sexta-feira, 11 de junho de 2010

Cromos - uma colecção e uma lição




Quando eu era miúdo coleccionava cromos (estampas coloridas) com jogadores de futebol. Eram rebuçados (balas) de açúcar que traziam embrulhados as fotos dos craques com um número no verso. Depois comprava uma caderneta e começava a cola-los nos respectivos números (como não tinha cola, fazia uma mistura de farinha com água), só que em milhares de cromos havia um que era único, não era repetido, esse era conhecido pelo premiado. Sem ele não se completava a caderneta que daria uma bola de futebol em cautchouc (coisa fina para a altura). Durante a minha infância e tal como milhares de miúdos coleccionei cadernetas incompletas, pois faltava sempre o premiado.
Com as colecções de cromos, além dos nomes dos jogadores, também aprendi a negociar. Por vezes tinha que dar muitos cromos em troca de um e vice-versa. Ajudou-me na criatividade, e foram as minhas primeiras lições sobre organização (que acabei por nunca aplicar, sou desorganizado por natureza). Mas a grande lição foi com o premiado que nunca vinha parar ás minhas mãos. Através dele, fiquei a saber que há coisas na vida que temos que “lutar” muito para obter e mesmo quando damos o nosso máximo não conseguimos. Mas também aprendi que vale a pena lutar, e que quando termina uma colecção mesmo incompleta, aparecerá outra, para tentarmos completar. Fazendo uma analogia com a minha vida, ainda hoje continuo a fechar cadernetas incompletas, embora já me tenham saído alguns premiados (onde coloco os meus filhos), mas em muitas situações ainda procuro premiados, pois há cadernetas da minha vida que estão incompletas. Mas sei que, com a lição que aprendi com os cromos, até o último dia da minha vida, não deixarei de tentar completa-las.
Continuando a divagar:
Na Terça-feira fui buscar o meu filho à escola (infelizmente um acontecimento raro) e deparei-me com um enorme alvoroço. Da sala do meu filho não saía nenhum aluno. Estavam vários pais à porta da sala num autentico burburinho.
No Pátio os alunos estavam todos organizados em Grupos, havia alguns empurrões, faziam um ruído e uns movimentos que fazia lembrar uma feira. Após algum tempo, fiquei a saber que os alunos da sala do meu filho não podiam sair, porque um aluno tinha-se apropriado indevidamente dos cromos de um colega. A agitação no Pátio, era devido à troca de cromos de jogadores de Futebol. As conversas eram todas à voltas dos jogadores, Já tens o Messi? E o Ronaldo? Queres trocar?
Quem diria que estes putos, os tais da playstation portátil, game boy, phonescoop e outros avanços tecnológicos, andavam seduzidos pelos pedacinhos de papel com fotografias de jogadores de futebol, tal qual os miúdos há 40 ou talvez 50 anos atrás. Afinal eles não são diferentes! UFF que alivio.
Deram-lhe uns cromos e a mão que segurava a tecnologia passou logo a segurar uma simples caderneta.
Os cromos já não trazem o doce de açúcar, o que é muito bom para a saúde. Também já não é preciso cola , pois são auto-colantes, não há o premiado, nem prémio para quem completa a caderneta, mas o entusiasmo é o mesmo.
Espero que expliquem aos miúdos que uma colecção de cromos, além do respectivo divertimento, tem outros atributos, que podem ser úteis.
Quando eles não conseguirem os cromos que pretendem, não os deixem desistir da colecção, e digam-lhes o que estão aprendendo com isso. Eles precisam de ter sempre uma forma positiva de ver qualquer situação , por muito ruim que ela seja.
Vendo bem as coisas, tanto podemos dizer que as rosas têm espinhos, como podemos dizer que os espinhos Têm rosas.

segunda-feira, 7 de junho de 2010



Comprei o áudio livro do principezinho. Comprei com o pretexto de oferecer ao meu filho, mas claro que já sabia que a oferta ia ser mais para mim do que para ele. Afinal o fã desta história sou eu, e não ele. Não vou falar sobre o livro, pois já o fiz num artigo deste blogue. O áudio livro narrado e interpretado por Pedro Granger está muito bom. Quem gosta da história deve comprar, pois vai ficar maravilhado com a forma como o livro é lido, e quem não gosta da história também deve comprar, pois vai passar a gostar. Eu poucas vezes li histórias para os meus filhos, quem o faz normalmente é a mãe deles, mas ao ouvir esta história via áudio, fiquei a saber duas coisas: Uma, é que ouvir alguém ler uma história é muito bom, a outra é que nunca alguém tinha lido uma história para mim. Sinceramente nunca tinha pensado nisso. Mas ao ouvir esta história, fiquei tal qual um miúdo, ia ouvindo e imaginando, imaginava o Rei,um rei gordo eheheh, como seria o vaidoso, o acendedor de candeeiros, as expressões do principezinho quando ouvia a lição da raposa. Foi assim que tive uma nova sensação,e descobri que nunca alguém tinha lido uma história para mim.
Nota.: A todos como eu, que nunca tiveram alguém que lhes lesse uma história, peçam a alguém que lhes leia, pois vale a pena. Se não houver alguém para ler, já sabem, compram um áudio livro, sentam-se confortavelmente num sofá, vão ouvindo e deixando a imaginação fluir.( é mil vezes melhor que ver um jogo de futebol na televisão e nem é preciso beber cerveja e comer amendoim. eheheheh)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Prometo reflectir


Gosto muito de ler sobre a filosofia oriental, fundamentalmente sobre os ensinamentos de Siddartha Gautama, mais conhecido por Buda. Por isso vou aproveitar uma reflexão atribuída ao "iluminado" para pensar um pouco sobre a minha vida. Para mim o que é importante é o conteúdo do texto,e não o nome do autor. Esta é uma reflexão que já conheço à muitos anos, mas acho que chegou à altura de debruçar-me um pouco sobre a mesma.( até pode ser que sirva para mais alguém)
A reflexão é a seguinte:

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde; Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro; Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido. ( Buda ) ou (Dalai Lama)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Império português - até parece mentira


Eu gosto muito de ler sobre história, fundamentalmente história de Portugal. Em relação à história de Portugal, há duas coisas que me fazem muita confusão: A primeira é, como é que Portugal conseguiu derrotar exércitos numericamente tão superiores, como o Castelhano na famosa batalha de Aljubarrota onde a diferença era de 5 castelhanos para um português ou do Indiano na ocupação das províncias de Goa, Damão e Diu. A segunda é, como foi possível um país tão pequeno, ter ocupado tantos territórios. Alguns desses territórios com uma grande dimensão territorial, como o Brasil, Angola, Moçambique ou o arquipélago dos Açores que é composto por nove ilhas, todas habitadas. Em baixo coloco uma lista dos territórios ocupados por Portugal e as respectivas datas de ocupação. (retirei a lista do site lusoafrica.net)

Territórios do Império Português

Acra (1557-1578)

Açores - colónia (1427-1766); capitania - geral (1766-1831); antigo distrito além-mar (1831-1976). Região autónoma desde 1976.

Angola - colónia (1575-1589); colónia real (1589-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1975). Tornou-se independente em 1975.
Arguim - Feitoria, foi ocupada pelos Holandeses (1455-1639).
Bahrein (1521-1602)
Bandar Abbas (Irão) (1506-1615)
Brasil - possessão conhecida como Ilha de Vera Cruz, mais tarde Terra de Santa Cruz (1500-1530); Colónia (1530- 1714); Vice-Reino (1714-1815); Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), tornou-se independente em 1822.
Cabinda - protectorado (1883-1887); distrito do Congo (Português) (1887-1921); intendência subordinada a Maquela (1921-1922); dependência como distrito do Zaire (Português) (1922-1930); Independência do Zaire e Cabinda (1930-1932); intendência de Angola (1932-1934); dependência de Angola (1934-1945); restaurada como distrito (1946-1975). Controlada pela Frente Nacional para a Libertação de Angola como parte da Angola tornada independente em 1975 não reconhecida por Portugal nem Angola.
Cabo Verde - colonização (1462-1495); domínio das colónias reais (1495-1587); colónia real (1587-1951); província ultramarina (1951-1974); república autónoma (1974-1975). Independência em 1975.
Ceilão - colónia (1597-1658). Os holandeses apoderaram-se do seu controlo em 1656, Jaffna usurpada em 1658.
Cisplatina - Ocupada por Portugal em 1808, Capitania do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1817, aderiu como província ao Império do Brasil em 1822 e tornou-se independente em 1827 com o nome de Uruguai.
Costa do Ouro Portuguesa - (1482-1642), cedida à Costa do Ouro Holandesa em 1642
Fernando Pó e Ano Bom - colónias (1474-1778). Cedidas a Espanha em 1778.
Guiana Francesa - ocupação (1809-1817). Restituída a França em 1817.
Guiné Portuguesa (actual Guiné-Bissau) - colónia (1879-1951); província ultramarina (1951-1974). Independência unilateral declarada em 1973, reconhecida por Portugal em 1974.
Cacheu - capitania (1640-1879). União com Bissau em 1879.
Bissau - colonização sob Cacheu (1687-1696); capitania (1696-1707); abandonada (1707-1753); colónia separada de Cabo Verde (1753-1879). União com Cacheu em 1879.
Índia Portuguesa - província ultramarina (1946-1962). Anexada à Índia em 1962 e reconhecida por Portugal em 1974.
Baçaim - possessão (1535-1739)
Bombaim (também chamada de "Mumbai") - possessão (1534-1661)
Cananor - possessão (1502-1663)
Calecute - posto fortificado (1512-1525)
Cochim (1500-1663)
Chaul (1521-1740)
Chittagong (1528-1666)
Cranganor (1536-1662)
Damão - aquisição em 1559. União com a província ultramarina em 1946.
Diu - aquisição em 1535. União com a província ultramarina em 1946.
Dadrá e Nagar Haveli - aquisições em 1779. Ocupadas pela Índia em 1954.
Goa - colónia (1510-1946). Tornou-se parte de província ultramarina em 1946.
Hughli (1579-1632)
Coulão (1502-1661)
Masulipatão (1598-1610)
Mangalore (1568-1659)
Nagapattinam (1507-1657)
Paliacate (1518-1619)
Salsette (1534-1737)
São Tomé de Meliapore - colonização (1523-1662; 1687-1749)
Surate (1540-1612)
Thoothukudi (1548-1658)
Indonésia (enclaves) Possessões portuguesas entre os séculos XVI-XIX.
Bante - Feitoria portuguesa (Século XVI-XVIII)
Flores - Possessão portuguesa (século XVI-XIX)
Macassar - Feitoria portuguesa (Século XVI-XVII)
Laquedivas (1498-1545)
Liampo (1533-1545)
Macau - colonização (1554-1557), território cedido subordinado a Goa (1557-1844); província ultramarina (1844-1883); província ultramarina conjunta com Timor-Leste em relação a Goa (1883-1951); província ultramarina (1951-1975); território chinês sob administração portuguesa (1975-1999). Restituída à República Popular da China como região administrativa especial em 1999.
Península de Macau - ocupação e colonização em 1554
Coloane - ocupação em 1864
Taipa - ocupação em 1851
Ilha Verde - incorporada em 1890
Ilhas Lapa, Dom João e Montanha - ocupação (1938-1941). Tomada de novo ao Japão e restituída à China.
Madeira - possessão (1418-1420); colónia (1420-1580); colónia real (1580-1834); distrito (1834-1976). Declarada região autónoma em 1976.
Malaca - conquistada (1511-1641); perdida para os holandeses.
Maldivas - ocupação (1518-1573)
Marrocos (enclaves):
Ceuta - possessão (1415-1668). Foi cedida à Espanha em 1668.
Aguz (1506-1525)
Alcácer-Ceguer/El Qsar es Seghir (1458-1550)
Arzila (1471-1550; 1577-1589). Restituída a Marrocos em 1589.
Azamor (1513-1541). Cidade restituída a Marrocos em 1541.
Essaouira (antigamente chamava-se "Mogador") (1506-1525)
Mazagão/El Jadida (1485-1550); possessão (1506-1769). Incorporação em Marrocos em 1769.
Safim (1488-1541)
Santa Cruz do Cabo de Gué/Agadir (1505-1541)
Tanger (1471-1662). Cedida à Inglaterra em 1662.
Mascate (Omã) - possessão portuguesa subordinada ao Vice-Reino de Goa (1500-1690).
Melinde - Feitoria portuguesa (1500-1630).
Moçambique - possessão (1498-1501); subordinada a Goa (1501-1569); capitania-geral (1569-1609); colónia subordinada a Goa (1609-1752); colónia (1752-1951); província ultramarina (1951-1971); estado (1971-1974); governo de transição integrando representantes de Portugal e da Frelimo (1974-1975). Independência em 1975.
Molucas
Amboina - colonização (1576-1605)
Ternate - colonização (1522-1575)
Tidore - colónia (1578-1605). Pilhada pelos holandeses em 1605.
Mombaça (Quénia) - ocupação (1593-1638); colónia subordinada a Goa (1638-1698; 1728-1729). Sob a soberania do Omã desde 1729.
Nagasaki (1571-1639). Perdida aos holandeses.
Nova Colónia do Sacramento - colónia (1680; 1683-1705; 1715-1777). Cedida à Espanha em 1777.
Ormuz - possessão subordinada a Goa (1515-1622). Incorporada no Império Persa em 1622.
Forte de Queixome - construído na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz (1621-1622)
Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz - ilha de Gerun, no Estreito de Ormuz (1615-1622)
Quíloa - possessão (1502-1661)
São João Baptista de Ajudá - forte subordinado ao Brasil (1721-1730); subordinada a São Tomé e Príncipe (1865-1869). Anexado a Daomé em 1961.
São Jorge da Mina (1482-1637). Ocupação holandesa em 1637.
São Tomé e Príncipe - colónia real (1753-1951); província ultramarina (1951-1971); administração local (1971-1975). Independência em 1975. União com a Ilha do Príncipe em 1753.
São Tomé - possessão (1470-1485); colónia (1485-1522); colónia real (1522-1641); administração durante a ocupação holandesa (1641-1648). Ocupação francesa em 1648.
Ilha do Príncipe - colónia (1500-1573). União com São Tomé em 1753.
Socotorá - possessão (1506-1511). Tornou-se parte do Sultanado Mahri de Qishn e Suqutra.
Timor-Leste - colónia subordinada à Índia Portuguesa (1642-1844); subordinada a Macau (1844-1896); colónia separada (1896-1951); província ultramarina (1951-1975); república e proclamada independência unilateral, anexada à Indonésia (1975-1999), reconhecimento da ONU como território português. Administração da ONU de 1999 até à Independência em 2002.
Tanganica (Actual Tanzânia) - Estabelecimentos portugueses criados no litoral (1500-1630).

domingo, 16 de maio de 2010

Era assim que eu corria

Esta foto é de 1974, tinha eu 12 ou 13 anos. Eu corria assim, leve, muito leve, sem o peso das ambições, mas com a leveza dos sonhos. Espero que o artigo que vou escrever não tenha outra interpretação que não seja a reflexão sobre uma determinada situação. É claro que a opinião que tenho sobre o assunto em questão é muito mais vasta e complexa, mas vou abordar aquele que eu considero ser o factor mais preponderante.

Quando vejo que o meu nome ainda consta na lista dos recordes regionais de infantis e iniciados, fico algo perplexo. Como é que é possível que em 37 anos, nenhum miúdo tenha batido os meus recordes. Eu corria numa pista de terra, não fazia exercícios técnicos de corrida e não passei por nenhuma das fases pedagógicas que os atletas passam hoje em dia. Além disso, ao longo dos anos as condições melhoraram substancialmente. O material sintético substituiu os pisos de terra, o calçado de competição é específico para cada disciplina, e os conhecimentos técnicos e metodológicos evoluíram imenso. Então o que é que se passa? Eu acho que tudo tem a ver com as brincadeiras. Na minha infância, como não havia televisão, Play station, computador, ruas onde era perigoso brincar, escola a tempo inteiro, quase todas as brincadeiras tinham actividade física. Brincávamos sempre ao ar livre e os brinquedos eram fabricados por nós ou pelos nossos pais. O intervalo entre duas aulas era normalmente aproveitado para jogar futebol (conhecido por trapalhança, pois só chamávamos futebol quando era jogado num campo com dimensões regulamentares) ou outros jogos que de alguma forma requeriam rebustês. Qualquer pedacinho de rua também servia para jogar futebol (trapalhança), se não cabiam lá seis jogadores, jogávamos com quatro ou mesmo só com dois. Por vezes, os jogos duravam horas. Lembro-me muito bem de quando jogávamos à apanhada (chamávamos apilhagem), que para quem não conhece é um jogo de corrida, com vários elementos e um deles é designado para apanhar (na altura era apilhar) os outros. Não havia zona limitada, corríamos a freguesia toda, mas ninguém desistia a até todos serem apanhados. Quem era apanhado também passava a apanhador. O problema era quando alguém resolvia esconder-se em casa, então aí, o jogo durava horas. Hoje em dia, é comum vermos as crianças levarem os livros escolares em malas com umas rodinhas, pois as malas nas costas provocam problemas na coluna. Quando vejo isso, lembro-me de que com a idade deles jogávamos ao jogo do cavalo. Este jogo era composto por duas ou mais equipas que se defrontavam, uns fazendo de cavalo e outros de cavaleiros que se colocavam nas costas dos colegas (cavalos). O objectivo do jogo era derrubar o cavaleiro adversário. Nunca ouvi falar em problemas de coluna. Se calhar não tínhamos, eheheheh. Havia também o jogo da corda, em que era colocado um elemento em cada lado da corda, era traçado uma linha no chão entre os dois elementos, cada um fazia força para o seu lado e aquele que tocasse na linha perdia. Este jogo era jogado individualmente ou por equipas. Quando não havia nenhum pedaço de corda velha, fazíamos o jogo com um pau, um trapo enrolado ou até sem nenhum objecto, segurando simplesmente as mãos. Um jogo também muito popular era o jogo do avião. Desenhávamos no chão (normalmente com um pedaço de telha) uns quadrados grandes, em forma de um avião, depois tínhamos que saltar a uma perna e com uma determinada sequência todos esses quadrados. Não é meu objectivo descrever a grande quantidade de jogos tradicionais que fazíamos na minha infância, que ainda teriam de ser somados à subida de árvores, lutas de rua e as sovas dos nossos pais. Eu simplesmente acho que embora de forma empírica, nessa época tínhamos uma actividade física em todos os aspectos mais completa, da que se faz hoje em dia, nas escolas e clubes. Sem qualquer tipo de orientação, treinávamos a coordenação, velocidade, força, resistência, flexibilidade e destreza. Acho inclusivamente, que muitos desses jogos deveriam ser recuperados e utilizados como meios de formação tanto nas escolas como nos clubes. Para uma nova situação há que criar um novo paradigma. Se não criarmos programas adaptados à nova realidade os desideratos propostos não serão atingidos. Para quem está dentro do atletismo estas são as minhas marcas que ainda são recordes: Infantil 11/ 12 anos 35” 00 nos 250 metros. Iniciado 13/ 15 anos 9.3 nos 80 metros ( 9.1 em campeonatos escolares) e 37” 6 nos 300 metros. Como podemos verificar e embora tenham sido feitas numa pista de terra, não são grande coisa. O problema é, porque não se faz melhor hoje em dia?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Spirulina - Vale a pena ler

A Spirulina é um suplemento alimentar de grande importância para qualquer pessoa, mas fundamentalmente para atletas e vegetarianos. Para os vegetarianos porque é a substancia até hoje descoberta, que proporciona a mais rica fonte natural de proteínas. Para os atletas porque é um excelente suplemento para manter uma alimentação equilibrada. A Spirulina é tão rica e equilibrada em nutrientes, que é capaz de proporcionar todas as necessidades alimentares, sem ser necessário recorrer a outros alimentos. (não aconselho a experiência)
Mas afinal o que é a Spirulina? “A Spirulina é uma alga microscópica azul esverdeada composta por uma única célula e que torna a luz Solar em energia activa”. Ela é no mínimo 60% de proteína vegetal, pelo que tem mais proteína do que qualquer outro alimento e fornece Vitaminas, aminoácidos essenciais, hidratos de carbono, uma grande variedade de minerais, enzimas e tantas outras substancias de grande valor nutritivo. É sem sombra de dúvidas o suplemento alimentar ideal para quem é vegetariano, pois a toma diária da dosagem recomendada é suficiente para satisfazer a necessidade proteica do organismo.
Vejamos a sua composição:
(dados retirados do site http://saludbio.com/pt/Spirulina-Propriedades)

Composição média da ALA SPIRULINA (Spirulina Geitleri) por 100 g
Nutrientes:
60-70% de proteína
10-20% de carboidratos
5% de gordura
Fibra 2%
Calorias 320/100 g

Vitaminas
Pró-vitamina A (Beta Caroteno) 2833 UI

Vitamina B1 (tiamina) 5,5 mg

Vitamina B2 / Riboflavina) 4,0 mg

Vitamina B6 (piridoxina) 300 mcg

Vitamina B12 (cobalamina Cyano) 160 mcg

Vitamina E (tocoferóis) 7 mg

Vitamina H (biotina) 40 mcg

Ácido pantoténico 1,1 mg

Ácido fólico 5,0 mg

Inositol 35 mg

Niacina 11,8 mg

Minerais:
Cálcio 118, 0 mg

Fósforo 828,0 mg

53,0 mg de ferro

34,4 mg de sódio

Magnésio 166,0

2,2 mg Manganês

Zinco 3,3 mg

1.435,0 mg de potássio

Vestígios de selénio

Ácidos gordos:
1325 mg de ácido linoleico

1065 mg de ácido linolênico

Aminoácidos (% da proteína total)
(Essentials)

Isoleucina 5,7%

Leucina 8,7%

Lisina 5,1%

Metionina 2,0%

Fenilalanina 5,7%

Treonina 5,4%

Triptofano 1,5%

Valina 7,5%


(Não essencial)

Alanina 7,9%

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O 1º de Maio - Nostalgia ?















Esta é a única foto que eu tenho com toda a minha família. Não é de admirar, pois uma família assim tão numerosa não deve ser fácil juntar para uma foto. No verso da foto, não tem nada escrito, mas sei onde foi tirada, porque reconheço o local. Também sei o dia, porque só lá íamos na festa do dia 1 de Maio. O ano? Arrisco 1965, eu tinha então 4 anos e o meu irmão,faria em Outubro 17.
Alguns meses depois de fazer 17 anos, o meu irmão alistou-se na Força Aérea como voluntário. Era tempo de guerra nas colónias ultramarinas, e ele, entre aviões e helicópteros, andou por lá quase 7 anos. Segundo parece, ele preferiu a guerra, ao rigor dos Padres no Colégio e às sovas que o meu pai de vez em quando lhe dava. O meu irmão e os meus pais já morreram, mas fica esta foto para eu poder lembrar-me de um tempo, que de tão longínquo, as lembranças já são poucas.
  Indo ao que interessa: a razão porque coloquei esta foto é porque está relacionada com o tema que vou escrever;"O 1º de Maio". Penso que há muita gente equivocada com as razões desta celebração. É habitual conotarem-na, com o sistema marxista, com países comunistas ou socialistas. Muita gente até pensa que este dia só passou a ser feriado em Portugal após a revolução (25 de Abril de 74), mas não é bem assim. Como podemos constatar na foto, em 1965 em plena ditadura, eu já ia aos festejos do 1º de Maio.
 É claro que não se chamava o dia do trabalhador mas sim o dia do trabalho, a minha mãe dizia que era o dia do pic-nic, pois íamos para um local com uns relvados, umas barracas com “comes e bebes” e passavamos o dia por lá na brincadeira. Também não havia manifestações com trabalhadores a fazerem reivindicações, pois as que havia, eram controladas pelos serviços secretos do estado, a PIDE. Era simplesmente um dia de descanso para os trabalhadores, que era passado em família num sereno convívio. Ao sistema político vigente na altura, era de toda a conveniência manter este feriado, porque os países que não respeitavam este dia, eram considerados opressores da classe operária.
  O primeiro de Maio, nasce nos Estados Unidos da América e está relacionado com uma greve geral e uma gigantesca manifestação operária que ocorreu em Chicago e que se iniciou neste dia, no ano de 1886. Esta greve prolongou-se por mais alguns dias e teve graves repercussões para os intervenientes, que sofreram espancamentos, e todo o tipo de brutalidades. Houve centenas de mortos de pessoas de todas as idades. Alguns líderes do movimento foram condenados à morte na forca, e outros a prisão perpétua. O dia do trabalhador foi pela primeira vez assinalado em simultâneo em vários países, dos quais Portugal fazia parte, em 1 de Maio de 1890.A partir desta data o primeiro de Maio nunca mais deixou de ser celebrado. Em Portugal e durante a primeira Republica e por algum tempo, este dia esteve proibido de ser festejado.
Aconselho a quem não sabe lá muito bem o significado do dia do trabalhador, que faça uma busca na net sobre o 1 de Maio de 1886 em Chicago. É muito importante, para que esta nova geração, quando começar a trabalhar, e tiver direito a férias, horários de trabalho compatíveis, subsídios e outras tantas regalias, nunca se esqueça que para usufruírem de tudo isso, houve gente que foi torturada, alguns deram a própria vida e muitas famílias foram destruídas. Para sermos correctos e solidários com os menos favorecidos, não é preciso ter partido político, nem religião. Simplesmente basta sermos honestos com nós mesmos, e fazermos o que a nossa consciência manda.
Termino com um pensamento do Bertold Brecht

" a indiferença"

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.