletas. Mas sei que, com a lição que aprendi com os cromos, até o último dia da minha vida, não deixarei de tentar completa-las.
Continuando a divagar:
Na Terça-feira fui buscar o meu filho à escola (infelizmente um acontecimento raro) e deparei-me com um enorme alvoroço. Da sala do meu filho não saía nenhum aluno. Estavam vários pais à porta da sala num autentico burburinho.
No Pátio os alunos estavam todos organizados em Grupos, havia alguns empurrões, faziam um ruído e uns movimentos que fazia lembrar uma feira. Após algum tempo, fiquei a saber que os alunos da sala do meu filho não podiam sair, porque um aluno tinha-se apropriado indevidamente dos cromos de um colega. A agitação no Pátio, era devido à troca de cromos de jogadores de Futebol. As conversas eram todas à voltas dos jogadores, Já tens o Messi? E o Ronaldo? Queres trocar?
Quem diria que estes putos, os tais da playstation portátil, game boy, phonescoop e outros avanços tecnológicos, andavam seduzidos pelos pedacinhos de papel com fotografias de jogadores de futebol, tal qual os miúdos há 40 ou talvez 50 anos atrás. Afinal eles não são diferentes! UFF que alivio.
Deram-lhe uns cromos e a mão que segurava a tecnologia passou logo a segurar uma simples caderneta.
Os cromos já não trazem o doce de açúcar, o que é muito bom para a saúde. Também já não é preciso cola , pois são auto-colantes, não há o premiado, nem prémio para quem completa a caderneta, mas o entusiasmo é o mesmo.
Espero que expliquem aos miúdos que uma colecção de cromos, além do respectivo divertimento, tem outros atributos, que podem ser úteis.
Quando eles não conseguirem os cromos que pretendem, não os deixem desistir da colecção, e digam-lhes o que estão aprendendo com isso. Eles precisam de ter sempre uma forma positiva de ver qualquer situação , por muito ruim que ela seja.
Vendo bem as coisas, tanto podemos dizer que as rosas têm espinhos, como podemos dizer que os espinhos Têm rosas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010



Comprei o áudio livro do principezinho. Comprei com o pretexto de oferecer ao meu filho, mas claro que já sabia que a oferta ia ser mais para mim do que para ele. Afinal o fã desta história sou eu, e não ele. Não vou falar sobre o livro, pois já o fiz num artigo deste blogue. O áudio livro narrado e interpretado por Pedro Granger está muito bom. Quem gosta da história deve comprar, pois vai ficar maravilhado com a forma como o livro é lido, e quem não gosta da história também deve comprar, pois vai passar a gostar. Eu poucas vezes li histórias para os meus filhos, quem o faz normalmente é a mãe deles, mas ao ouvir esta história via áudio, fiquei a saber duas coisas: Uma, é que ouvir alguém ler uma história é muito bom, a outra é que nunca alguém tinha lido uma história para mim. Sinceramente nunca tinha pensado nisso. Mas ao ouvir esta história, fiquei tal qual um miúdo, ia ouvindo e imaginando, imaginava o Rei,um rei gordo eheheh, como seria o vaidoso, o acendedor de candeeiros, as expressões do principezinho quando ouvia a lição da raposa. Foi assim que tive uma nova sensação,e descobri que nunca alguém tinha lido uma história para mim.
Nota.: A todos como eu, que nunca tiveram alguém que lhes lesse uma história, peçam a alguém que lhes leia, pois vale a pena. Se não houver alguém para ler, já sabem, compram um áudio livro, sentam-se confortavelmente num sofá, vão ouvindo e deixando a imaginação fluir.( é mil vezes melhor que ver um jogo de futebol na televisão e nem é preciso beber cerveja e comer amendoim. eheheheh)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prometo reflectir


Gosto muito de ler sobre a filosofia oriental, fundamentalmente sobre os ensinamentos de Siddartha Gautama, mais conhecido por Buda. Por isso vou aproveitar uma reflexão atribuída ao "iluminado" para pensar um pouco sobre a minha vida. Para mim o que é importante é o conteúdo do texto,e não o nome do autor. Esta é uma reflexão que já conheço à muitos anos, mas acho que chegou à altura de debruçar-me um pouco sobre a mesma.( até pode ser que sirva para mais alguém)
A reflexão é a seguinte:

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde; Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro; Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido. ( Buda ) ou (Dalai Lama)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Império português - até parece mentira


Eu gosto muito de ler sobre história, fundamentalmente história de Portugal. Em relação à história de Portugal, há duas coisas que me fazem muita confusão: A primeira é, como é que Portugal conseguiu derrotar exércitos numericamente tão superiores, como o Castelhano na famosa batalha de Aljubarrota onde a diferença era de 5 castelhanos para um português ou do Indiano na ocupação das províncias de Goa, Damão e Diu. A segunda é, como foi possível um país tão pequeno, ter ocupado tantos territórios. Alguns desses territórios com uma grande dimensão territorial, como o Brasil, Angola, Moçambique ou o arquipélago dos Açores que é composto por nove ilhas, todas habitadas. Em baixo coloco uma lista dos territórios ocupados por Portugal e as respectivas datas de ocupação. (retirei a lista do site lusoafrica.net)

Territórios do Império Português

Acra (1557-1578)

Açores - colónia (1427-1766); capitania - geral (1766-1831); antigo distrito além-mar (1831-1976). Região autónoma desde 1976.

Angola - colónia (1575-1589); colónia real (1589-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1975). Tornou-se independente em 1975.
Arguim - Feitoria, foi ocupada pelos Holandeses (1455-1639).
Bahrein (1521-1602)
Bandar Abbas (Irão) (1506-1615)
Brasil - possessão conhecida como Ilha de Vera Cruz, mais tarde Terra de Santa Cruz (1500-1530); Colónia (1530- 1714); Vice-Reino (1714-1815); Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), tornou-se independente em 1822.
Cabinda - protectorado (1883-1887); distrito do Congo (Português) (1887-1921); intendência subordinada a Maquela (1921-1922); dependência como distrito do Zaire (Português) (1922-1930); Independência do Zaire e Cabinda (1930-1932); intendência de Angola (1932-1934); dependência de Angola (1934-1945); restaurada como distrito (1946-1975). Controlada pela Frente Nacional para a Libertação de Angola como parte da Angola tornada independente em 1975 não reconhecida por Portugal nem Angola.
Cabo Verde - colonização (1462-1495); domínio das colónias reais (1495-1587); colónia real (1587-1951); província ultramarina (1951-1974); república autónoma (1974-1975). Independência em 1975.
Ceilão - colónia (1597-1658). Os holandeses apoderaram-se do seu controlo em 1656, Jaffna usurpada em 1658.
Cisplatina - Ocupada por Portugal em 1808, Capitania do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1817, aderiu como província ao Império do Brasil em 1822 e tornou-se independente em 1827 com o nome de Uruguai.
Costa do Ouro Portuguesa - (1482-1642), cedida à Costa do Ouro Holandesa em 1642
Fernando Pó e Ano Bom - colónias (1474-1778). Cedidas a Espanha em 1778.
Guiana Francesa - ocupação (1809-1817). Restituída a França em 1817.
Guiné Portuguesa (actual Guiné-Bissau) - colónia (1879-1951); província ultramarina (1951-1974). Independência unilateral declarada em 1973, reconhecida por Portugal em 1974.
Cacheu - capitania (1640-1879). União com Bissau em 1879.
Bissau - colonização sob Cacheu (1687-1696); capitania (1696-1707); abandonada (1707-1753); colónia separada de Cabo Verde (1753-1879). União com Cacheu em 1879.
Índia Portuguesa - província ultramarina (1946-1962). Anexada à Índia em 1962 e reconhecida por Portugal em 1974.
Baçaim - possessão (1535-1739)
Bombaim (também chamada de "Mumbai") - possessão (1534-1661)
Cananor - possessão (1502-1663)
Calecute - posto fortificado (1512-1525)
Cochim (1500-1663)
Chaul (1521-1740)
Chittagong (1528-1666)
Cranganor (1536-1662)
Damão - aquisição em 1559. União com a província ultramarina em 1946.
Diu - aquisição em 1535. União com a província ultramarina em 1946.
Dadrá e Nagar Haveli - aquisições em 1779. Ocupadas pela Índia em 1954.
Goa - colónia (1510-1946). Tornou-se parte de província ultramarina em 1946.
Hughli (1579-1632)
Coulão (1502-1661)
Masulipatão (1598-1610)
Mangalore (1568-1659)
Nagapattinam (1507-1657)
Paliacate (1518-1619)
Salsette (1534-1737)
São Tomé de Meliapore - colonização (1523-1662; 1687-1749)
Surate (1540-1612)
Thoothukudi (1548-1658)
Indonésia (enclaves) Possessões portuguesas entre os séculos XVI-XIX.
Bante - Feitoria portuguesa (Século XVI-XVIII)
Flores - Possessão portuguesa (século XVI-XIX)
Macassar - Feitoria portuguesa (Século XVI-XVII)
Laquedivas (1498-1545)
Liampo (1533-1545)
Macau - colonização (1554-1557), território cedido subordinado a Goa (1557-1844); província ultramarina (1844-1883); província ultramarina conjunta com Timor-Leste em relação a Goa (1883-1951); província ultramarina (1951-1975); território chinês sob administração portuguesa (1975-1999). Restituída à República Popular da China como região administrativa especial em 1999.
Península de Macau - ocupação e colonização em 1554
Coloane - ocupação em 1864
Taipa - ocupação em 1851
Ilha Verde - incorporada em 1890
Ilhas Lapa, Dom João e Montanha - ocupação (1938-1941). Tomada de novo ao Japão e restituída à China.
Madeira - possessão (1418-1420); colónia (1420-1580); colónia real (1580-1834); distrito (1834-1976). Declarada região autónoma em 1976.
Malaca - conquistada (1511-1641); perdida para os holandeses.
Maldivas - ocupação (1518-1573)
Marrocos (enclaves):
Ceuta - possessão (1415-1668). Foi cedida à Espanha em 1668.
Aguz (1506-1525)
Alcácer-Ceguer/El Qsar es Seghir (1458-1550)
Arzila (1471-1550; 1577-1589). Restituída a Marrocos em 1589.
Azamor (1513-1541). Cidade restituída a Marrocos em 1541.
Essaouira (antigamente chamava-se "Mogador") (1506-1525)
Mazagão/El Jadida (1485-1550); possessão (1506-1769). Incorporação em Marrocos em 1769.
Safim (1488-1541)
Santa Cruz do Cabo de Gué/Agadir (1505-1541)
Tanger (1471-1662). Cedida à Inglaterra em 1662.
Mascate (Omã) - possessão portuguesa subordinada ao Vice-Reino de Goa (1500-1690).
Melinde - Feitoria portuguesa (1500-1630).
Moçambique - possessão (1498-1501); subordinada a Goa (1501-1569); capitania-geral (1569-1609); colónia subordinada a Goa (1609-1752); colónia (1752-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1974); governo de transição integrando representantes de Portugal e da Frelimo (1974-1975). Independência em 1975.
Molucas
Amboina - colonização (1576-1605)
Ternate - colonização (1522-1575)
Tidore - colónia (1578-1605). Pilhada pelos holandeses em 1605.
Mombaça (Quénia) - ocupação (1593-1638); colónia subordinada a Goa (1638-1698; 1728-1729). Sob a soberania do Omã desde 1729.
Nagasaki (1571-1639). Perdida aos holandeses.
Nova Colónia do Sacramento - colónia (1680; 1683-1705; 1715-1777). Cedida à Espanha em 1777.
Ormuz - possessão subordinada a Goa (1515-1622). Incorporada no Império Persa em 1622.
Forte de Queixome - construído na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz (1621-1622)
Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz - ilha de Gerun, no Estreito de Ormuz (1615-1622)
Quíloa - possessão (1502-1661)
São João Baptista de Ajudá - forte subordinado ao Brasil (1721-1730); subordinada a São Tomé e Príncipe (1865-1869). Anexado a Daomé em 1961.
São Jorge da Mina (1482-1637). Ocupação holandesa em 1637.
São Tomé e Príncipe - colónia real (1753-1951); província ultramarina (1951-1971); administração local (1971-1975). Independência em 1975. União com a Ilha do Príncipe em 1753.
São Tomé - possessão (1470-1485); colónia (1485-1522); colónia real (1522-1641); administração durante a ocupação holandesa (1641-1648). Ocupação francesa em 1648.
Ilha do Príncipe - colónia (1500-1573). União com São Tomé em 1753.
Socotorá - possessão (1506-1511). Tornou-se parte do Sultanado Mahri de Qishn e Suqutra.
Timor-Leste - colónia subordinada à Índia Portuguesa (1642-1844); subordinada a Macau (1844-1896); colónia separada (1896-1951); província ultramarina (1951-1975); república e proclamada independência unilateral, anexada à Indonésia (1975-1999), reconhecimento da ONU como território português. Administração da ONU de 1999 até à Independência em 2002.
Tanganica (Actual Tanzânia) - Estabelecimentos portugueses criados no litoral (1500-1630).