quinta-feira, 21 de maio de 2009

Reflexo miotático e reflexo miotático Inverso


O reflexo miotático de encurtamento e o reflexo miotático inverso fazem parte das muitas questões que os atletas colocam nos treinos. É normal um velocista , quando lhe é pedido que faça saltos de cima de uma caixa para o chão e novamente para cima de outra caixa , ou saltos sobre várias barreiras, perguntar: mas para que é que isto serve? eu não sou saltador. Ou , qual é a utilidade deste treino? E um treinador deve sempre dar uma explicação,para o tipo de trabalho que mandou efectuar.Eu escrevi sobre este tema com dados que retirei de um trabalho do Profº Nelson Kautzner,mas reconheço que a minha síntese ficou um pouco confusa.Fundamentalmente, o que quis, foi explicar a utilidade deste tipo de trabalho na planificação do treino do velocista. Aos poucos vou tentar melhorar este artigo, com a introdução de dados de outros trabalhos.
O ciclo de alongamento/encurtamento, vulgarmente chamado de forma incorrecta, pliometria, contribui de forma significativa para a melhoria da força reactiva neuromuscular (VILLAR, 1987). O ciclo de alongamento/encurtamento consiste em saltos em profundidade, onde existe uma extensão brusca (de choque) dos músculos, seguida de uma mudança rápida da extensão à contracção, em condições de carga exterior considerável. Por conseguinte, a importância primordial aqui não é do regime Pliométrico (excêntrico), mas do inverso do trabalho muscular, onde a fase de contracção do trabalho exerce o papel principal. (Verkhoshanski (1996).

Neste tipo de treino, o atleta inicia o salto em profundidade através de uma queda na vertical com a coluna vertebral erecta Verkhoshanski (1996). Quando o atleta chega ao chão dá-se a fase de impacto (BACA, 1999) iniciando assim tal qual na fase de apoio da corrida a tripla flexão. Flexão da anca, do joelho e da articulação do pé, acontecendo também uma flexão mínima da coluna. As flexões das articulações, provocam um alongamento dos músculos e por conseguinte uma contracção muscular excêntrica (Gollhofer1991) estimulando o fuso muscular (Os fusos musculares são organizados paralelamente ás fibras dos músculos. Quando o músculo é alongado por uma força externa os fusos musculares estão sujeitos ao alongamento. O alongamento induz a um aumento da descarga no fuso muscular. O que mais tarde causa um incremento na descarga de alfa-motoneurônios e portanto, uma contracção reflexa do músculo alongado. Este reflexo de contracção faz com que o músculo retorne ao seu comprimento inicial, a despeito das mudanças de carga aplicadas ao músculo (retroalimentação de comprimento) Zatsiorsky (1999)

Com o aumento da flexão da anca, joelho e articulação do pé, o reflexo miotático já está totalmente desencadeado (Dantas, 1995). A contracção muscular proveniente do reflexo miotático, gera uma tensão e acciona os órgãos tendinosos de Golgi (os órgãos tendinosos de Golgi são dispostos em série junto ás fibras musculares. Esses receptores são sensíveis as forças desenvolvidas pelo músculo, ao invés da sua mudança de comprimento como no caso dos fusos musculares. Se a tensão muscular aumenta de forma aguda, o reflexo tendinoso de Golgi provoca inibição da acção muscular. Como resultado, temos uma queda da tensão muscular que previne o músculo e o tendão de se lesionarem (retroalimentação de força)) Zatsiorsky (1999) através de uma resposta reflexa que acompanha relaxamento da musculatura (Barbanti, 1998) preparando o atleta para a impulsão (Dantas, 1995).

Para armazenarmos energia elástica dependemos de um alongamento do músculo (contracção excêntrica) e a rápida passagem da fase excêntrica para concêntrica, transforma a energia elástica em energia mecânica que é transferida para os membros inferiores em menor custo metabólico e aumenta a força de impulsão (Barbanti, 1998)
Agora interessa saber qual a utilidade deste tipo de trabalho nas corridas de velocidade. Verkhoshanski (2001) afirma que as capacidades elásticas musculares além da eficácia elevada dos esforços explosivos que serão realizados com a potência máxima, contribuirão para a intensificação da economia mecânica dos movimentos úteis. A manutenção da energia elástica do pré – estiramento garantirá o alto nível de economia da corrida, e dos saltos, o que é caracterizado pela diminuição do valor do consumo energético no decorrer do mesmo trabalho mecânico. Também Viitasalo et al. (1998) informa que as sessões de salto em profundidade melhoram o potencial das fibras de contracção rápidas e aumentam a quantidade de fibras rápidas na musculatura treinada. Fox e tal (1991) informam que o salto em profundidade melhora a sincronização do atleta para gerar contracções musculares, de preferência a energia elástica. A facilitação neural em virtude das sessões de salto em profundidade promove aumentos de força.
Como a energia utilizada na corrida dos 100 metros (ATP) é extremamente limitada, o Prof. Jayme Netto grande especialista das provas de velocidade, defende que esta prova deve ser corrida com o máximo de poupança de energia possível, e que o treino para a prova dos 100 metros é 60% estrutural e 40% metabólico.O Profº Jayme Netto também menciona num seu artigo que: " para estimular os órgãos tendinosos de Golgi e o fuso muscular, para obter-se o reflexo miotático, é necessário que o músculo esteja em uma condição excêntrica prévia e o tempo de reacção no solo seja entre os 100 e 200 mlsegundos.
Na fase da velocidade máxima, de uma prova de velocidade o elemento predominante é a força reflexa – elástico - reactiva. Assim vemos a grande utilidade que o treino de saltos em profundidade tem no planeamento do treino da corrida de velocidade.

3 comentários:

  1. Não sei como mais ninguém vê este blog, muito bom!

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  2. Passei pra deixar os meus agradecimentos! Amanha tem uma prova de fisiologia me esperando =[ Rodrigo, Recife

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Comentários...