domingo, 2 de setembro de 2012

Quem quer ser vegetariano? Cannelloni com espinafres e requeijão


( para 4 refeições)















cannelloni (250 gr)1 embalagem
requeijão 1
espinafres picados 500 gr
cebolas 4
azeite 50 dl
alho 2 dentes
massa de tomate 50 gr
vinho branco q.b.
sal q.b.
queijo parmesão 200 gr

Começe por cozer os espinafres picados em água com um pouco de sal.Refogue a cebola picada e os alhos no azeite.Quando os espinafres estiverem cozidos escorra e junte ao refogado, de seguida junte também o requeijão todo desfeito e misture bem deixando mais uns minutos no lume.
Faça um molho com massa de tomate, vinho branco, água e leve a ferver.( tem de ter liquido suficiente para tapar o cannelloni) Começe a enher o cannelloni com refogado, colocando num pirex ou outro recepiente que possa ir ao lume.
Depois de terminado deite o molho quente no pirex até tapar o cannelloni. Cubra com queijo parmesão ralado e leve ao forno 180ºC até gartinar um pouco. Sevir acompanhado com salada

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O Fio da Navalha de Somerset Maugham

O Fio da navalha de Somerset Maugham é um romance intemporal, pois embora se situe entre a primeira e segunda guerra mundial, passando pela crise económica de 1929, aborda temas que são intrínsecos ao ser humano. O protagonista do romance é Larry, as principais personagens secundárias são: Isabel, Gray, Elliott, Suzanne Rouvier, Sophie e o próprio narrador. Embora todas estas personagens tenham algum tipo de relacionamento com Larry, não gravitam em seu redor só com o objetivo de contar a sua história, pois cada uma personifica um determinado tipo de comportamento humano, que nos leva a uma reflexão.

Em relação às personagens, Identifico-me com Larry na sua busca espiritual. Larry gostava de ler os grandes pensadores da humanidade, era bom ouvinte e não se negava experienciar vários tipos de religiosidade que de alguma forma pudessem contribuir para uma melhor compreensão da razão da sua existência. Na busca de um sentido para a vida, Larry viajou para Paris, e depois para a India onde parece que encontrou o que procurava. Mas não era um seguidor, foi sempre um pensador solitário. Quanto a Isabel, comecei por compreendê-la, mas ao longo do romance acabei por antipatizar com esta personagem, e quem ler o livro saberá a razão. Isabel amava Larry mas acabou por casar com Gray, pois o tipo de vida que Larry lhe propunha estava muito longe daquela que idealizava, onde o prestígio social e uma espiritualidade sem compromisso eram dois itens indispensáveis. Suzanne Rouvier é um tipo de pessoa que vive a vida juntando o útil ao agradável. Acaba por não ser uma pessoa feliz, mas também não passa por momentos de grande infelicidade. Vive o dia-a-dia com muito pragmatismo. Sophie é na minha opinião a personagem mais infeliz do romance. Era boa menina, muito alinhada, gostava de ler e escrever poesia. A vida acabou por não lhe correr bem e não teve força e sorte suficiente para dar a volta. A vida dela fez-me rever algumas pessoas conhecidas, e até amigas que passaram pelo mesmo. Elliott, tio de Isabel, pertence a uma classe que em Portugal apelidamos de jet set (socialite), vive de rendimentos, passa a vida a dar festas onde só convida gente importante, e faz tudo para participar nas chamadas festas chiques da alta sociedade. Para ele a aparência é o mais importante. Foi salvo da grande depressão de 1929 pelo vaticano, com quem tinha ótimas relações e lhe aconselhou a vender todas as ações, antes dos valores da bolsa terem descido drasticamente. Gray era o melhor amigo de Larry, amava Isabel com quem acabou por casar. Filho único de um milionário, foi uma das vítimas da crise económica de 1929, ficando na miséria. O narrador, Somerset Maugham, diz que conheceu os protagonistas e quanto à história escreve: “Não inventei nada. Para poupar constrangimentos a pessoas ainda vivas, dei às personagens que desempenham papéis nesta história nomes fictícios e tomei todas as precauções para evitar que alguém às reconhecesse”. Não sei se é verdade, mas se é, ele foi um homem com muita sorte por ter partilhado um pouco da sua vida com estas pessoas.

Pequeno excerto de um diálogo entre Larry e Isabel:

- “ Quero tomar uma decisão quanto à existência ou não existência de Deus – Quero descobrir porque existe o mal. Quero saber se tenho uma alma imortal ou se é o fim de tudo quando morrer.”
 - “ As pessoas têm-se colocado essas perguntas desde há milhares de anos. Se fosse possível encontrar as respostas certamente alguém já o teria feito.”
  - “ Se os homens fazem perguntas destas há milhares de anos, isso só prova que não conseguem deixar de às fazer e que têm de continuar a fazê-las”

Pequeno excerto de um diálogo entre o narrador e Isabel:

– Está muito apaixonada por Larry?
– Vá para o diabo. Nunca amei mais ninguém em toda a minha vida.
- Então porque casou com Gray?
- Tinha de casar com alguém. Ele era doido por mim e a minha mãe queria que eu casasse com ele. Toda a gente me dizia que era uma sorte ter-me livrado do Larry. E eu gostava muito do Gray; ainda gosto………. – Penso que realmente não o amava, mas uma pessoa passa bem sem o amor. Lá no fundo era pelo Larry que eu suspirava……….

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Momentos



   Mais uma vez recorro à terceira pessoa do pretérito perfeito simples do verbo vencer, para escrever: Portugal venceu o campeonato da europa de atletismo INAS no sector feminino e masculino disputado em Gävle na Suécia. A estes títulos coletivos os atletas portugueses juntaram 40 medalhas, sendo que 15 foram de ouro. Também conquistaram os títulos de melhor atleta do sector masculino e feminino, melhor performance masculina e o prémio do medalheiro (seleção com mais medalhas). Perante uma supremacia destas não há muito a dizer, correu tudo bem, parabéns a todos os intervenientes.
   Embora tardiamente, gosto de divulgar no meu blogue as provas do desporto adaptado em que participo. Como em outras vezes teço alguns comentários sobre o tema em questão.

   Se é verdade que o desporto adaptado tem como principais objetivos facilitar a integração na sociedade das pessoas portadoras de deficiência e concomitantemente atuar como um meio preventivo e terapêutico, colmatando algumas debilidades provocadas pela deficiência. Não é menos verdade que os praticantes do desporto adaptado, são um grupo heterogéneo a nível do grau e do tipo de deficiência que são portadores, e por essa razão os principais objetivos que norteiam esta atividade também devem ser analisados de forma diferente.
   Atletas ambliopes, cegos totais, com dificuldade de aprendizagem (chamada deficiência intelectual) e alguns tipos de deficiência motora, estão simplesmente limitados a nível da deficiência em questão e não possuem outra limitação física, sendo que na prática do atletismo, são incorporados no treino e em competições dos atletas ditos normais.
  Para estes atletas, o desporto adaptado, não tem a função terapêutica, como em outros casos de deficiências mais graves, mas sim contribuir para uma melhor integração social, aumento dos níveis de auto confiança e auto estima, demostrando através dos seus resultados desportivos, que embora com algumas limitações, possuem qualidades que lhes permitem ser uteis à sociedade.
   É claro que o desporto adaptado não pode ser comparado ao desporto dito normal, pois correríamos o risco de subverter os principais propósitos para que foi criado. Agora, acusarem as instituições que promovem a prática do desporto adaptado de empolamento das medalhas ganhas e a comunicação social escamotear os resultados obtidos, acho muito mal. Já li vários tipos de acusação sobre o desporto adaptado, por vezes utilizando uma terminologia que considero abominável, ainda mais provindo de uma classe dita intelectual. É natural que atletas que estão no limítrofe da sua deficiência (os conhecidos borderlines) levantem alguma suspeição, mas no desporto dito normal, também existe suspeição. Quantos atletas que considerados ídolos, mais tarde viemos a saber que se dopavam e que através do doping adulteraram os resultados? E então! vamos suspeitar de todos? É claro que não……
Os atletas do desporto adaptado competem a nível internacional com atletas do mesmo grau de deficiência, as regras são iguais para todos, aqueles que ganham são os melhores. Por isso devemos dar relevância aos vencedores; atletas,treinadores e agentes promotores. A forma como trabalharam, e conseguiram mobilizar os atletas para a prática desportiva, a sua organização e empenho devem ser sempre enaltecidas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Portugal novamente campeão


Eis mais um momento que vivenciei e que faço questão de gravar com letras, e ler em voz alta, pois era assim que eu estudava.
Pensava eu, que aquilho que não queria esquecer se usasse os três sentidos; tacto, visão e audição mais facilmente iria ficar registado algures na mente, onde sempre que quisesse poderia ir buscar.




Portugal foi novamente campeão mundial de atletismo no sector feminino e masculino (Inas world indoor athletics championships) em pista coberta na vertente de desporto adaptado. Neste campeonato realizado em Manchester, além dos títulos colectivos os atletas portugueses conquistaram 25 medalhas, 10 de ouro, 7 de prata e 8 de bronze. Para ajudar a aumentar o pecúlio de prémios o atleta Lenine Cunha com 3 medalhas de ouro, 3 de prata e 1 de bronze foi considerado o melhor atleta do campeonato, título atribuído ao atleta com melhor prestação no evento. Deixei para o fim aquele que foi considerado por todos o melhor prémio do campeonato e esse prémio foi a presença na equipa de uma menina linda, Ana Catarina Ramos a quem recentemente foi diagnosticado um tumor que felizmente foi superado. Ela esteve a competir ajudando a equipa a superar o desiderato a que se tinha proposto. A tristeza com que recebemos a notícia aquando do diagnóstico da sua doença foi deveras superado pela alegria de a termos connosco.

Quando um pobre e pequeno País como Portugal tem um ascendente tão grande sobre os outros países numa qualquer modalidade resta apenas perguntar, como é possível?
A única razão que me ocorre é a de os outros Países não terem um Costa Pereira, coadjuvado sem sombra de dúvidas por um excelente quadro de profissionais que formam a ANDDI( Associação Nacional de Desporto para deficiência intelectual) e um grupo de técnicos da modalidade que se mostram disponíveis. Digo isto, porque estes resultados só são possíveis devido à dinâmica e capacidade de congregação de esforços em prol de um objectivo, que o técnico nacional Costa Pereira consegue mobilizar. Não encontro outra explicação.

Os atletas que integraram esta selecção estão todos de parabéns, pois foram inexcedíveis nos esforços que lhes foram pedidos.
Uma palavra de apreço à atleta Raquel que na ausência da carismática capitã Graça Fernandes assumiu essa prestigiante função com grande qualidade. Também saliento o trabalho da fisioterapeuta Maria João que ficou responsável por três sectores o de queixinhas, dói dois e lamentos, a câmara de chamada e fotos do evento. Não sei como, mas conseguiu cumprir tudo na íntegra.

Duas notas finais:
Para quem estiver interessado em consultar o impressionante número de títulos e medalhas conquistados pelos atletas da ANDDI ao longo dos tempos é só ir a http://www.anddi.pt/,
dentro do site clicar em ANDDI, e depois em Historial ANDDI.


Muitas vezes fala-se no dinheiro que os treinadores ganham com os atletas e para que não haja equívocos eu vou dizer quanto é que recebo do estado português pelo atleta da deficiência intelectual que eu treino e que tem mínimos B para os jogos paralímpicos. Recebo 12,88 (doze euros e oitenta e oito cêntimos) por mês, passo recibo verde no qual desconto 21 % desta verba. Aqui não anda alguém a aproveitar-se de alguém, anda é gente com um coração bastante grande e com muito gosto pela modalidade (valem as amizades que se fazem, os lugares que conhecemos e o sentimento de sermos úteis).

( infelizmente tentei acertar o texto mas não consegui )

sábado, 31 de março de 2012

Maravilhosa receita com seitan



Para os meus amigos vegetarianos e não só, cá vai uma das minhas receitas preferidas.Esta receita é usada com bacalhau mas eu faço com seitan e fica uma maravilha.

Ingredientes:
2 courgettes, 1 embalagem de seitan , 2 cebolas, 5 dentes de alhos , um pouco de salsa, 1 pacote de batata palha fina e algumas azeitonas pretas.








Confecção:
Picar as duas cebolas o alho e refogar. Cortar as courgettes em rodas fininhas e cozer. Fatiar o seitan e cortar em pedacinhos,
picar a salsa. Quando a cebola e o alho já estão quase refogados adicionar a salsa e o seitan para tomar gosto, quando estiver bem refugado adicionar as courgettes bem cozidas e a batata, depois é só mexer bem e servir com umas azeitonas pretas e acompanhar com salada.
Como podem constatar é simples e rápido, se provarem vão verificar como é delicioso.
( eu não uso o seitan todo, retiro três fatias do meio que depois uso para fazer bifes)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Retalhos








Retalhos são pequenas películas da minha vida, que por alguma razão são projectadas na minha mente. Nostalgia? Claro que não, mas há-de haver uma razão para que essas curtas-metragens e não outras ficassem gravadas.








Sentada num pequeno banco, com os ombros curvados, repetia incessantemente o gesto mecânico do bordar. A agulha empurrada pelo dedal trespassava o linho, arrastando as linhas que matizavam os desenhos estampados no tecido.
Um candeeiro suspenso por uma corda à roldana do teto, descia até quase a altura da cabeça, incidindo a luminosidade sobre o bordado. Ao seu lado, numa cesta de vimes, descansavam negalhos de linhas de várias cores, um paninho vermelho com agulhas espetadas e três aerogramas recebidos nessa manhã.
Como companhia, uma telefonia sintonizada numa emissora que normalmente transmitia música pedida.



Penso que o acto de bordar é congruente com o acto de introspecção, pois enquanto a minha mãe bordava a alteração constante da sua expressão facial exprimia as emoções que lhe iam na mente. Quantas lágrimas caladas por lá passaram, apertos no peito e também momentos de satisfação?

Com um gesto rápido e automatizado a minha mãe arrematou a linha, descansou o bordado no colo e retirou os aerogramas da cesta para reler mais uma vez. Lia em silêncio, esboçou um sorriso e em voz alta leu - a mãe que me desculpe mas a comida aqui é melhor que ai em casa. Olhou para mim como que a justificar: ele quando esteve cá de férias já me tinha dito que na Força Aérea comiam muito bem. Voltou a ler em silêncio, para pouco tempo depois em voz alta e com um ar mais sério – a mãe que diga ao Adriano que estude, pois na tropa quem não estudou é um desgraçado. Nós temos ido de helicóptero retirar feridos e levar abastecimento às tropas que andam no mato e aquilo é uma desgraça.
A minha mãe olhou para mim e disse: ouviste bem!?



Nesse momento na telefonia começou a tocar uma canção, que sempre que a minha mãe ouvia começava a chorar. Era uma canção do conjunto “Oliveira Muge” e que se chamava “ Mãe” ainda me lembro da música e do início da canção que era mais ou menos assim:” Mamãe, tu estás tão longe de mim! Mamãe, sinto que estás a chorar. Não chores a minha ausência, que um dia hei-de voltar”.
Eu como sempre tentava animá-la – a mãe não chore com o que ele diz, não vê que ele está a cantar?....



PS. Escrevo para que quando estas pequenas películas deixarem de passar na minha mente, eu tenha as palavras escritas e assim possa recordar momentos e pessoas que já não existem, mas que eu não quero que algum dia deixem de existir.



Nota: Aerograma era um envelope para correspondência com os militares aquando do período da guerra colonial. Esta correspondência era gratuita e a direcção dos militares era um código chamado SPM ( serviço postal militar)

domingo, 16 de outubro de 2011

Portugal campeão em Atletismo - Global Games 2011




















” A minha vida faz-se ao contá-la e a minha memória fixa- se com a escrita; o que não ponho em palavras no papel o tempo apaga-o” Isabel Allende

Breve análise aos campeonatos

Os Global Games de 2011 foram disputados em Itália, mais propriamente na região da Ligúria. Portugal foi novamente campeão do Mundo por equipas em atletismo, tanto no sector masculino como no sector feminino. O atletismo português obteve 8 medalhas de ouro, 5 de prata e 6 de bronze. O título de: “o melhor atleta dos campeonatos” foi atribuído a Gracelino Barbosa, estreante neste tipo de eventos e que foi um verdadeiro papa medalhas, ganhando cinco medalhas de ouro e uma de bronze. “ Nasceu uma estrela”

A nossa selecção de atletismo ficou em Imperia, acomodada numa excelente unidade hoteleira situada no cume de uma montanha. Não fosse o percurso sinuoso, que na sua maior parte só permitia a passagem de um autocarro, um motorista da cruz vermelha Italiana que teimosamente insistia em não acertar com as curvas e poderíamos dizer que tinha sido um local perfeito.

A participação portuguesa excedeu as expectativas, pelo que só resta dar os parabéns a todos os que directa ou indirectamente deram a sua colaboração, mas fundamentalmente ao técnico Nacional Costa Pereira que é o grande obreiro deste resultado. Uma referencia especial aos capitães das equipas , Lenine e Graça pela mística que conseguem transmitir ao Grupo.

Um aparte

Os Global Games são os Jogos olímpicos dos atletas da deficiência intelectual, ou seja dos atletas que têm uma dificuldade e capacidade limitada de aprendizagem. Pessoas a quem no jogo da vida nem sempre a sorte acompanhou e encontram nesta competição um meio onde são valorizados, momentos de grande felicidade e camaradagem. O facto de a comunicação social portuguesa não dar relevância aos nossos êxitos e à importância social destes eventos, não belisca em nada a sua importância. Para os detractores desta área, que muitas vezes colocam em dúvida a elegibilidade dos nossos atletas, informo que vários dos nossos atletas mais uma vez foram submetidos a testes psicotécnicos e físicos para atestar a sua elegibilidade e todos foram elegíveis( aqui não anda alguém a enganar toda a gente)

Uma história bem bonita….

Da nossa delegação fez parte uma amiga Japonesa que vive no Japão e a expensas próprias deslocou-se do seu país até Itália para acompanhar a nossa selecção. (Merece o titulo:" A melhor adepta do mundo do desporto adaptado", e já vão ver o porquê)

Acho até que se o saudoso Fernando Pessa visse isto diria a sua famosa expressão: E esta, hein?

O seu nome é yayoi Iwamoto (pronuncia-se iaiui) e como o nome não é muito fácil de pronunciar, foi baptizada (no grupo) por Maria, e assim facilita a vida a toda a gente. (coisa de portugueses). O técnico nacional Costa Pereira atribui-lhe sempre uma função na equipa, que cumpre religiosamente.

O seu relacionamento com os portugueses do desporto da deficiência intelectual data desde 2002 onde num mundial de futebol realizado no Japão foi voluntária da selecção portuguesa com a função de Guia/ intérprete. Poderemos dizer que foi um amor à primeira vista.

Cativada pelos portugueses, fez questão de conhecer Portugal, onde se deslocou em 2003 para ver o Europeu de futebol em Aveiro. Regressou a Portugal em 2004 ficando a residir cinco meses na cidade do Porto (bastião do desporto da deficiência intelectual em Portugal) e a estudar numa universidade.

Em 2005 foi até à Austrália para acompanhar a equipa portuguesa no atletismo, 2006 acompanha o basket no Japão e volta a Portugal para acompanhar o ténis de mesa em Mirandela. Em 2007 acompanha a selecção nacional portuguesa ao Brasil e no regresso passa por Portugal para continuar a acompanhar-nos num campeonato em Tondela.

Em 2008 acompanha o atletismo portugês a Manchester, 2009 os Global Games na República Checa, 2010 síndrome de dwon no México e 2011 Global Games em Itália... É obra...

Yayoi é uma pessoa discreta, observadora e de uma educação exemplar. Gostei imenso da partilhar alguns momentos de conversa com ela, que eram sempre enriquecedores. Tem uma história de vida lindíssima.
A sua mãe vivia em Hiroshima aquando da explosão da bomba atómica e embora estivesse só a cerca de 2 km do local do rebentamento ainda é viva e pelo que consta de boa saúde.
Antiga professora primária no Japão viveu três anos no Brasil onde aprendeu a falar português e actualmente no Japão traduz documentos para uma área governamental sendo também tradutora num hospital e num reformatório em regime de voluntariado.
Nos seus momentos mais críticos, costuma sonhar com o seu pai que já morreu à muito e tenta seguir na integra os conselhos que lhe transmite.
Budista de uma vertente muito liberal, gosta de ler sobre religiões e tenta utilizar para si o melhor que cada uma lhe transmite.
Muito haveria para escrever sobre yayoi, mas vou acabar com as palavras do nosso técnico nacional Costa Pereira na reunião final “ à Maria um muito obrigado de todos por nos honrar com a sua presença” ao que ela respondeu “ eu é que agradeço, por permitirem estar aqui convosco: Tenho vício de estar com vocês”

Nota: Poderá haver alguns lapsos nas datas, pois surgem de pequenas conversas. A ideia de escrever sobre yayoi é simplesmente fazer-lhe uma pequena e modesta homenagem e uma forma de não esquecer-me de alguns pormenores das nossas conversas.